Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Chá de camomila, mel e canela…

Bambina mia,

hoje, pouco depois de falar com você fiz o chá, talvez movida pela sua missiva para Heloísa. O vento que esteve aí ontem, mudou-se para cá e arrastou as folhas todas pelo quintal. Um leve sorriso se formou aqui, por detrás do vidro da porta vendo a rebeldia de dezenas de folhas em redemoinho de vento.

Esfriou demais para o meu lugar e os 14º me deixa presa dentro de casa. O quintal sente o sopro do vento e a garoa. Onde já se viu garoar em Cuiabá? Pois bem! Já se tornou rotinas nesses dias de inverno. Sofro com a secura e a baixa umidade, mesmo com essa garoa que cai…

Sorvo mais um gole do chá que não seguiu a sua receita. Como não tenho chás de caixinhas, colho as ervas ao alcance das mãos aqui… Então, ao invés da baunilha, acrescentei a canela. Adoro esse aroma que se impõe sobre os aposentos. Há poucos biscoitos na lata e divido com os cães que se esparrama nos sofás, cabendo a mim, apenas um canto onde me encolho com a manta sobre os pés.

É tão estranho olhar no calendário e ver os dias empilhando uns nos outros e as estações são varridas uma sobre as outras também. Logo já estaremos ouvindo o “então, é Natal‘ nas propagandas e ruas. Como a gente conta esses dias feitos de faltas, memórias e saudades? Talvez, não precisamos contar… eles passarão como um sopro em um dia; em outros, parecerão anos e com isso a gente vai seguindo a rota que se desenha.

O chá serviu ao intento de aquecer o corpo e a alma e me preparo para a rotineira fisioterapia que se tornou íntima de mim. Preferia continuar te escrevendo, mas o relógio me acorda para a realidade do compromisso e sigo rua acima, enfrentando o frio que acontece por aqui. Na volta, preparo outro chá.
Aceita uma xícara?

Bacio,
Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas · infinitamente

Os restos dos dias depois que você nasceu.

filho,

ontem, eu e seu pai ficamos refazendo o dia em que você nasceu… desde às primeiras dores até o momento em que você chegou no nosso colo. Já repeti várias vezes a mesma história e percebi que já era mãe antes de você nascer, mas não sabia nada e assim, fomos aprendendo juntos.

Você foi a primeira vez de tantas coisas em minha vida e te cantei em tantas poesias e livros só para dizer do meu amor. E hoje, no aniversário de 37 anos te escrevo para reafirmar mais uma vez o quanto é importante em minha história. Mesmo longe, é como se nossa ligação lá do útero ainda funciona em instantes de nossas vidas.

Sabe, filho, a vida passa ligeiro e os dias correm… logo já não estarei mais aqui e quero que ao ler as cartas escritas para você sinta o imenso amor que sinto por você depois dos restos dos dias em que você nasceu. Tento descortinar esses dias dentro de poesias que faço e através delas te levo meu amor.

Feliz aniversário!
Te amo!

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas

Alguma coisa acontece…

Querido Mário,

Eu estive em sua São Paulo e desde quando estava no avião, em pleno céu, me encantei com a imensidão da cidade, cantarolei Caetano e lembrei-me de todas as canções que exaltam a cidade que você tanto amou.
O buongiorno ouvi da minha bambina e claro que a reconheceria entre tantas mil, ainda no aeroporto. A boina, o riso e o abraço acolhedor de boas-vindas. Foi ela quem fez o mapa e me guiou pelas ruas e calçadas… indicando o melhor caminho.


Da janela do carro fui exclamando o tamanho das formas e fiquei surpresa ao perceber como fui engolida pela tua cidade. Reconheci prédios – vistos na TV. E quando, de pé, em plena Avenida Paulista, olhei para cima… me senti pequena. Vi as vaidades dos homens… e os invisíveis que em sua época, talvez, fossem outros. Em alguns momentos, não senti poesia… porque doeu ver os desiguais tão iguais. Eu os vi diferentes e meu olho vibrou na diversidade das pessoas nas ruas. Fiquei dias pensando na personagem andrógina, branquinha – até os cabelos – a caminhar em minha direção como se tivesse flutuando.

Ali, eu vi a poesia da Paulicéia desvairada. A segui com o olhar como se estivesse em um cortejo até desaparecer entre a multidão apressada.
Passei por uma multidão de homens de paletós que não me surpreendeu. Mas os desiguais…

A “cidade” das calçadas com suas lonas pretas – tão sem endereço, são sem lugar ou espaço numa cidade tão imensa. Como é possível?


Estive na biblioteca que leva o seu nome e, ali, de repente, eu era a menina da infância que sonhava em publicar livros. E, lá estava eu, com um livro meu em mãos… na Biblioteca Mário de Andrade.

E não era um sonho! Era realidade… E observei tudo. Da enorme estátua ao centro às pessoas rodeando as mesas – falando comigo. As vozes ecoavam no ar. Parecia sonho, Mário. Mas, ali, eu fazia parte do cortejo dos que escreviam, mesmo que no fim da fila.
Queria que soubesse que não vi os homens de São Paulo como macacos… vi asas
em alguns e dei pela falta delas em outros…

Vi medo, desilusão, desesperança, e vi amor. Mas vi sede de fé nas pessoas e acolhimentos em tantos…
Bem dentro dos meus olhos tão ricos de ver…
Vi apenas os homens, Mário… Apenas os homens!

Mariana Gouveia
*título retirado da canção Sampa, de Caetano Veloso

Afetos · Das palavras das cartas

de que são feitos os meus mapas…

o que me dói tem um nome que não obedece a mapas:
a memória é um tempo desavindo.

Rui Nunes

Eryck, menino…

dias desses lembrei-me de você como se ainda estivesse aqui e demorei horas para perceber que não… senti a melancolia me tocar como se fosse um toque de pena mesmo. Pena de tudo que não podemos rir juntos, chorar juntos e de nossos silêncios juntos nas poltronas azul desbotadas, no canto da cozinha do DSEI. Lembrei-me de nossas longas conversas no portal que nos unia e de sua reverência de sempre: Selvaaa!

Quando fui separar as tampinhas hoje, para o projeto dos cães, todas as nossas conversas vieram à tona. Traçamos um mapa na mesa e fomos colorindo os lugares… não! Minto. Você coloriu os lugares e era isso que você fazia sempre. Coloria os lugares por onde passava, mesmo que fosse só de passagem. Enchia de cor as pessoas que te conheciam e seus acenos para além da rua de cima me fazia ir embora para casa tranquila, após o fim de cada dia de trabalho.

Menino, menino – era assim que eu te chamava – e seu riso coloria os corredores e meus mapas tortos. A gente teve uma amizade tão genuína e adorável que nem precisávamos falar nada… o seu riso sapeca e a concordância com um menear de cabeça me dizia que pensávamos igual. O menino que cuidava dos dentes dos povos originários tinha o riso de uma criança quando chegava perto de mim. Isso me engrandecia em nossa amizade.

Hoje, percebi que a melancolia é essa insistência em viver esse vazio de você… acho que me perdi nos meus mapas, Eryck… as mensagens não têm mais a resposta com o sotaque que eu amava ouvir e dessa observância, o silêncio traduz a única rota que meu coração segue depois de você ter ido sem me dar a chance do último abraço.

Um dia, em nossos papos risonhos e amenos a gente falou sobre não estar aqui e você falou sobre um poema de Al Berto, que você havia visto em uma postagem antiga do meu blog:

Repara, através dos meus olhos descobrirás como é grande a tristeza do mundo. Apenas isso.
E quando aqui não estiveres, espetarei todas as facas que encontrar nas paredes febris da noite.
Talvez sangre dos pulsos.

Talvez te escreva
Talvez

e é isso que faço agora respondendo a pergunta sobre o colorido das tampinhas e do seu riso: de que são feitos meus mapas? Meus mapas são feitos de saudades, menino. Hoje, imensamente, de saudades de você.

Selvaaa!
Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Degraus

Foi descendo a escada, evitando despertar os degraus.

Lígia Fagundes Telles
Ciranda de Pedra

Bambina mia,

na rua de cima, quando me deparei com essa casa e seus degraus, lembrei-me de você. Não fosse só pelo projeto fotográfico, mas pelas casas que somem diariamente nas ruas de cima… essa casa, está abandonada há mais de 30 anos. Dizem que há uma briga por partilha de bens – essas coisas que os humanos adoram fazer – enquanto a casa que conheci logo que mudei para esse bairro, se desmancha aos meus olhos diariamente.

É até engraçado, bambina, enquanto alguns degraus vão se perdendo, outros são construídos. Esse, da foto acima, foi feito recentemente em uma ação de políticos. Liga a rua de cima com a avenida principal do meu bairro. Antes, ali, havia uma cerca de flores – o que eu preferia mil vezes – do que os degraus feitos de azulejos combinando e já causou várias quedas em dias de chuva. Não ganhou o efeito de ponto turístico que o tal político queria. É bonito, visto do outro lado da rua com as figuras dos cajus e viola de cocho, e só.

Por falar em ponto turístico, os degraus da igreja do Rosário ou São Benedito é o elo da fé dos cuiabanos e o santo. Hoje mesmo, tem a festa de encerramento da festa feita para o santo, mas não pude ir lá fotografar. A igreja é belíssima por dentro. Mas, como tem coisas que só acontecem aqui, a festa está acontecendo do lado de fora, por risco de desabamento. Ela faz parte do patrimônio histórico daqui, mas ninguém faz nada para mudar a situação.

Mas, sabe, bambina, consegui registrar a lavagem dos degraus dias atrás. É um culto à parte da festa de São Benedito, como preparação para os dias seguintes. Tem todo um simbolismo com a religiosidade e a limpeza não só da escadaria, mas também da cidade como um todo. Havia mais de mil pessoas entre cânticos, danças e ritos.

Eu ri tanto quando vi esses degraus, bambina, porque volta e meia a gente troca algumas canções francesas e eis que em cada degrau uma frase da canção de Piaf. Quase a ouvi cantando ali, num espaço “francês” para noivas. Não me deixaram chegar tão perto para fotografar melhor, mas lembrei de você e sorri.

E finalizo meus degraus com a flor quase a desabrochar… ela me leva à frase que iniciei essa missiva: Foi descendo a escada, evitando despertar os degraus. Parece que a flor sabe sobre o que a Lígia Fagundes Telles quis dizer. E é isso que também faço em um abraço silencioso no tuo cuore, para não despertar os degraus por aí.

Bacio
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:  Lunna Guedes, Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega –
Roseli Pedroso – Silvana Lopes

Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – leituras de outono…

Reparaste como o Outono este ano veio por outro lado, 
como se fosse pelo lado de dentro? 

Manuel António Pina

Bambina mia,

nunca um poema cantou tanto em minha pele como esse acima… acho que me perdi dentro das estações nos últimos tempos e quando dei por mim, respirava a estação preferida no lado de dentro – no cuore – e suspirei… e confesso que o que me salva são as leituras – e aleluia, já posso pausar meus olhos nas linhas dos livros ainda por ler.

Nas manhãs amenas, logo depois de varrer s folhas secas do pé de jurubeba e do ipê me atrevo a ficar em silêncio folheando as páginas dos livros meus e dos autores que amo. Gosto do cheiro que as folhas secas deixam depois de serem empurradas pela vassoura quintal afora, até encontrarem a pá… o chiado delas parecem confidências que só uma poesia poderia descrever e contrastam com o cheiro das páginas do livros.

E quando encontro uma folha bonita, pauso o tempo e o livro e te envio, para logo, ouvir seu riso ao receber meu áudio e foto… tem dia que te mando um quintal inteiro de folhas só para te “ver” em risos do outro lado da tela.

Sabe, bambina, a estação está diferente por aqui… e como você sabe, minhas manhãs parecem tudo dentro de outras estações – menos outono – e a pele já antecede o sentimento de um inverno seco que se aproxima. Claro que aqui eu poderia comentar sobre as mudanças climáticas e de como o tempo faz a moça do tempo daqui errar sempre a previsão, mas prefiro suspirar e esperar pela tarde que brinca com as folhas – que nuca consigo catar todas – com o vento.

Eu repito livros e fotos e palavras – você sabe – e leio poemas inúmeras vezes e cato as emoções das autoras para juntar com as minhas. Isso tem se tornado rotineiro… abro o livro, pego a xícara de café e vou sorvendo as palavras como se elas se tornassem minhas. Busquei suas palavras no verso do livro Caderno de alegrias e tristezas:


O telefone vibrou – anunciando notícias que não me interessam. Queria me afogar num verso. Morrer numa página qualquer… Soluçar um parágrafo bem escrito. Lembro-me de pensar ao ler:

“deveria enviar à Isabel : um texto sobre o medo de ler o que escrevo

Gargalho aqui e murmuro sozinha coisas que vêm de repente à cabeça…

Bambina do céu! Nem reparei que a noite chegou e com ela uma lua linda dentro do quadrante do meu quintal e os grilos que irritam o Buu por aqui fazem a farra. Acho que eles devem ter uma banda musical. Só pode! O cri cri cri é uma sinfonia só!

Sei que ultrapasso o limite do projeto ao enviar uma missiva, mas é uma maneira que encontrei de falar com você para além do aplicativo de mensagens, em cada dia 6 dos meses. As mãos já estão quase boas e logo os textos e poemas serão mais frequentes – eu espero – dentro dessa estação que nos abraça e de outras que estão por vir.

Abraço carinhoso
Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo: Lunna GuedesClaudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega –
Roseli Pedroso – Silvana Lopes

Afetos · Das palavras das cartas · infinitamente

Dos dias para além dos anos

Amor,

hoje você completa 60 anos. Percebi que mais da metade desses anos a gente está juntos.
Você sendo sempre meu norte, meu guia e apoio. Sou testemunha do homem divertido, sensível e apaixonante que você é.
Vejo a maturidade por trás do riso de menino, da gargalhada do homem, do silêncio quando está triste.
Eu viveria tudo de novo com você, acompanharia seus passos e te esperaria no portão todas as vezes que sair. Farei tudo isso ainda, de agora em diante.

Que os seus dias sejam inspiradores e renovados na fé que te acompanha.
Feliz aniversário 🎉
Te amo muito 💗

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas

Pai, mais um 1º de junho no calendário…

e mais uma vez te escrevo porque hoje seria seu aniversário e vim repetir nosso ritual de cartas – continuo seguindo alguns ainda, pai, mesmo sem você aqui.

Aqui, os dias passam ligeiro e muitas vezes me pego pensando que não te liguei durante a semana… deve ser a forma que o coração lida com a saudade.

Para não esquecer algumas coisas nossas, pai, eu enumero elas por emoções. Junho causa isso em mim com as lembranças da infância e sabe, pai, que em noites de insônia eu rememoro cada uma delas.

Depois de sua partida, eu passei a tentar entender o “paraíso” que imaginamos daqui e vou abusar dessa carta uma vezinha só, pai… tem um amigo querido que partiu recentemente, pai e se por acaso, em algumas das esquinas do lugar onde você está, encontrá-lo, pai, dá um abraço nele por mim. Ele atende pelo nome de Marco Antônio, mas você o reconhecerá pela gargalhada e os cães que o acompanham…

Ah, pai, esqueci de dizer que hoje também seria o aniversário dele e foi essa data que nos ligou tempos atrás e ele gosta de poesia, então, quem sabe você não declame para ele os cordéis que você gostava aqui. Dá até para fazer uma festa só para comemorar o dia de vocês dois.

Te amo sempre!
Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas · infinitamente

Carta à minha mãe.

A ausência é uma forma de inverno 
Luís Garcia Montero

Mãe,

mais uma vez te escrevo… hoje seria seu aniversário e nesses 43 anos de sua ausência há sempre essa sensação de falta, de vazio. O ipê floriu de novo e o pássaro de todo dia se encantou com as flores temporãs amarelas.

Sabe, mãe, nessa data fico memorizando os 8 de maio anteriores de sua partida. Era tudo tão simples e mágico que seus dias aqui duraram pouco. A gente se reunia em volta da mesa grande da cozinha e a festa acontecia entre risos e abraços. O bolo assado no forno de barro e as flores do cerrado formava o buquê – que era seu presente – e seus cabelos.

Ainda lembro de tantas coisas… ainda preciso de você tantas vezes. Já perguntei tanta coisa sem ter a resposta exata e a lembrança de quando você chamava meu nome no diminutivo me faz rir. Mas nunca te esqueci ou deixei de falar sobre a herança da arte que você deixou em mim para as pessoas e nunca deixei de escrever, mãe.

Fico imaginando como você seria com meu filho, com o homem que escolhi para viver e de como você seria hoje. Meus cabelos já branquearam e já vivi muito mais do que você… Os anos passam rápido demais, mãe…

Como seria o aniversário aí? Há festa? Fogueira? Há a expectativa de quem vem? Ainda tenho as mesmas perguntas lá da infância, mãe e isso, só vou saber quando te encontrar em algum outro plano. Nesse dia, entregarei todos os abraços que guardo aqui, no coração, a cada imagem linda que vejo que quero te mostrar.

Feliz Aniversário!
Um beijo,
Sua filha
Mariana

Afetos · Colcha de Retalhos · Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Caminhos literários.

Bambina mia,

Dizem que os livros são janelas para novas dimensões… e acho que essas novas dimensões nos levam para caminhos desconhecidos e pessoas que se aconchegam em nossas palavras… os meus livros seguiram caminhos feitos por tanta gente que resolvi te contar. Uns, voaram além mar e foram pousar em Portugal.

Ana Christelo, em Povoa de Varzim, Portugal.

Eu sempre desejei que minhas palavras ganhassem o mundo e que de alguma forma elas pudessem tocar os corações das pessoas. Daí, surgiu você e tuo menino em meus caminhos e deram vazão ao meu sonho. A cada mensagem que eu recebia de alguém que havia lido algo que eu escrevi era como se aquela menina que sempre quis ser contadora de histórias renascesse de novo dentro do mesmo sonho.

Foto feita pela Sandra Silva, em Porto, Portugal

Sabe, atravessar o oceano e caber nas mãos de alguém que a gente gosta e fazer com nossas palavras sintetizem o sentimento para além da poesia é algo magnífico. Devo colocar a culpa em você, que transformou as minhas palavras em livros? Que fez com que meus caminhos literários cruzassem o mundo?

Fotografia envida por Sandra Silva, de Paris

Estar ali, ao alcance das mãos, em uma estante mundo afora, junto com os outros livros preferidos de um leitor é tudo que alguém que escreve sonha. E a gente sabe, e já falamos muito sobre como é difícil enviar livros para fora do Brasil. Uma editora independente, então, fica inviável. Mas, quando de alguma forma isso se torna possível é lindo!

Fotografia enviada por Eduardo Moreira, Meda, Portugal.

Pena, bambina mia que sejam apenas seis fotos… e além de voarem para além dos oceanos, eles também couberam nas mãos e no coração de tanta gente aqui que nem cabem nas fotos. E claro que meus diversos caminhos e desvios atravessaram sentimentos dentro da poesia vivida e sentida.

Cinara Thaís, Cuiabá, MT

Falar sobre quem caminha com a gente através de um livro é como se a gente atravessasse a janela para a nova dimensão que citei lá no início dessa missiva. Algumas pessoas nos sabem tão bem que é como se já tivéssemos nos encontrado em algum canto de esquina, uma rua em um país distante, numa livraria… outras, passam a nos saber pela poesia, pelas cartas, pela história que contamos.

Suzana Martins, São Bernardo do Campo, SP.

Eu ficaria horas aqui, bambina, falando sobre livros, sobre pessoas que nos levam além de palavras e no cuore… Mas, ainda estou limitada às dores e o que me cabe aqui é agradecer… À você e ao tuo menino que voou para a imensidão, mas que deixou em mim um carinho do tamanho da saudade que sinto dele. Se meus livros ganharam vida além das folhas em papel e chegaram em tantas mãos mundo afora, as mãos dele e as tuas fizeram com arte o sonho se tornar realidade.

Grazie! Amo tu imenso!
Bacio

Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo: Lunna Guedes, Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega –
Roseli Pedroso – Silvana Lopes