Afetos · Lunna Guedes

O Tempo do Pouso e as Linhas de Sombra

Quando li seu texto, a palavra intermezzo ficou ecoando em mim quase como um mantra. A madrugada se exibe lá fora como se estivesse se despedindo, e o sabiá canta — no mesmo tom que ouvi aí, em um hostel da Vila Mariana — enquanto outro responde para além da rua de cima. Já te contei do morcego que vive aqui no quintal; é nessa hora que ele se integra ao espaço em voos rasantes e rouba o néctar do bebedouro do Chiquinho. Caminho descalça, como se com isso a energia da terra me coubesse inteira, e repito de novo a frase que se parece com você, acho que mais pela pronúncia do que por outra coisa. Acho lindo o som das letras se intercalando junto ao seu ritual de transbordamento de palavras e silêncios.

Acho que é nesse intervalo de tempo entre o amanhecer e o findar da madrugada que eu inexisto. Entre o canto do sabiá e o chilreio do Chiquinho, me desligo por alguns minutos. Inexistir temporariamente para o ruído do mundo não é abandono; é o recolhimento exato que o corpo pede antes de se sentar novamente diante da folha branca para ver a escrita romper o papel. Acho que de todos os ritos do meu lugar, esse seria o momento que quero te mostrar. Yoshi está em seu décimo quinto sono e a brisa mansa atiça as folhas do ipê; é como se, com isso tudo, o entorno acordasse para o dia. Lembro-me de que hoje é sábado, e aquela hora que você gosta passa por aqui entre tons lilases.

Fiquei pensando em sua meninice, que quase se atropela com as minhas lembranças. Eu era a filha do meio entre seis irmãos: três antes de mim e três depois de mim. Lembro-me de que a gente vivia com roupa de brincar e os filhos da vizinhança se juntavam a nós. Vez ou outra, eu emprestava meus olhos para a roca de fiar, e a maneira como minha mãe tingia os tecidos era alquimia pura. Também fui uma menina afeita às estripulias, com os joelhos marcados pela terra e os olhos atentos ao topo das árvores, muito antes de compreender que a literatura seria a minha verdadeira colina de vigia. O dia já se pronuncia por aqui e o tique-taque do relógio da sala se faz presente. Um cão ladra na rua de cima e Chiquinho vira quase um vulto no ipê.

Acho que o ipê se prepara para sua despedida de flores. Ele se mostra aqui, no meu lugar, como anunciador da primavera e, enquanto ela acontece, ele adormece até o ano que vem. Se bem que o meu aqui, volta e meia, se antecipa em flores temporãs — ainda não descobri o porquê. Mas ler sob sua copa me dá a mesma sensação desse compasso que te toca aí.

O cheiro do café da vizinhança me convida para colocar a água no fogo enquanto o lugar acorda. Acompanho os chilreios dos pássaros que chegam para sobrevoar por aqui e o céu avisa que o dia será quente mais uma vez. Enquanto bebo minha xícara de café, percebo que os nossos intermezzos são como sementes guardadas. Eles não precisam de palcos ou de justificativas acadêmicas para existirem; precisam apenas de silêncio e de pouso. Mergulho na leveza dessa manhã e começo o dia da faxina. Programo a lista musical que vai compor meu dia e permaneço à espera do instante exato em que a palavra decidirá, novamente, florescer.

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes

BEDA #31 – O voo: Certas Melancolias da Correspondência.

Composição artística em vista superior sobre uma toalha de renda branca, exibindo dois cartões postais — um com estampa de azulejos portugueses e outro com uma pintura vintage de paisagem —, uma ilustração em aquarela de flores azuis, uma borboleta artificial de asas vermelhas e pretas, um dado vermelho, uma pequena concha e duas moedas antigas de dois cruzeiros de 1945.

Bambina mia,

se você jogar a moeda para o alto, eu escolho coroa — porque a realeza deste agosto insano e quente esteve impressa em cada palavra artesanal que a gente teve a coragem de entregar ao papel. Ana C. tinha total razão: há nostalgias e certezas que só a correspondência é capaz de recuperar. Enquanto você equilibrava os seus dias nesse calendário imaginário em São Paulo, eu acompanhava os seus passos daqui do meu lugar, dividindo o som rouco da cafeteira, o canto do sabiá e a beleza de ver mais um ciclo se fechar. Trinta e um dias se passaram num sopro de vento, e se para alguns agosto teve a lentidão de noventa dias, para nós ele teve a intensidade exata de um voo que soube onde pousar.

Que alegria imensa ler que Lua de Papel (livro dois) finalmente encontrou a sua versão definitiva! Sei bem o peso e o afeto de reescrever uma centena de rascunhos, de diminuir capítulos e de brigar com as próprias linhas até que a obra ganhe a sua pele mais bonita. O fazer literário é esse café forte, expresso, que renova o colorido dos nossos lábios e nos obriga a encarar a realidade com um sorriso no rosto. Passamos o mês inteiro viajando de uma esquina a outra, sabendo que cada linha escrita cruzava os nossos 1.540 km de distância para inventar um porto seguro no lado de dentro das nossas páginas.

Agosto foi feito de ciclos aqui. Vento, calor, calor e fumaça, calor e aves, calor e crisálida, casulo, metamorfoses, ruptura e voos — dos mais intensos aos mais leves. A joaninha produziu uma ninhada de ovos e voou. O sanhaço-laranja veio em uma manhã mais fria e voou. O Chiquinho arranjou brigas no quintal e voou, e o bem-te-vi veio beber água e tomar seu banho rotineiro e voou. Mas sabe, bambina, acredito que o ciclo rompante e maior aconteceu do lado de dentro. Eu ouvi sua canção e a acrescentei na playlist que tem seu nome. Será mais uma que ouvirei e repetirei seu nome baixinho.

Amanhã será setembro, o dia seguinte a tudo o que fomos e tecemos juntas. A música já ressoa pelos cantos da casa nova e a gente devolve os livros para a prateleira com a certeza bonita de que as nossas asas continuam fortes. Ganhamos o céu, cara mia.

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas

BEDA #30 – O voo: O horizonte visto de outra perspectiva

Fotografia em plano médio da copa densa e imponente de um ipê-amarelo completamente florido com cachos dourados e vibrantes, contrastando contra um céu azul límpido e sem nuvens.

Luci,

Vi que você disse que, nos últimos tempos, tem visitado árvores e, quando vi esse pé de ipê para além da rua de cima, lembrei-me de você. Acho que isso é o que faz a vida ficar mais bonita. De longe, eu o avistei; seu dourado emoldurava a rua, e fui seguindo a cor até encontrá-lo. Lá estava ele, majestoso e imponente. Vi também sobre o pedaço da revista que você guardou. Percebi que se fosse eu a pessoa entrevistada pela revista e me perguntassem: “O que lhe faz genuinamente feliz?” — ah, Luci! Eu diria que era ouvir o barulho das abelhas e dos pássaros nas flores do ipê amarelo.

É como um presente dar flor, sabe? E já aconteceu comigo também. Ganhei uns potinhos de sementes e plantei, cuidei de tudo. Desde aguar a terra a conversar com os rebentos e, por fim, os botões surgiram. Até fotografei na época. É como você mesma disse, Luci: as coisas bonitas da vida não são as coisas. A gente sabe disso e apenas ri diante do vento. Ou de uma réstia de sol que rouba um pequeno rasgo da telha. Era onde a Lolla gostava de deitar, a quase um palmo do nariz dela. Hoje vi esse rasgo de novo e resolvi te escrever.

Você me mostra o horizonte sob outra perspectiva, Luci. Quando você diz que sua rua tem uma tristeza bonita, ou quando vejo a Celestine — que eu amo tanto sem conhecer. Eu também acho os postes das ruas feios, coitados. Falo baixo para eles não ouvirem, mas na madrugada, quando o vagalume do meu lugar passa por eles, mesmo sem gotas de chuva, eles parecem setas indicando caminhos para o céu.

Eu bebi chá de gengibre e limão para uma coisa que nem sei o que é, Luci. Achei lindo o seu chá de cardamomo e rosa. Mas aqui, o calor beira os 40º e lembro-me de que ainda é agosto. Às vezes, penso em você numa rua de agosto e lembro-me da fotografia do caminhão de repolho e você ali, musa, confiando em árvores, pombos e seguindo as regras do sindicato.

Ah, Luci, às vezes, a vida é como uma árvore vista da janela do trem.

Te amo!

Mariana Gouveia

Afetos · Das rotinas · Lunna Guedes

BEDA #29 – O voo: A Anatomia dos Sábados.

Fotografia em plano médio de um pássaro sanhaço-cinzento pousado sobre a corda de um varal de roupas, cercado por prendedores de madeira, tendo ao fundo um lençol com estampas florais azuis e verdes estendido sob a luz do sol.

Ler a anatomia dos seus sábados me fez olhar para o meu próprio quintal e perceber que a minha também tem os pássaros, o cheiro de roupa lavando na máquina, a música tocando no aplicativo, o banho no Yoshi, o quintal vivo entre as mais variadas asas e os prendedores segurando os lençóis e as roupas no varal. Sempre ligo a palavra sábado a você — talvez por causa de Aos sábados… — e passamos quase a manhã toda conversando entre uma mensagem e outra. Acontece a mesma coisa aqui também com o cão e o gato. Por aqui, os aromas se igualam no alho, e sábado — conforme a escolha do moço daqui — é sempre dia de comida “italiana”, na visão dele. A almôndega sendo preparada, tomates e pimentões para o molho, o manjericão colhido junto com a cebolinha e o arroz branco com purê de batatas… Não questione nunca esse rompante — mamma mia! — dele em querer estar perto ou junto das nossas conversas. Ai de mim! A cozinha, aos sábados — sábado sim, sábado não — é dele.

Acho lindo como você descreve o processo de escolher as palavras como quem escolhe frutas maduras no pé. Ver os pássaros festejando a próxima estação e sentir que estamos finalizando mais um ciclo dá uma sensação gostosa de dever cumprido. O BEDA está chegando ao fim, e perceber que a sua escrita — que começou na poesia e estacionou na prosa — continua tecendo pequenas histórias curtas é a certeza de que o voo valeu a pena. A realidade se refaz a cada amanhecer manso, e a gente se contenta com a beleza dessas paisagens que só a literatura nos permite revisitar. O quintal se transforma nesse portal onde atravessamos todos os dias. Aqui, a estação muda várias vezes por dia. É como se o calendário tivesse vontade própria. E assim, sábado caminha em seu curso e afazeres rotineiros.

As histórias curtas parecem até algumas que vivi aqui, no atravessar de nossas esquinas, em outros ontens que ficaram registrados na memória. É como se nossos passos passassem pelos mesmos caminhos em diferentes eras. Agosto já deixa apenas duas folhinhas no calendário da cozinha. Setembro logo acontecerá e agosto ficará em espera para o próximo ano. No final das contas, dar aos pés o colorido dos passos é aceitar que todo fim é também um recomeço. Se o horizonte agora é visto de outra perspectiva, a gente agradece a jornada, amarra as fitas de cetim nos nossos retalhos e segue voando alto, linha por linha, rumo à primavera.

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes

BEDA #27 – O voo: O Bordado Invisível do Tempo.

BEDA #27 – Uma resposta sobre rituais, receitas de bolo e o ritmo dos nossos dias.
Fotografia artística em plano detalhado mostrando uma borboleta da espécie Callicore, com asas pretas, vermelhas e amarelas, pousada sobre o tecido de uma calça jeans azul, bem ao lado de um detalhado ramo de flores coloridas bordadas à mão.

Nos últimos anos a nossa rotina se mantém a mesma: depois do passeio com os dogs — o meu aqui e o seu aí —, e até antes disso, a gente conversa. Brincamos que falamos de tudo. Desde os assuntos do momento, novelas, memes, aves, frutas, artes, música e bobagens… É como se fosse mesmo um ritual para eu começar o meu dia.

Hoje coloquei a água no fogo por aqui também. Fiz o chá azul de que você gosta e, quando a xícara esvaziou, a farfalla — como você diz — chegou e pousou na minha perna. Isso tem sido rotineiro aqui nas manhãs. Elas pousam e, depois de um tempo, alçam voo quintal afora, de flor em flor. Acontece também com os pássaros, insetos e outros bichos. Acredito que é na repetição sagrada dos pequenos gestos diários que a alma encontra chão para descansar. Chamar esses movimentos de rituais muda tudo: o som rouco da sua cafeteira, o sabiá laranjeira cantando por aqui, o perfume do café invadindo a casa e o sol mudando de lugar na parede deixam de ser obrigações e viram poesia pura. Entender e aceitar o ritmo do próprio cuore e dos passos é a maior sabedoria que a gente pode herdar da infância. Dividir isso com você tem sido prazeroso, confortante e feliz.

Conheço a sua cartografia dos bolos. O de fubá — que eu amo e conheço tão bem — é o causador da minha saudade de bolo. O de paçoquinha consegue ser sensorial, e o de laranja guarda a memória dos seus primeiros dias em São Paulo, batidos na vasilha nas noites de quinta-feira como quem tenta dar liga à própria vida. Daqui do meu lugar, eu te entendo perfeitamente. Para quem escreve, a rotina não nos tranca; ela nos liberta. É o porto seguro que nos permite abrir as asas e voar na contramão de um mundo que vive sem respiração prévia. Mudar o dia do bolo é a nossa única transgressão possível. Eu bordo os tecidos aqui, e você costura com fitas de cetim as páginas dos livros.

No fim das contas, a nossa escrita também é esse bordado invisível que o tempo faz na pele-alma. Se o mundo lá fora se contorce com a pressa, a gente senta à mesa, degusta nossas pessoas-personagens e saboreia cada pequeno gole de permanência. O voo só é bonito porque a gente sabe exatamente onde fica o ninho.

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas

BEDA #26 – O voo: A cidade que nasce da escrita

Lunna,
eu poderia dizer que escrevo essa missiva — como você gosta de chamar — para a Scenarium. Poderia também endereçá-la para você e para o Marco. Hoje é dia da Scenarium e abro o meu baú de memórias com uma xícara de café em mãos, enquanto percorro a geografia da cidade que nasceu da minha escrita. Enquanto você cita Cartagena, eu cito os caminhos e as ruas que a Scenarium me permitiu e me permite percorrer. Você tem toda razão: um lugar só ganha alma e se transforma em cidade quando passa pelo filtro das nossas narrativas mais agudas e lineares. Comigo, o seu filtro me guiou como se traçasse um mapa, e fui seguindo por ele, fazendo-me escritora.

A cada livro publicado, a poesia ganhou formas entre as minhas palavras e a sua edição. Eu encontrei o meu verdadeiro solo literário em um cenário muito específico, que hoje celebra o seu aniversário: a Scenarium. Foi ela a cidade que me acolheu quando eu ainda guardava minhas primeiras linhas em um baú; o lugar que abriu as portas para as minhas palavras e ideias, transformando rascunhos em livros palpáveis e cheios de alma. A Scenarium não apenas emoldurou a escritora que sou, mas pavimentou as minhas ruas internas com um afeto que vai muito além das letras e dos papéis. É ali, naquele fazer artesanal e cúmplice, que dou o meu primeiro movimento em direção ao sol.

E não foi só em relação à escrita que a Scenarium passou a fazer parte de mim. Atrás da editora, havia duas pessoas que estavam sempre de mãos estendidas, funcionando como setas para que eu escolhesse o melhor caminho, dando-me direções, evitando que eu tropeçasse e servindo de conforto nos momentos mais difíceis. Hoje, falta o Marco e a sua gargalhada estrondosa — esse signore gentil que distribuía sorrisos e afetos.

Se a Scenarium se transformou na minha “cidade”, é porque o afeto me moldou na pessoa que sou dentro da escrita. Cheguei simplesmente uma crisálida e fui me transformando aos poucos na mulher que voa e alcança pessoas para além das minhas palavras. Ver a arte sendo espalhada entre fitas, papel e letras, com a leveza de quem entrega momentos, nos faz perceber que quem recebe o pacote contendo um livro em mãos apenas se oferece como pouso para esse nosso encanto em voos.

Parabéns à Scenarium por ser o nosso porto seguro e o ponto de partida para tantas asas.

Bacio,
Mariana Gouveia

Afetos · Das rotinas · Literatura

BEDA #23 – A ruptura: O Plantador de Sorrisos

Sobre a perseverança das sementes e o pomar que mora no afeto.

Faz tempo que eu queria te contar essa história: Era uma vez um homem que mudou um lugar inteiro, tudo por conta da perseverança de uma semente. Conheci um homem que distribuía sorrisos para as pessoas e que, de repente, virou um espalhador de sementes. Ele não sabia que dentro de uma pequena semente cabia um pomar inteiro. Certo dia, pela estrada, ele encontrou um vendedor de frutas — dessas barracas que ficam montadas na beira da rodovia, vendendo suas frutas em uma banca. Ele parou o carro e comprou umas tangerinas tão doces, mas tão doces, que ele se encantou tanto pela fruta quanto pela semente. Colocou os grãozinhos no bolso e seguiu o seu caminho.

Tempos depois, em seu local de trabalho, ele percebeu as sementes esquecidas ali. Lembrou-se da fruta de que tinha gostado tanto. Havia um espaço de terra nos fundos do quintal do local onde faço minha fisioterapia e, ali, aquele dentista plantou a semente. De vez em quando a regava e, para sua alegria, tempos depois surgiram as primeiras folhas. A plantinha passou a ser o motivo de sua visita diária; ele cantava para ela quando chegava para trabalhar ou, pelo menos, duas vezes na semana. Generosamente, levava um copo com água e molhava a pequena planta, que crescia a cada dia.

E de repente, a semente rompe a casca e germina. O moço que planta sementes também espalha sorrisos ao cuidar dos dentes dos clientes ali. Para seu espanto, dentro de alguns meses o pé foi crescendo, crescendo… Mesmo quando uma árvore que repousava perto foi podada e descartada, o pezinho resistiu ali, sozinho, apenas com as ervas daninhas ao seu redor. Foi assim que eu me encantei por aquele pé de mexerica — que é como eu conheço a fruta. Resiliente e soberano.

Um dia, ele me pegou conversando com aquela árvore e me contou a história da semente. Eu disse que ele era um plantador. Ele brincou e respondeu: “Não, eu apenas distribuo sorrisos para as pessoas”. Mal sabe ele que o universo inteiro de um pomar pode caber num grão.

A árvore se agiganta a cada dia mais. E embora ele não soubesse, aquele homem espalhou um pomar inteiro no seu local de trabalho com um aperto de mão, um aceno de cabeça e a alegria de sempre. Além de plantar sementes, ele também é um plantador de sorrisos. E eu tenho certeza de que, logo, aquela pequena semente plantada ali dará os frutos mais doces.

Mariana Gouveia

das coisas breves

extratos I

# extratos I

Afinal, há coincidências.
falo isso por causa dos girassóis…

E aprendi palavras novas e sabores intensos
ementa…

bebida servida aos goles de sol
e minha voz te procura
e tua risada me sacia

um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer coisa extraordinária.
Qualquer palavra vira mimo.
Qualquer segredo vira poema
qualquer rosto vira o seu.

Sobressalto a cada toque da alma
e aprendi a desenhar teu nome nos vidros das janelas dos ônibus
(hoje, desenho corações que é uma beleza!)
a conversar sozinha chamando teu nome.

Afinal, há coincidências.
Dessas de ver coração em tudo que é flor.

Mariana Gouveia