Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Meus Livros · Projeto Fotográfico 6 on 6

6 on 6 – escrito por uma dama

Bambina mia,

de onde venho a palavra dama tinha outro sentido. Talvez seja aquele mais antigo, cheio do charme do interior… por isso, talvez, meu questionamento em dizer o que a editora pensou ao citar a palavra dama. Eu acho que caberia mais a palavra mulher e suas nuances. A mulher e sua escrita aguerrida, a mulher e sua luta diária. Mas, já que falamos sobre escritos vou me ater aos escritos – por uma dama – E claro, que em minha lista você e seu clássico Lua de Papel em sua trilogia ocupa um espaço único. Ah, tá!… você vai dizer que sou suspeita e sou! assumo-me fã dessa trilogia e as mulheres que você retrata nelas.

Minha menina nuvem Suzana Martins e seu InverSus é esse arrancar de pele, de se desnudar e eu sou muito babona nela. Suspeita? Totalmente! E cabe inteiramente dentro do mio cuore.

Faço reverências todas as vezes que leio Rozana Gastaldi Cominal. Ela é maravilhosa e nos alcança com seus escritos vorazes. Retrata a mulher em seus mais variados jeitos.

Katia é essa explosão! Labareda. um UAU dito em voz alta e entre suspiro… E você sabe de meu começo de história com Katia Castañeda. Para mim, mais do que o olho de admiração, vem o fogo de seus escritos. É de arrepiar a pele e de queimar a alma.

E confesso, bambina, que quando leio Adriana Aneli eu sinto o sabor do espresso saindo da cafeteira mesmo sendo outro livro dela que esteja lendo. A escrita é saborosa e degustativa. Por falar nisso, vamos tomar café?

E para não dizer que não falei de damas para além das escritoras da Scenarium nem vou dizer nada sobre a escrita de Jane Austen, porque foi através de você que me vi debruçada nos escritos dela. Portanto, isso é culpa sua!

Claro que faltaram mulheres fabulosas da Scenarium e outras mais. Porém, em seis fotos eu só consegui absorver e sorver em instante o que me inspiro em você. Daqui a dois dias o mundo falará do dia internacional das mulheres. E depois disso, a roda do tempo girará até o próximo dia 08 de março e essas mulheres bravias terão sempre escritos para me inspirar dentro de minha forma de dama, “quase” recatada e do lar.

Bacio,
Mariana Gouveia
Participam deste ptojeto: Claudia Leonardi – Lunna Guedes – Silvana Lopes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

09 – sombras dançarinas ondulavam pelas paredes

Minha menina nuvem,

eu queria tanto estar aí, mesmo que em silêncio, no cantinho dos cães para calar meu desconforto nesses dias. Acho que seria meu refúgio – daqueles que a gente tem na infância – que me acalmaria ou me deixaria nessa luxúria da solidão.

Ontem, quando cheguei, havia um casulo no batente da porta, Su! Já imaginou isso? Deixei a porta sem fechar e me enchi de coragem para atravessar a noite e vigiar para Yoshi não passar por ali. Você, talvez diria: não, Mari, tu não fez isso! E eu diria, que sim! E devo confessar, Su, que as sombras dançarinas pela manhã, marcavam a parede com as asas de quem se libertou.

Como você, eu também gosto dos detalhes e mesmo já estando acostumada ver borboletas parir em meu quintal, eu vibrei vendo a madrugada se desenhando no céu…

Sou canceriana, Su – tu sabes – mas fujo do convencional de choros, de lamentos, inerente ao signo… mas, o destino ou sei lá o que foi bateu duro e em alguns momentos é preciso suspirar e encarar o que não pode ser mudado.

Como se muda o nascer e morrer de alguém? Quem entende a natureza das coisas? Como eu acredito em tudo que é força do universo, Su, apenas acato aquilo que é natural, mesmo não sendo ao meu coração.

Antes de encerrar essa carta em que te abraço e agradeço e te mostro o quanto a vida me é generosa, a parede se desenha em asas e com ela te sopro ventos de amor e alguma nuvem dissipará qualquer sombra em teu caminhar.

Mesmo porque, Su, a vida continua nascendo em meu quintal e as nuvens também e meu pai diria: a vida continua e os nascimentos não podem parar porque o mundo pararia.

Beijo,

Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

PS: Ah, esqueci de colocar a nuvem da minha noite quando chamei seu nome no quintal.

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Cabe fevereiro em um dia inteiro

Meu ser fóssil
pulsante
sedimentar
tectônico
entalhado na rocha
arrancado da litosfera
marcado no tempo
prestes a eclodir
na imensidão geográfica
da crosta terrestre


Suzana Martins

Su, minha menina nuvem

te escrevo na intimidade das horas logo depois da chuva que se formou para os lados do sul. Para meu espanto, o jardim gotejou, as flores do ipê se rebelaram e caíram todas de uma vez, formando um tapete amarelo molhado.

Enquanto eu ainda secava a água da varanda o céu me chamou como se quisesse que eu visse algo ali, para além dos muros. Um arco-íris lindo se desenhou e fevereiro coube intenso dentro de um dia. Corri para rua e ali comecei a escrever mentalmente essa carta para você.

Você acredita em coincidências, Su? Confesso que quase não acredito. Acho que sempre há um porquê das coisas acontecerem. Mas a minha alma de escritora se espanta com a singeleza que o destino me traz na palma da mão. Te perguntei sobre as coincidências porque justamente quando eu comecei a te escrever vi sua mensagem e seu arco-íris na janela do WhatsApp…

Ph: Suzana Martins

Sabe, Su, uma fotografia apenas não te mostra esse céu que me encanta por aqui. fevereiro aqui passou como um relâmpago e houve tantos dias dentro de um mesmo dia por aqui, além das trovoadas. .. mas também teve dias em que as nuvens pareciam feitas de algodão. E hoje foi um dia em que aconteceu de tudo no meu lugar.

Agora mesmo, Su, enquanto finalizo minha carta, o céu parece de outro mundo. E já há uma lua em seu quarto crescente. E o arco-íris se derreteu como se com isso formasse um elo entre eu e você.

Sou grata por você em minha vida!
abraço carinhoso ❤

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Beda – Carta para a menina nuvem

Versos. Rimas.
Palavras distraídas.
Submersa. Dispersa.
Um poema rasgado
despedindo-se do papel.
Suzana Martins

Minha menina nuvem,

Confesso que nem me lembro quando comecei a gostar de você, mas sei que quando percebi já estava cheia de carinho e te nomeei minha menina nuvem. Depois disso, já tomei posse dessa amizade e cá estou eu a te escrever.

Sabe, Su, desde menina fui-sou apaixonada por nuvens. Você precisa ver o céu do meu lugar! Eu fico horas olhando para ele e dependendo do dia vejo figuras que parecem saídas de um livro… já vi asas de anjo, corações, nomes, palavras de cartas e letras. Vai me dizer que o céu não quis escrever seu nome aí?

E hoje, Su… o céu desenhou o S como se fosse uma estrada e fiquei lembrando do nosso carinho e de como meu abraço alcança também quem você ama… e se eu te disser que, às vezes, bem às vezes mesmo, o universo conversa comigo?

Mas, não lembro de você só quando surgem as nuvens… lembro de você também quando a poesia me alcança para além dos olhos e lembro da sua risada. Nessa hora, lembro-me de que a poesia tem som… sua voz ecoando poemas é de aconchegar o coração.

Há um antes e depois nessa carta, Su… o antes – a menina nuvem – e o depois – a menina marítima – porque te vejo de pé na areia, cheirando a sal e com sua poesia espalhando ondas. Te vejo água e abraço no seu amor e isso, de alguma forma, me toca.

mas, também gosto da artista que se desdobra e milita. Gosto das nuances e de como os caminhos ligam os iguais. Eu gosto imenso da mulher que se apresenta em tudo que faz e gosto de todos os Inversos que sua poesia provoca em mim…

Posso dizer que em muitas vezes, eu apenas suspiro e digo: uau!!! E uso todas as exclamações que tenho direito. Em outras, eu apenas me silencio e te reverencio… de todas as maneiras sua poesia me abraça e me aconchega. Muitas vezes, me tira o ar e em todas as vezes, me arrebata para além das nuvens da minha menina nuvem.

Grata por tanto!

Mariana Gouveia
Agosto é o mês de ver desenhos em nuvens e de Beda.
Participam junto comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega  – Mãe Literatura –  Suzana Martins – 
Roseli Pedroso