Afetos · Colheita · Das rotinas · Literatura · Lunna Guedes

BEDA #28 – O voo: Pequenos Goles de Permanência.

Perguntar-me o que ando lendo por aqui é abrir as portas do meu próprio refúgio de papel. Neste mês, entre um rascunho e outro, minhas manhãs também foram povoadas por versos e prosas que chegaram sem pedir licença, acomodando-se na mesa do quintal ao lado das folhas que caem. Agosto está quente e seco e entre um bordado e a rotina, pausei aqui para saborear o vento debaixo do pé de ipê. Esse mês eu estive muito Scenarium. Aliás, acho que nos últimos meses eu só li os livros da Scenarium. Alguns, foram relidos e absorvidos. A Colheita é meu favorito. Casa Cheia me trouxe uma avalanche de saudades e Roteiros Imaginários – delicioso – acompanhou uma parte das minhas tardes. Mulher Proibida, Casa de Marimbondo eu já tinha lido, mas vieram parar em minhas mãos em uma dessas limpezas e fiquei por um tempo relendo. Nem Sempre à Lápis e uma ressalva para Delírios Comunista que continua atuante diante dos delírios dos últimos tempos (?) ou nada mudou mesmo?

Antes me incomodava deixar um livro à minha espera, como se me cobrasse para finalizar o que comecei. Talvez pela fome intensa de ler. Mas, me rebelei com eles. O tempo-vida é curto demais para insistirmos em páginas que não conversam com o nosso silêncio. Deixar a mão percorrer as lombadas na prateleira e escolher pelo tato, enquanto a água do chá esquenta, transforma o ato de ler em um verdadeiro pacto de presença. Fiquei acompanhando os seus passos curtos em direção à cozinha, virando as páginas de Peixoto ou Pizarnik, e pensando no quanto a literatura nos dá esse poder de desacelerar as horas para degustar o mundo em pequenos goles.

Você sabe que amo Reticências. Tenho os dois exemplares que já separei para quando setembro chegar. Achei lindo o anúncio da volta de Reticências. Adoro essas repaginadas que você faz. Ver os livros que amamos ganhando novos voos e circulando pelos olhos de outros leitores dá um sentido imenso a esse nosso agosto.

No final das contas, ler na contramão das listas de mais vendidos é a nossa forma de dar as cartas no tabuleiro do tempo. Se as prateleiras do mundo estão cheias de urgências frias, a gente escolhe a nossa xícara, abre as asas e mergulha no infinito de uma página que teima em nos salvar.

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Em busca da manhã que se foi embora.

A manhã se foi faz tempo e, agora, uma tarde barulhenta acontece aqui fora. Trago comigo seu livro Vermelho por Dentro. Senti vontade de folhear e revisitar essa trama mais uma vez; quase a sei de cor, de tanto que a li.

Coloquei a canção para tocar e vivenciar esse momento é como ser levada pelas mãos para dentro das páginas e da cor. É como se Paris estivesse bem ali na esquina. Vou seguindo as personagens com a deliciosa sensação de um voyeur.

Gosto muito da trajetória de Eva e Deborah. Admiro a intensidade de Deborah, mas confesso que sou apaixonada por Anne. Talvez a paixão compartilhada pela fotografia tenha nos unido. Novamente me vi envolvida pelo enredo, com o frescor de quem lê tudo pela primeira vez.

[…]

Ele espera pelo último minuto e, com sua voz de menino-homem,
sussurra em seu ouvido:
— Passa o resto da sua vida comigo?
E nada mais teve importância.
A tarde caiu e o sol adormeceu no poente.

[…]

Depois disso, não é a manhã que eu busco, mas sim a permanência dessa sensação de déjà vu.

Mariana Gouveia

Afetos · Lua de Papel · Lunna Guedes · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Aflição de ser eu — e não ser outra…

Quando li Lua de Papel me encantei pela Alexandra. Talvez seja porque a reconheci em outra pessoa não tão simples como ela, nem nascida em Teodoro ou algo similar, mas com outro nome e outro sotaque que não o do interior. Porém, com as mesmas inseguranças e medos.

A conheci em um século passado, em um site de fotografia. Me encantei com as nuances arquitetônicas dela e ela se encantou pela natureza peculiar em minhas fotos. Depois foram as leituras que nos fez aproximarmos. Ela amava Pessoas e suas tantas pessoas e eu Cesariny e assim, a rua de cima se transformou em além mar. O oceano era logo ali. Com outro nome que não Alexandra, se desenhou em palavras que nunca seria porque temia o que o outro fosse pensar.

Dizia-se dona de seu destino, mas atrevia a ceder a decisão para a mãe e irmãs. Quando atravessou o oceano, quase a contragosto dos seus se apaixonou pelo meu lugar, mas estranhou a riqueza do simples. Era tudo tão exótico e natural. Saiu a fotografar meu mundo e se espantou com os dias felizes. Queria ditar regras, normas que ela mesma não seguia… se perdeu em um coração cheio de cicatrizes e exigiu um lugar que acabou perdendo. Queria café e sol. Chuva e o frio que nunca havia existido aqui.

Quando lia Alexandra me espantei com as escolhas que eu já sabia quais seriam antes mesmo de terminar o livro e já sabia que o final seria o mesmo que a insegurança a fazia normal, diferentemente das certezas que declamava de própria boca. Cobrou um amor que nunca deu, mesmo o achando o mais bonito do mundo e a culpa de nunca se encontrar foi colocada em mim, como uma vestimenta que incomoda e machuca.

Assim como surgiu, desapareceu, igual a uma personagem de livro que some quando fechamos o livro. Ficaram só as fotografias de um tempo que parece que nem aconteceu. Parece história de livro, contada depois apenas como memória e que só de vez em quando é lembrada quando limpamos a estante onde os livros dormem.

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Amanhã é dos loucos de hoje…

9, junho,

O sol amanheceu ofuscado por uma névoa e a manhã aconteceu fria. Fiquei pensando depois de ler seu texto sobre as bibliotecas e a pergunta que você ouviu por aí: Para que ainda existem bibliotecas? Não tive tantas bibliotecas em minha vida… e as poucas eram de uma simplicidade que eu confundia com as prateleiras da minha casa – que tinham mais livros do que pratos – de onde a maioria do livros havia saído da nossa casa, dos livros que ganhávamos. Eu já conhecia todos os exemplares e enquanto para os meninos da região as figuras eram mais importantes, incluindo meus irmãos, eu queria ler histórias. Na pequena cidade, na região que nasci-cresci-vivi até os 11 anos a escola tinha uma sala que comportava uma mesa, quatro cadeiras e algumas poucas prateleiras de livros tão antigos, que alguns se desmanchavam quando eram tocados. Quando eu cheguei em Cuiabá, a minha primeira procura por biblioteca foi na escola onde fui matriculada… Uma sala ampla, com prateleiras de alumínio, e muitos livros, numa desordem que talvez só a moça que cuidava da sala soubesse organizar… haviam vários livros empoeirados. Ela disse que quase ninguém entrava ali e a sala se tornou meu refúgio preferido. Passava horas lendo entre uma fileira de livros quando podia ou quando uma aula fosse cancelada por algum motivo. O mais engraçado é que a primeira biblioteca grande que fui me causou espanto porque os livros eram difíceis de pegar… não havia escadas e as prateleiras eram enormes. O senhor que cuidava daquela biblioteca tomava conta do acervo mais do que de qualquer outra coisa. Contava os anos que passava dentro daquela sala e que seus dias vividos ali dariam um livro. As fileiras iam quase até o teto e ele puxava um fio, onde descia exatamente o livro que a gente pedia. O casarão antigo parecia mais um palácio e assim era seu nome: Palácio da Instrução e suas prateleiras enormes, preenchidas de alto a baixo com os mais variados livros e meus olhos procuravam os títulos deles e me arrepiava quando via algum que queria ler. É estranho como a biblioteca lá da minha infância feita de caixotes de frutas, com suas prateleiras de tábuas mudou a pessoa, a leitora e a escritora que eu sou. A paixão pelos livros nunca mudou e já me peguei também várias vezes olhando as prateleiras por trás das reportagens de algum entrevistado na TV só para saber o nome ou a capa do livro atrás dele e dentro do ônibus meu olho procura ver a capa se algum pessoa estiver lendo, o que se tornou mais raro hoje em dia. O fato é que as bibliotecas são lugares de conhecimento e embora em sua grande maioria tenham mudado a forma de pesquisas e estudos ainda existem lugares como onde eu nasci levando aprendizados e sonhos, e algumas prateleiras ainda são feitas de tábuas e caixotes.

Mariana Gouveia

Colheita · Scenarium Livros Artesanais

Ao semear,

cantava e seguia o rito das águas
A terra – em alguns períodos era árida

Molhava os dedos com a língua
… e ia jardim afora florir
a flor absurda do prazer.

Mariana Gouveia
in, Colheita
Scenarium Livros Artesanais
Ph: Pinterest

Divã · O lado de dentro

Exato

Exato
De fato,
o corpo briga,
a vontade chega.

Retrato,
de 3×4
na semana inteira.

Me cato,
restos de pratos na minha cabeceira.

Passei a noite deliciando sonhos…
Exato.

Meu pensamento te trouxe até aqui,
barato,
amor e vinho, uma música em mim.

Extrato
de essência pura,
de uma flor madura,
diria, se não fosse indizível,
eu diria sim…

Saberia
o gosto doce que provoca em mim.

Recato,
olhos pra mãos e penso em tato.
Chego a sentir o amor no ato
e fim

Mariana Gouveia –
Poema do livro O Lado de Dentro – Scenarium Plural Editora
*fotografia: Manel García

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Meus Livros · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Lombada de livros

Há coisas bonitas nesta vida; como café e livro, ou como a chuva, por exemplo…
(Páginas Vivas)

Bambina mia,

Quando vejo na TV, alguém sendo entrevistado, e ao fundo prateleiras com livros, fico curiosa e meus olhos se voltam para as lombadas dos livros para saber o nome dos livros. Acho até que já falamos sobre isso e sei que você também faz o mesmo.

O tema lombada de livros me pegou de jeito. Tenho cerca de 300 livros, mas os quais em sua maioria são os livros artesanais da Scenarium, que não possuem a famosa lombada, por ser um projeto artesanal.

Por isso, recorri-me aos poucos livros com suas lombadas e claro, atrevi-me também a ignorar as lombadas em algumas fotos. Já peço desculpas antecipadamente, porque ainda são 17:03 aqui.

Chove nessa tarde ligeira e ouço trovões logo ali, para além da rua de cima e os relâmpagos rasgam o céu. Fiz um chá azul e sei que você também gosta. Há um certo clima vintage aqui, não sei bem porque.

tenho uma estante preparada para os livros da Scenarium e os outros livros, deixo-os ao longo dos caixotes onde espalho minhas quinquilharias. Acho que já te mostrei isso também em alguma chamada de vídeo.

Assustei-me logo cedo quando falamos sobre o 6 on 6… já é março, bambina e os dias rompem ligeiros como se corressem para chegar a algum lugar. Logo será o outono – sua estação preferida – e eu confundi que era agora. Acho que até meu quintal se confundiu. As folhas do ipê estão caindo e as da fadinha azul também.

Foi aqui, bambina, que abusei da tal lombada… espalhei alguns dos livros no chão da varanda, porque na estante deles os nomes não apareceriam. Às vezes, eu faço isso para separá-los por ordem… mas, você sabe que a gente sempre deixa um aqui e ali…

A noite chegou mais cedo e os trovões parecem concerto de rock… o céu está bravio e a notificação da defesa civil me assusta mais uma vez. Yoshi se afunda na almofada dele enquanto tomo mais um gole do chá. Aceita?

Bacio,

Grazie!
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:  Lunna Guedes, Claudia Leonardi – Silvana Lopes Obdúlio Numes Ortega

Afetos · Lunna Guedes · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Onde tenho o meu pensamento que me dói estar sem ele

Sempre respondo a pergunta de como e porquê me tornei escritora e qual é a sensação de escrever um livro. Claro que a influência de minha mãe – que amava livros – cabe nas minhas respostas. Desde pequena, eu e meus irmãos fomos incentivados a ler por ela. No meio de sete crianças, era natural que algum ou outro não morresse de amor pelos livros. Um seguiu outro tipo de arte, outras, partiram para o artesanato.

Quando li seu texto de hoje sobre livros e escritores, as lembranças me levaram até meu pai. Talvez, minha maior inspiração era os causos que ele contava e eu nem tenha me dado conta disso, porque lá no início da minha escrita, ainda criança, queria ser contadora de histórias, como ele. É o que acaba se tornando um escritor… um contador de histórias.

Enchi cadernos e mais cadernos de causos que eu queria contar e dizia que se eu tivesse pelo menos um expectador para ouvir, já estava de bom tamanho. Como eu havia crescido em uma fazenda, minhas histórias envolvia a natureza, os bichos, os homens do lugar, até que surgiu o primeiro amor, a mudança para a cidade grande. Foi quando caiu em minhas mãos a vivência de Maria – minha personagem do meu primeiro romance Corredores – codinome: loucura.

Meu pai ainda viu meus sete livros serem lançados, no formato tão cheio de ternura que eu nem poderia imaginar. Um livro artesanal, costurado com fitas de cetim, com toda dedicação de sua curadoria e do Marco Antônio, que deixa em mim tanto afeto e saudades. Tenho certeza de que cada leitor que recebeu em mãos um desses livros teve o mesmo brilho nos olhos que meu pai, mesmo que nos últimos lançados, ele quase não entendia o que a gente lia.

Ainda tenho algumas histórias para contar. Ainda quero tocar o coração de quem me lê e sendo repetitiva, ainda quero que você edite as minhas palavras com a mesma emoção com que toca minha alma e me alcança todos os dias em causos onde a gente ri, chora e nos cruzamos entre quintais, esquinas, luas, tempestades e sóis.

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Meus Livros · Projeto Fotográfico 6 on 6

6 on 6 – Seis livros e uma xícara de chá.

Bambina mia,

Ainda ontem te convidei para uma xícara de chá e relatei meu ritual com as xícaras. Não me lembro se te contei sobre a importância do chá na minha vida. Aprendi desde cedo a providenciar o rito do chá, claro que sob os cuidados de bá e da minha mãe, por isso, quando chegou até mim o tema eu me animei para a preparação. O livro sempre é companhia para a xícara de chá de fumega ao lado, enquanto lá fora chove ou venta.

Atrevi-me a fazer os chás terapêuticos devido a uma gripe forte que me deixou de cama nesse início de ano. Coloquei em infusão as rosas amarelas – ricas em vitamina C e um antioxidante natural – e adocei com mel. A rosa amarela tem outras propriedades medicinais, mas eu me alongaria muito aqui para nomear todas.

Enquanto a manhã acontecia recorri ao chá de gengibre, cravo e canela. É anti-inflamatório e o combinado dos itens também ajuda no controle da glicemia. Optei pelo gengibre fresco e o aroma invadiu minha cozinha. Sabe, bambina, me trouxe lembranças da infância e do bolo de puba servido com esse chá.

A minha mãe tinha todo um aparato para os chás. As xícaras de porcelanas e os bules acompanhando as xícaras. Eram presentes de casamento. O caldeirão de água ficava o tempo todo em cima do fogão de lenha, já fervente. Mas eu, só tenho xícaras avulsas de minha coleção, e algumas possui o pires combinando. Nessa foto, o chá foi feita de erva cidreira, fresquinha, colhida do pé no quintal. É a melissa – outro nome chic dela – e suas propriedades vai desde calmante, analgésicas e anti-inflamatórias.

E para combinar com o livro Linhas, rabiscos e borrões em azul o meu preferido chá azul. Feito com as flores da Clitória Tematea… além de lindo, é muito gostoso. Com propriedades que melhoram desde a circulação, controle de glicemia, colesterol e o que torna ele mais legal, além do colorido, é que pode ser tomado gelado.

E claro que combinado com flores de alfavaca o chá fica mais gostoso ainda. Alfavaca que muitos chamam de manjericão de folhas largas e deixa a cozinha com seu aroma delicioso. Um dos pontos chaves dessa mistura é a ação antimicrobiana. De resto, é aproveitar a leitura e o chá.

Gosto de acrescentar ao chá de canela e cravo cascas de maçã. Alivia a tensão e ajuda na circulação e controle de glicemia. Porém, deixo claro que faço uso desses chás aqui desde pequena. Mas do que servir como medicamento, é necessário ter conhecimento de que você tomar alguns deles. A minha variedade de chás é grande e faço uso deles ao ler um livro, antes de deitar e sempre que sinto vontade. A preparação para mim se transforma em poesia.

Sei que te convidei para um chá, bambina e trouxe aqui um apanhado de minhas experiências e sobre a preparação, assim como algumas dicas para quem vier ler essa missiva… Além de saborear esse líquido com livros em mãos, o melhor mesmo foi sua companhia.

Grazie!
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:  Lunna Guedes, Claudia Leonardi – Silvana Lopes
Ps: para quem tiver interesse há muito mais sobre chás aqui

Afetos · Colcha de Retalhos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Meus Livros · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Caminhos literários.

Bambina mia,

Dizem que os livros são janelas para novas dimensões… e acho que essas novas dimensões nos levam para caminhos desconhecidos e pessoas que se aconchegam em nossas palavras… os meus livros seguiram caminhos feitos por tanta gente que resolvi te contar. Uns, voaram além mar e foram pousar em Portugal.

Ana Christelo, em Povoa de Varzim, Portugal.

Eu sempre desejei que minhas palavras ganhassem o mundo e que de alguma forma elas pudessem tocar os corações das pessoas. Daí, surgiu você e tuo menino em meus caminhos e deram vazão ao meu sonho. A cada mensagem que eu recebia de alguém que havia lido algo que eu escrevi era como se aquela menina que sempre quis ser contadora de histórias renascesse de novo dentro do mesmo sonho.

Foto feita pela Sandra Silva, em Porto, Portugal

Sabe, atravessar o oceano e caber nas mãos de alguém que a gente gosta e fazer com nossas palavras sintetizem o sentimento para além da poesia é algo magnífico. Devo colocar a culpa em você, que transformou as minhas palavras em livros? Que fez com que meus caminhos literários cruzassem o mundo?

Fotografia envida por Sandra Silva, de Paris

Estar ali, ao alcance das mãos, em uma estante mundo afora, junto com os outros livros preferidos de um leitor é tudo que alguém que escreve sonha. E a gente sabe, e já falamos muito sobre como é difícil enviar livros para fora do Brasil. Uma editora independente, então, fica inviável. Mas, quando de alguma forma isso se torna possível é lindo!

Fotografia enviada por Eduardo Moreira, Meda, Portugal.

Pena, bambina mia que sejam apenas seis fotos… e além de voarem para além dos oceanos, eles também couberam nas mãos e no coração de tanta gente aqui que nem cabem nas fotos. E claro que meus diversos caminhos e desvios atravessaram sentimentos dentro da poesia vivida e sentida.

Cinara Thaís, Cuiabá, MT

Falar sobre quem caminha com a gente através de um livro é como se a gente atravessasse a janela para a nova dimensão que citei lá no início dessa missiva. Algumas pessoas nos sabem tão bem que é como se já tivéssemos nos encontrado em algum canto de esquina, uma rua em um país distante, numa livraria… outras, passam a nos saber pela poesia, pelas cartas, pela história que contamos.

Suzana Martins, São Bernardo do Campo, SP.

Eu ficaria horas aqui, bambina, falando sobre livros, sobre pessoas que nos levam além de palavras e no cuore… Mas, ainda estou limitada às dores e o que me cabe aqui é agradecer… À você e ao tuo menino que voou para a imensidão, mas que deixou em mim um carinho do tamanho da saudade que sinto dele. Se meus livros ganharam vida além das folhas em papel e chegaram em tantas mãos mundo afora, as mãos dele e as tuas fizeram com arte o sonho se tornar realidade.

Grazie! Amo tu imenso!
Bacio

Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo: Lunna Guedes, Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega –
Roseli Pedroso – Silvana Lopes