
Como se eu fosse uma ave presa em tuas mãos
e tu abre os pulsos para me livrar da gaiola
que é tua pele, teu cheiro e eu em tua carne sonhasse
como se achasse a ilha, meu ninho
seu corpo
como se o voo do pássaro pousasse
sobre os sonhos de tua cabeça
e suas asas delirantes
fossem o mapa do caminho que tenho de trilhar
como se eu fosse o jardim
na tua mão, eu, semente florindo desejos
como se hoje apenas eu fosse a dançarina que povoa vontades e voasse plena de sentidos
no céu
da tua boca.
Mariana Gouveia
* imagem: Cheong-ah Hwang