Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

A solidão na astrologia das coisas.

Ph: Julija Jankelaityte

Li a sorte na borra do café.
Encontrei trevo de quatro folhas, no quintal.
Ri da moça que queria encontrar a linha da vida.
Estava a beira de um cais,
– no outro lado do rio… o mar!
Nos jornais, a notícia do eclipse
Contei os dias nos dedos da mão…
O mar emudeceu
Não me traz mais o som da sua voz
Entendi coisas antigas…
A solidão na astrologia das coisas.

Mariana Gouveia
In, Sete luas – Scenarium Livros Artesanais
Eclipse – pág. 51

Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

No Cais Outra Vez

 

O barco de papel ancorado no canto
da mesa da cozinha.
Um envelope a espera da resposta.
A tarde deixando o dia e levando o sol
para navegar outros mares.

Saudades.
A alma ultrapassa a porta
e vai em busca do oceano…
A nado

Sete luas
Mariana Gouveia – No cais outra vez
Editora Scenarium Plural
*Imagem: Freepic
Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

O barco de papel…

ancorado no canto da mesa da cozinha
Um envelope a espera da resposta
A tarde deixando o dia e levando o sol
Para navegar outros mares
Saudades
a alma ultrapassa a porta e vai em busca do oceano
A nado.

Mariana Gouveia
In – Sete Luas
Editora Scenarium Plural
*Imagem: Wallpaper The Best

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Sete Luas – minhas impressões

Algumas fases permanecem para sempre…


Sete Luas foi aquele apaixonar diário desde o convite vindo por email e a palavra Cais rondou meus dias por um bom tempo.
Quando bati os olhos na capa – ainda sendo dúvidas da editora -Lunna – horas antes do lançamento – rendi -me! 
O amarelo foi como se o dourado da lua cheia invadisse as janelas do edifício e ali todas as fases e sensações dos escritos me invadisse. Foi quase um uivo de lua.

Aconteceu uma pausa entre o encanto e a posse. O carteiro de todo dia não cabia em risos e repetiu a frase quase que costumeira quando o pacote ganhava meu abraço: – acho que a sua lua chegou!

Sufoquei – me com as luas incompletas de Aden Leonardo. Antes começasse a amar o abandono era quase um convite para soprar a lua e delirar dentro do que não foi vivido. Aden é esse uivar em um mistério.

O contrário, de cabeça para baixo, era possível repetir a palavra encanto nas luas de Adriana Aneli. A lágrima, a lâmina… sendo corte e líquido nas fases soltas de Lua. À mercê do impossível caberia em uma história cantada pela menina que adora ópera.

Adriana Elisa é esse frescor  Nas antigas tardes em que não queria inventar coisa alguma e é cópia da mãe – Adriana Aneli – e única em sua doçura agridoce nas memórias de Lua e do amor.

Ingrid Moradiam é  aquela menina que me me leva pelas mãos em outras infâncias e me lembra que se eu apontar o dedo para as estrelas, nasce uma verruga bem na ponta do nariz – porque aqui, a lua é a parte principal…

Já eu!! Mariana Gouveia… Ah, No cais outra vez… conheço os ancoradouros de minha infância como se sempre estivesse ali, faminta de amor e possuída de saudades. E ainda nem sabia o que era amor.

o cais a seus pés
e o mar em seu estado bruto
– de onda

Nic Cardeal
é esse ponto cardeal ao Sul… Em metades ou quase nada...
Mentira!
É tudo, essa menina! Inteira… quase fases de luas cheias o tempo todo.

Sabe aquelas fases em que você sempre viveu e que é quase além das fases da lua que conhece?
Rebeca Navarro é esse grito na garganta que fica calado. E que quando solta consegue voar pelos plexos lunares.
Nos aposentos fechados para o dia é bem ali, detrás da cortina que me contive na voz e nas palavras. Aluei!

As luas em suas intensidades me deixa avuada de lua… e avuada era a palavra que me definia para minha mãe:
– Esse jeito de lua que você tem, menina… Parece avuada! Essa letra feita de satélite nas pontas do dedo…
Por falar em lua…

e essa Lua de Papel que sempre me domina?
Posso ser eu, assim?

Mariana Gouveia
Sete Luas – Scenarium Plural Editora

 

 

 

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Beda – no cais

Ph: Pinterest

Podia a curvatura da lua ser esse grafite rabiscado nos muros.
Com nome ilegível e pétala de flor, úmida de orvalho enquanto em sua fase de nova o jeito era ser. Apenas ser.
Saturno e seu júbilo e a sensação de pertença nós braços… do céu.
Queria te dizer que posso te ensinar o nome das plantas e qual flor ganha força nessa fase de lua. Posso ser essa espera sempre, desse lado do cais.

Mariana Gouveia
Sete Luas – Scenarium Plural Editora
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.

Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

em um rastro de lua.

Quando a noite vier e o rastro de lua – crescente – a tocar o céu, como véu.
A folhagem a ser miragem dentro dela. O pássaro fazendo sombra no amor. Era assim que falávamos de voar. Podia ter sido em outro século. Podia ter sido agora ou ontem. Mas, foi em um rastro de lua.

Mariana Gouveia
Projeto Coletivo Sete Luas –
Scenarium Livros Artesanais

das coisas breves · Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

as horas pálidas da vida

Quarava os lençóis bordados no sereno, geralmente, em noite de lua cheia com o cheiro de dicuada no ar.
A mãe que fazia o sabão, em seu tacho de ferro e moldava as bolas para o dia seguinte…
As ervas a ferver para a tintura dos lençóis de cambraia e que a mãe queria mudar de cor.
Os olhos, com ondas de mar vendo a correnteza a passar, levando a lua em cada maré.
O céu, ponto de apoio para a menina que desejava voar.

Mariana Gouveia
Coletivo Sete Luas
Scenarium Livros Artesanais

Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

Atemporal,

a sílaba espera caber entre o rio e o mar. Faço notas mentais de cartas que escrevi-descrevi e não enviei. As flores carregavam seu nome junto das fragrâncias e floria no jardim. Um coração marcado de espera. Uma vontade viva na alma. O vermelho da boca e a lua minguante constatando o sal do beijo desejado.
A lua e sua cor dourada de sol é quase o mesmo olhar em sua direção.

Mariana Gouveia
Sete Luas – Scenarium Livros Artesanais
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Suzana Martins e Bob F

Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

O teu nome em ópera de lua


é um canto que se renova
Concha nos ouvidos
Silencio meus lábios
Satélites a orbitar a alma
E a solidão…
Um crescente lunar

Mariana Gouveia
Projeto Coletivo Sete luas – Scenarium Plural Editora

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Do dia em que ela eclipsou

Os cheiros do céu cuidam da semente na terra. A racionalidade do sol e a emoção da lua influi na paciência da espera. Era ali, a estação da alma. Dentro dela o cheiro dos cravos chineses e a borboleta encantando o mar enquanto o rio se desenha além dos muros. Dentro dela, eclipse. 

Mariana Gouveia
Ser de flor
Texto publicado no livro Sete Luas
Scenarium Plural Editora