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Carta à minha mãe.

A ausência é uma forma de inverno 
Luís Garcia Montero

Mãe,

mais uma vez te escrevo… hoje seria seu aniversário e nesses 43 anos de sua ausência há sempre essa sensação de falta, de vazio. O ipê floriu de novo e o pássaro de todo dia se encantou com as flores temporãs amarelas.

Sabe, mãe, nessa data fico memorizando os 8 de maio anteriores de sua partida. Era tudo tão simples e mágico que seus dias aqui duraram pouco. A gente se reunia em volta da mesa grande da cozinha e a festa acontecia entre risos e abraços. O bolo assado no forno de barro e as flores do cerrado formava o buquê – que era seu presente – e seus cabelos.

Ainda lembro de tantas coisas… ainda preciso de você tantas vezes. Já perguntei tanta coisa sem ter a resposta exata e a lembrança de quando você chamava meu nome no diminutivo me faz rir. Mas nunca te esqueci ou deixei de falar sobre a herança da arte que você deixou em mim para as pessoas e nunca deixei de escrever, mãe.

Fico imaginando como você seria com meu filho, com o homem que escolhi para viver e de como você seria hoje. Meus cabelos já branquearam e já vivi muito mais do que você… Os anos passam rápido demais, mãe…

Como seria o aniversário aí? Há festa? Fogueira? Há a expectativa de quem vem? Ainda tenho as mesmas perguntas lá da infância, mãe e isso, só vou saber quando te encontrar em algum outro plano. Nesse dia, entregarei todos os abraços que guardo aqui, no coração, a cada imagem linda que vejo que quero te mostrar.

Feliz Aniversário!
Um beijo,
Sua filha
Mariana

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