
Bambina mia,
hoje, pouco depois de falar com você fiz o chá, talvez movida pela sua missiva para Heloísa. O vento que esteve aí ontem, mudou-se para cá e arrastou as folhas todas pelo quintal. Um leve sorriso se formou aqui, por detrás do vidro da porta vendo a rebeldia de dezenas de folhas em redemoinho de vento.
Esfriou demais para o meu lugar e os 14º me deixa presa dentro de casa. O quintal sente o sopro do vento e a garoa. Onde já se viu garoar em Cuiabá? Pois bem! Já se tornou rotinas nesses dias de inverno. Sofro com a secura e a baixa umidade, mesmo com essa garoa que cai…
Sorvo mais um gole do chá que não seguiu a sua receita. Como não tenho chás de caixinhas, colho as ervas ao alcance das mãos aqui… Então, ao invés da baunilha, acrescentei a canela. Adoro esse aroma que se impõe sobre os aposentos. Há poucos biscoitos na lata e divido com os cães que se esparrama nos sofás, cabendo a mim, apenas um canto onde me encolho com a manta sobre os pés.
É tão estranho olhar no calendário e ver os dias empilhando uns nos outros e as estações são varridas uma sobre as outras também. Logo já estaremos ouvindo o “então, é Natal‘ nas propagandas e ruas. Como a gente conta esses dias feitos de faltas, memórias e saudades? Talvez, não precisamos contar… eles passarão como um sopro em um dia; em outros, parecerão anos e com isso a gente vai seguindo a rota que se desenha.
O chá serviu ao intento de aquecer o corpo e a alma e me preparo para a rotineira fisioterapia que se tornou íntima de mim. Preferia continuar te escrevendo, mas o relógio me acorda para a realidade do compromisso e sigo rua acima, enfrentando o frio que acontece por aqui. Na volta, preparo outro chá.
Aceita uma xícara?
Bacio,
Mariana Gouveia
Um chá quente é bom para esquentar o coração. Assim dizia meu saudoso pai.
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Seu pai tinha razão, Pedro. Grata pela visita!
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Recebi alguns chás deliciosos de presente durante a minha viagem a
Orleães, França. Acontece que, enquanto lia o seu post, estava a beber um delicioso chá chamado Douce Heure à Orleans.
Abraços,
Kevin 🙂
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Que delícia, Kevin! Não conheço esse chá. Aqui, tenho as ervas plantadas no quintal.
Abraço carinhoso
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