Reparaste como o Outono este ano veio por outro lado,
como se fosse pelo lado de dentro?
Manuel António Pina
Bambina mia,
nunca um poema cantou tanto em minha pele como esse acima… acho que me perdi dentro das estações nos últimos tempos e quando dei por mim, respirava a estação preferida no lado de dentro – no cuore – e suspirei… e confesso que o que me salva são as leituras – e aleluia, já posso pausar meus olhos nas linhas dos livros ainda por ler.
Nas manhãs amenas, logo depois de varrer s folhas secas do pé de jurubeba e do ipê me atrevo a ficar em silêncio folheando as páginas dos livros meus e dos autores que amo. Gosto do cheiro que as folhas secas deixam depois de serem empurradas pela vassoura quintal afora, até encontrarem a pá… o chiado delas parecem confidências que só uma poesia poderia descrever e contrastam com o cheiro das páginas do livros.
E quando encontro uma folha bonita, pauso o tempo e o livro e te envio, para logo, ouvir seu riso ao receber meu áudio e foto… tem dia que te mando um quintal inteiro de folhas só para te “ver” em risos do outro lado da tela.
Sabe, bambina, a estação está diferente por aqui… e como você sabe, minhas manhãs parecem tudo dentro de outras estações – menos outono – e a pele já antecede o sentimento de um inverno seco que se aproxima. Claro que aqui eu poderia comentar sobre as mudanças climáticas e de como o tempo faz a moça do tempo daqui errar sempre a previsão, mas prefiro suspirar e esperar pela tarde que brinca com as folhas – que nuca consigo catar todas – com o vento.
Eu repito livros e fotos e palavras – você sabe – e leio poemas inúmeras vezes e cato as emoções das autoras para juntar com as minhas. Isso tem se tornado rotineiro… abro o livro, pego a xícara de café e vou sorvendo as palavras como se elas se tornassem minhas. Busquei suas palavras no verso do livro Caderno de alegrias e tristezas:
O telefone vibrou – anunciando notícias que não me interessam. Queria me afogar num verso. Morrer numa página qualquer… Soluçar um parágrafo bem escrito. Lembro-me de pensar ao ler:
“deveria enviar à Isabel : um texto sobre o medo de ler o que escrevo“
Gargalho aqui e murmuro sozinha coisas que vêm de repente à cabeça…
Bambina do céu! Nem reparei que a noite chegou e com ela uma lua linda dentro do quadrante do meu quintal e os grilos que irritam o Buu por aqui fazem a farra. Acho que eles devem ter uma banda musical. Só pode! O cri cri cri é uma sinfonia só!
Sei que ultrapasso o limite do projeto ao enviar uma missiva, mas é uma maneira que encontrei de falar com você para além do aplicativo de mensagens, em cada dia 6 dos meses. As mãos já estão quase boas e logo os textos e poemas serão mais frequentes – eu espero – dentro dessa estação que nos abraça e de outras que estão por vir.
Abraço carinhoso
Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo: Lunna Guedes, Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega –
Roseli Pedroso – Silvana Lopes






Mariana, minha querida, sempre um prazer passar os olhos por suas postagens. Delizadeza, beleza e as palavras que saem de seu doce coração e chega aos nossos, fazendo bater mais forte. Abraço saudoso!
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Você sempre carinhosa comigo. Enche meu coração de ternura. Abraço carinhoso.
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Mariana, querida, senti você aqui do meu lado, com sua voz amiga lendo pausada e gentilmente cada palavra-verso. Não vejo a hora de te ler de novo!! Bjs outonais
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Helô querida! Grata sempre!
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Your letter is truly a treasure! The way you connect with nature, books, and friends is simply beautiful. Autumn where you are has a special kind of magic, as if it comes from within, and every little ritual you share, from leaves to laughter, carries so much emotion in the smallest things.
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Thank So Much!
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Mariana, que postagem mais linda. Delicada e sensível, como o outono, que eu tanto amo
Beijos, querida
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Muito Obrigada, Cláudia! Abraço carinhoso.
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