Das palavras das cartas · Projeto52 · Scenarium Livros Artesanais

Em longas frases, digo coisas particulares, de nós dois…

R,

Dizem que não existe futuro para quem não sabe o próprio passado… e eu sei bem do meu passado e está escrito nas páginas antigas de meus cadernos de poesia que você era meu primeiro amor. Digo era, porque essa é uma lembrança viva e não quer dizer que não te amo mais, mas que eu te amei da forma mais doce que alguém ama na primeira vez.

Te escrevo hoje, porque é seu dia e em todos os anos, nesse dia, sempre me lembrei de você e seu nome ecoava em meu coração como o bater das asas das aves e em longas frases, digo coisas particulares de nós dois e que ninguém mais sabe. Lembra-se de que foi você quem me explicou a mudança das estações?

Da primavera ao verão
Do verão ao outono
E do outono ao inverno
Você sabe quando a estação muda?
sabe exatamente quando o inverno acaba e a primavera começa?

Sua frase ecoa sempre quando alguma palavra me lembra você… ou quando o dente de leão espalha por aqui suas folhinhas como se deixasse uma mensagem dentro da estação em que me perdi de você. A gente era igual e a magia que nos rodeava foi a mesma que nos separou.

Não sei se fui eu ou você quem partiu primeiro… Porque quem parte em silêncio, não grita aos sete ventos que vai embora… de um dia para o outro eu estava em outro lugar e você já não vinha a algum tempo… De repente seu nome foi virando uma doce lembrança e apenas a data de hoje era dedicada a pensar em você.

Eu me lembrava de seu riso, do seu jeito de cavalgar, a maneira de espantar as aves na árvore da frente de casa e do modo que assoviava… Fevereiro era o mês que essa data me trazia você e o mais estranho é que eu nem sabia porquê.

Te reencontrei dias atrás e a leveza do momento me fez sentir gratidão de tudo que vivemos juntos. Você foi a magia que transformou minha adolescência em emoções e você foi o primeiro amor que fez meu coração bater… Mas, a gente se perdeu no caminho e faz parte se perder ou desviar da rota e sempre que  isso acontece a vida nos leva a caminhos interessantes e foi assim que te vi de novo.

Que teus dias sejam feitos de voos intensos e felizes e que a cada curva dessa estrada que você cruza você encontre motivos para sorrir.

Beijo,


Mariana Gouveia
Projeto 52 Missivas
Scenarium Livros Artesanais
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega

Scenarium Livros Artesanais

De que eu me lembro?

Lembro-me do vento a agitar os tsurus nas árvores e era uma manhã clara de um sábado qualquer de novembro. Logo depois chegou o envelope lilás de Paris e a carta falava da volta e havia ideogramas com nossos nomes coloridos… Parece mentira, mas lembro-me dos cheiros desse dia… e durante muitos dias depois me lembraria do cheiro do pão fresquinho da padaria da esquina, do orvalho se desprendendo dos capins na beira da calçada e do hortelã recém colhido por alguém na redondeza… Uma moça havia passado por mim e deixado um rastro do perfume anais anais rua afora – atemporal na memória, pensei nas últimas gotas que você havia deixado em cima da cômoda do quarto quando você se foi – enquanto eu fechava o portão, com o envelope nas mãos.

Depois disso, lembro-me que todas as tardes, eu ficava na janela, ouvindo os barulhos da rua de cima para ver se surgia algum sinal de você havia voltado. Perdi a conta dos dias em que preparei o chá e as broinhas que você gostava, só porque eu vivia em estado de espera…

Com o passar dos dias, eu já não usava mais a blusa de laise e tirei os tsurus da árvore no quintal… Logo seria o tempo das chuvas e pendurei eles na janela da cozinha. Alguém limpou a calçada e não havia mais o capim onde o orvalho rescendia nas manhãs de espera e a moça com o perfume anais anais deve ter mudado da vizinhança ou mudou a rua de passar… e foi aí que você chegou…

Era uma manhã quente verão… os trovões ecoavam no céu e eu nem notei o aviso dele… na pressa, antes da chuva, corri para recolher as roupas no varal… e foi aí que senti sua presença, logo além do muro, parada, antes de bater no portão… não senti mais a solidão de antes. Você ocupava cada milímetro da minha rua e quando adentrou casa afora pareceu que você nunca havia partido. É disso que eu me lembro.

Mariana Gouveia
Scenarium Livros Artesanais
Blogagem Coletiva
Participam desse projeto:
Roseli Pedroso – Lunna Guedes – Obdúlio Ortega

Das palavras das cartas

O espírito do homem

O espírito do homem

Dedicado com carinho à Lino Epifânio.

Um amigo que foi mais do que pai e me ensinou a vida. Num gesto de solidariedade dividia comigo seu almoço, quando eu ainda era uma adolescente em estágio na Rádio A Voz do Oeste. Durante 38 anos foi administrador do Cemitério da Piedade, onde eu me refugiava nas horas difíceis e era meu lugar secreto. Com o radinho de pilha acompanhava meu crescimento profissional, pessoal e sobretudo humano.
Compartilhava comigo o mesmo ensinamento que dava aos seus filhos e me orientava no caminho a seguir. Foi ombro, amparo, colo e pai.

Tenho certeza de que grande parte do que sou hoje é reflexo de sua amizade. Agradecer só me faz lembrar teu sorriso quando você fingia não gostar do ovo frito de tua marmita só pra deixar pra mim. Mas do que dividir comida comigo ele alimentava minha alma me mostrando poesia, fé, solidariedade e amor pelas pessoas.

FIQUE BEM. AMO VOCÊ ONDE QUER QUE ESTEJA.

Mariana Gouveia (A SUA LURDINHA)

O Homem cansa-se; o espírito não.
O Homem rende-se;
o espírito nunca.

O Homem arrasta-se;
o espírito voa.

O espírito vive
quando o Homem morre.

O Homem parece;
o espírito é.

O Homem sonha;
o espírito vive

O Homem está amarrado;
o espírito é livre.

O que o espírito é…
o Homem pode ser

Mike Scot
(Waterboys)

Das palavras das cartas · Projeto52 · Scenarium Livros Artesanais

 — O silêncio aumentou tanto que o relógio parou.

É agora – na pura ausência das coisas
e a madrugada por abrir.
Um palco a lua.
Eu observada de fora da janela.
 Ana Luísa Amaral

Bambina mia,

Queria te contar que de repente, no meio da noite, surgiu um grito mudo dentro de mim… vim aqui, como se os últimos dias tivessem sido invenção minha, mesmo porque não combina comigo essa angústia em demasia. Confesso que até permiti que o silêncio dominasse a casa.

O silêncio aumentou tanto que o relógio parou… Não liguei o rádio, nem ouvi as canções que eu gosto… De barulho aqui, só o som do vento das folhas do ipê no quintal ou vez e outra, o latido dos cães no quintal. Até eles parece que entenderam que o quente dentro da pele era mais do que uma febre sutil. O relógio, coitado, perdeu sua função de marcar as horas quando descarregou. Foi retirado da parede e permanece quieto sobre o móvel da sala.

Mas, hoje, abri as cortinas e deixei o sol entrar. Arrastei os móveis do lugar, limpei a poeira e molhei as plantas. Depois, suspirei e enfrentei o dia sem missa, sem notícias lidas e tratei apenas de ver a receita do pão recheado que fiz. Foi quase uma alquimia combinar a massa com o recheio e o cheiro do alho a invadir a cozinha… no canto, sobre a mesa, as roupas por passar.

Não foram dias fáceis, mas deixei outubro para trás, com seu luto, suas lutas, suas dores e a lágrima seca por trás dos olhos… Perdi prazos – eu sei – e textos deixaram de ser escritos. Às vezes, fico pensando em como cheguei até aqui, nessa encruzilhada como quem esqueceu o endereço. Mas, a monotonia cedeu e avancei no equilíbrio das horas que o relógio não marca.

Choveu e trovejou e foi nesse momento que pensei em te escrever e dizer que apesar de tatear as paredes no escuro, buscando a porta de saída do quarto para não acordar ninguém, eu estou bem… acho que descobri que sou forte – ou pelo menos finjo que a coragem veio aos poucos e o medo que me atingia evaporou-se…

A vida é essa sombra no espelho, é esse azul desbotado no céu antes da chuva, é o arco-íris quase apagado entre um relâmpago e outro e eu sou essa espera de tempos em tempos que se atreveu a chorar… mas que hoje já respira sorrisos.

Grazie por seu abraço e mão estendida… Grazie por ter estado sempre aqui.

Bacio,

Mariana Gouveia
Projeto 52
Scenarium Livros Artesanais

das coisas breves

E o amarelo ri das coisas que conto.

Eu conheci a rota dos inventários e os riscos nos mapas mudando os caminhos. Fiquei a tua espera e o vento arrastou as folhas no quintal. Queria te contar que as flores amarelas floriram. Foi um insulto para o jardim inteiro. Todo o quintal olhava só para ela, enquanto as lagartas procriavam na lanterna chinesa.
Estão grávidas as folhas do gervão… E o amarelo ri das coisas que conto.
São muitos dias de sol e noites de lua. Era para ser em agosto esse cheiro de setembro amarelando as coisas… Mas isso tudo é só um sinal de vida da roseira que havia morrido.

Mariana Gouveia
Ser de flor

Das palavras das cartas · Projeto52 · Scenarium Livros Artesanais

– Ocupar o silêncio da casa

Bambina mia,

Eu nunca consegui ocupar o silêncio de uma casa… pelo menos, não me lembro. Desde pequena, com seis irmãos, a algazarra era imensa e mesmo eu sendo a mais quieta entre eles, o silêncio não existia e fui deixando o barulho gritar em mim.

Dos barulhos que eu mais gostava era o dos trovões e mesmo com todos os espelhos tapados com lençóis e o medo de minha mãe dos raios que sempre acompanhava a fala do céu quando acontecia uma tempestade, para mim, o trovão era a voz do céu… rompia o silêncio ou abafava os gritos dos irmãos em correria pela casa e eu ficava em pé, na porta ou janela, maravilhada com o eco a estrondar enquanto meus irmãos se escondiam. Buscavam abrigo no colo ou ao lado da mãe.

Com o passar do tempo e a distância entre os meus irmãos, eu rompo o silêncio que em alguns momentos me ronda com música, o canto dos pássaros e o vento.

Hoje, meu dia foi quase igual ao seu e enquanto sua missiva ganhava minha emoção, trovejava aqui… e como se fosse sintonia, o toc toc da mensagem ecoou com seu nome sendo gritado no quintal.

Esteve quente o dia inteiro e antes que o aroma que nós duas amamos – o petricor – exalasse por aqui, trazendo a docilidade de suas letras, trovejou… e ao gritar seu nome lembrei-me que descobri sobre o nome petricor dias desses – que é nada mais que o cheiro do pingo da chuva na terra seca. Fluído etéreo. Sangue dos deuses – é quase poesia… já, imaginou, bambina, a poesia no nome das coisas? O aroma que a chuva provoca ao tocar o solo… é como se perfumar para encontrar alguém e juro que me lembrei de sua rinite e sorri quando descobri que esse cheiro é quase como o cheiro do seu abraço…

E veio o vento, trovões e chuva e meu quintal vibrou com o petricor a aromatizar o jardim enquanto chorei… Essa semana, foi de partidas e de nascimento. Alguém se foi, porque era o tempo de ir e um menino nasceu sob meus olhos. E sob seus olhos, um ninho se fez colo… Fico me perguntando onde as coincidências nos alcançam sempre?

Enquanto os relâmpagos cortam o céu eu encontro a resposta: é no silêncio que se ocupa de nós. O da sua casa e o da minha… nesse piar que ocupam sua varanda e o meu quintal. O silêncio que grita em nós.

Amo tu imenso!

Bacio,
Mariana Gouveia
#projeto52
Scenarium Livros Artesanais

Das palavras das cartas

Mãe,

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: “Fulano de tal comunica
ao mundo que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio”.

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida. Apertos de mãos quentes.

Ternura de calafrio.
“Adeus! Adeus!”
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes

… (primeiro, os olhos… em seguida, os lábios… depois os cabelos…)
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo… tão leve… tão subtil… tão pólen…
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono

ainda tocada por um vento de lábios azuis…
José Gomes Ferreira

rasgando os dias no calendário já conto 39 anos que você se foi… seria estranho dizer que parece que foi ontem e que sua falta é esse abandono na alma. Queria que fosse igual ao poema e pudesse te alcançar em uma nuvem… mas, as nuvens são feitas para chuvas – você diria – ou para desenhos engraçados no céu.

Confesso que gostei mais da alusão das nuvens, do que da fumaça, que ronda meu lugar, o cerrado transformando em um cenário desolador. Não sei se você gostaria desse tempo…

Além dos aniversários, eu te escrevo sempre nessa data, como forma de te manter aqui, ainda na memória viva do tempo em que fui sua filha. Não temos muitas fotos suas e as que tínhamos se perderam em álbuns guardados em fundos de baús. Essa, acima, recebi a pouco tempo e lembro-me bem desse riso, dessa pose e de tudo que retrata a fotografia. Lembro-me até da cor do vestido, que foi feito por você quando saiu do luto pela partida do meu avô.

Hoje, falando com uma amiga, em outro contexto, falei sobre a canção que fala do sol quarando as roupas no varal e essa é uma memória que nunca vai se apagar de mim… os lençóis sendo quarados, o cheiro de roupa limpa, o anil sendo preparado para as roupas… nossa, mãe! Parece que é agora e já foi há tanto tempo.

Essa carta é só para dizer que ainda tenho tantas perguntas sem respostas, mas que também tenho recordações de tantos momentos que dizem muito mais do que posso escrever. As perguntas ficarão para outro momento, dentro de um tempo em que poderá responder.

Um abraço cheio de saudades,

Mariana Gouveia
25 de Setembro de 2021.

das coisas breves

O perfume esquecido das rosas

Nas gavetas reviradas, procuro o perfume esquecido das rosas que minha mãe plantava. Era hoje, há anos atrás – as flores e seus insetos feito pingente – a fragrância exalava pela rua de calçadas altas. Ela contava histórias de jardins, quintais e de que a felicidade pode ser colhida diariamente, em pequenos momentos – ninguém é feliz o tempo todo – e lembro-me da borboleta que passou e ela falou de viagem.
Guardei aquele momento, onde a realidade era completa. Nunca mais se repetiria as frases ditas naquela rua de calçadas altas…
No outro dia ela se foi e ficou apenas o perfume esquecido das rosas que ela plantava.

Mariana Gouveia
Ser de flor

Das palavras das cartas

BEDA – Das cartas que escrevi

Mudei a porta de lugar várias vezes.
Uma, para o vento entrasse; outra, para ele saísse.
Descortinei as vidraças embaçadas.
Vi azul e mudei a cor do quintal.
O sol alaranjou o gris que morava ali.

Querida minha,

Escrevo-te para dizer que o pássaro que beija a flor perdeu penas em uma briga com outro. Sei que vai rir quando ler e ver a imagem. Temperamental, o menino. Apesar de perder as penas ele ganhou a luta e agora reina absoluto em seu bebedouro. Acho que há bebês de cães por perto. Passam a madrugada chorando.  Está chovendo quase todo dia. As flores ficam mais vivas e o calor mais ameno. Mas também faz com que as ervas daninhas se alastrem mais rapidamente do que o normal. Tenho que limpar mais vezes o quintal. Adoro o cheiro do mato sendo arrancado. É como se a clorofila se infiltrasse em mim. As joaninhas aumentaram nesse verão. Não sei se a estação colabora para isso, mas o fato é que elas estão em maior número no pé de algodão. O hibiscus mutalibis encheu de flores e até o mamoeiro deu frutos, o que faz a alegria dos pássaros.
Por falar em pássaros, o bem-te-vi teve filhotes na mangueira do vizinho do fundo. Já ensaiou os primeiros voos hoje.  A vida vai seguindo igual, independente da estação, da previsão do tempo. Os dias parecem voar tal qual o pássaro que beija a flor e que perdeu as penas e o meu amor continua igual.

Mariana Gouveia
Participam desse projeto
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Das palavras das cartas

BEDA – Aconteceu abril.

não uma e meia nem sete nem quatro,
trinta e oito da madrugada,
duzentas e onze da manhã,
uma escuridão infinita
 
António Lobo Antunes

Pai, aconteceu abril no meu quintal e ele não chega como antes. Embora, o céu já antecipa os dias de sol por aqui, com as folhas amareladas caindo, abril lembra títulos de livros e filmes. E é o que acontece, pai. Abril chega despedaçado e com a solidão e a dor instaladas em muitos corações. Parece que as noites são mais escuras e longas.

Dias desses lembrei-me de que estamos em plena quaresma e de como era nossas rotinas dentro desses dias “santos”. Confesso que ainda sigo alguns dos seus rituais. Talvez, mais pela forma de lembrar de você do que propriamente por medo de um castigo divino.

Nesses dias tão difíceis, busco nas memórias momentos bons para atravessar com mais tranquilidade tudo o que está acontecendo, pai. E me admira que seu olhar é o mesmo de quando eu era criança e sua fé também. Um dia, você disse: “a fé que move as montanhas é a mesma que te fará viva nos dias duros e é nos momentos difíceis que se cria a couraça para viver. A gente precisa criar uma couraça!”. Confesso, que naqueles tempos, apenas guardei na memória mais uma das frases ditas por você… só que hoje, ela faz todo sentido.

Busco o equilíbrio na mesma fé que você me ensinou e na serenidade que você transmite. Vai ficar tudo bem, pai… embora a gente tenha perdido tantas pessoas nossas. Embora, lá fora, um vírus maldito transmuta e esvazia famílias inteiras, a gente se arma dessa couraça e vivifica a fé. É o que nos deixa forte para seguir.

Te amo além dos dias.

Beijo,

Mariana Gouveia
Participam desse projeto
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso