Afetos · Das palavras das cartas

Dos sonhos de voar…

“Eu te ofereço voos. Os inteiros. Os quebrados. Os que ainda nem foram detalhados em toda essência de amar.”

Filho,

Você se lembra de quando brincávamos de voar? Meus braços te erguiam e te levavam ao céu — como você dizia. Aquilo sempre me lembrava o verso de um poema que dizia: “O céu é o limite…”.

E quando você me perguntava sobre o que era o limite, eu repetia o que meu pai me dizia quando eu ainda era menina: o limite é como a mudança da estação. Uma não pode roubar os dias da outra. É esse limite que a gente mastiga todo dia. Um dia querendo roubar as horas do outro. O verbo rasgando dentro de outra palavra. A dureza da vida tentando, em algum momento, nos roubar a alegria. A liberdade sendo colhida dentro de alguma regra, de algum “não pode”.

Mas eu sempre te disse que você podia. Para mim, a liberdade tem a ver com o céu — ou com o mar que me emocionou quando vi a imensidão dele — e com aquele azul imenso que presenciei no meu primeiro voo de avião.

Você era o menino do meu quintal. Aquele que sempre adorou a velocidade, os voos e a rebeldia do seu signo. Você sempre foi o sol do meu quintal. Aquele espaço onde desenhamos uma pista de Fórmula 1 para você voar. E você voou. Seguiu seus próprios voos e hoje tem total autonomia neles.

Hoje não é um dia comum. É o dia em que o ano se torna especial porque você nasceu nele. Como presente, eu te ofereço esse céu dourado que desenha sombras nos quintais por onde você anda.

Aqui, o céu está limpo, com poucas nuvens. Te ofereço esse céu como forma de abraço. Quero que saiba que, depois que você chegou, eu me senti completa e finquei raízes, como as plantas que teimam em se alastrar no quintal.

O sonho revolve o mundo, e dentro de cada sonho seu cabe a certeza da minha oração. Como tudo que voa precisa de pouso, eu quero sempre ser o seu lugar de pouso. Para te dar segurança na hora certa e para segurar a sua mão quando o caminho for difícil.

Eu te ofereço voos. Os inteiros. Os quebrados. Os que ainda nem foram detalhados em toda a essência do verbo amar. Eu te amo de um modo único e real, daqueles que nenhuma poesia consegue explicar.

Que todos os seus momentos sejam de aprendizado, de conquistas e de um eterno céu de brigadeiro para você voar.

Feliz Tudo!

Com todo o meu amor,
Sua mãe,
Mariana Gouveia

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