Das palavras das cartas · Meus Livros · Scenarium 8 · Scenarium Livros Artesanais

À Emily

Emily,

Assim como você, eu nunca recebi uma carta do mundo e já escrevi algumas vezes para ele. Devo te confessar que procuro a parte mais bonita dele. Porque as coisas aí fora estão terríveis demais. Eu já escrevi tantas cartas que não enviei, tantas que embolei e o mundo, em muitos momentos, não foi afável comigo.

Já pensei em enviar postais e falar do meu lugar, das mãos que tocariam os postais da lua. Já imaginou se envio essa lua cheia que clareia todo meu quintal, com seu lume em sua fase mais bela?

Com quais mãos ele – tão cruel em alguns dias – receberia meu afago? Emily, às vezes, penso em gritar para o carteiro e perguntar se ele mandou um bilhete, um manuscrito que só eu e ele entendemos…  mas, o moço que estende as mãos com envelopes pardos e seu uniforme amarelo me diz que tem saudades das cartas em envelopes branco e suas listras verde e amarelo – cores que me aborrecem no hoje – e eu apenas aceno com a cabeça.

Acho que pensamos as mesmas coisas – notícias simples da natureza… mas, ele entenderia o meu pé de ipê florido em uma tarde de fim de agosto, quase 40º e o sabiá laranjeira pedindo chuva? Ou da solidão que minha alma sente – quem sabe a mesma sua – em dias mornos.

Sabe, Emily, eu sempre escrevi cartas e sempre esperei respostas. Seja do mundo, ou dessa solidão desvairada. Fiquei de mãos vazias tantas vezes – assim como você – e minhas mãos de camponesa cavou silêncios… de afáveis, colho borboletas… será que a resposta virá em forma de asas? Ou eco de tambores?

Você percebeu, Emily, que sou muita perguntadora e que quando vi sua solidão imensurável, nas faltas de respostas desse mundo que se ativa cada vez que escrevemos poemas provocou em mim a mesma solidão.

Eu também sofro das noites insones e sou viciada nesse som de envelopes recém rasgados e do cheiro da cola quando selo um deles.

Eu sou a louca das cartas que nunca tem respostas… as minhas, muitas vezes, já nascem desfeitas mesmo antes que eu as escreva.

Portanto, Emily, junto minha solidão à tua… minhas palavras se esbarram na branda majestade que endereçam a verdade de quem escreve esse vazio, em forma de poema. Aqui não acontece nada… é apenas esse vácuo, de uma resposta que a gente já sabe que o mundo ficará devendo.

Com carinho,
Mariana Gouveia
Carta a publicada no Coletivo A terceira noite
Scenarium 8
Scenarium Livros Artesanais

Afetos · infinitamente · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Das metades de tantas, (eu) inteira II

Ph: Kassandra

Fazia perguntas a si mesma
já com a resposta encravada
na garganta
como se fosse lâmina –
pode, mas não deve.
queria dizer
– faço porque quero.
Como a nuvem que traz o trovão
… ecoando céu afora.
Pensou na pureza dos desejos
indecifráveis e suspirou
Nem era farol, nem norte.
Apenas rota –
cruzando caminhos.

Mariana Gouveia
Coletivo de Poesias Mulher de Nuvem
Scenarium Livros Artesanais

Afetos · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Andarilha

Ph: Ziqian Liu

Caminho pelo quintal
Da memória
Sopro dentes de leão
Grito para a lua…

São tantos caminhos
Milhas,
Para dentro!
São tantos atalhos
Para fora
E tudo fica tão longe
(distante)

Como se caminha por essa estrada
Tão cheia de curvas
… obstáculos?

Como se chega ao coração?

Mariana Gouveia
Coletivo de poesias Andarilha
Scenarium Livros Aretsanais

Afetos · Meus Livros · Scenarium 8 · Scenarium Livros Artesanais

Meus tesouros

Fiz biscoito de polvilho e revisitei as coisas que me acompanham a vida toda. Descobri que meus tesouros são os mesmos que eram de minha mãe. A caixa de costura e suas agulhas de vários tamanhos, em cobre, e o dedal. O bastidor, tão antigo — ela dizia — a mãe, a avó o usaram, a bisavó não… E a máquina Singer, com suas correias cantoras.

Quando minha mãe se foi, o pequeno tesouro ficou comigo. A panela preta de três pés — que hoje serve de suporte para as flores que enfeitam a mesa, também. O caldeirão de fazer o feijão, o bowl de alumínio batido e a compoteira de vidro.

As compotas eram servidas ali, combinando com as taças e a colher. A frigideira de fritar ovos, com o cabo de madeira… Minha irmã mais velha disse que acompanhou o nascimento de todos os sete filhos, ali, pendurada na prateleira com as panelas de alumínio. O tacho de cobre e o pequeno filtro de barro — uma das miudezas que guardo dentro da estante e faz companhia para as porcelanas. Os três frades com um copo-garrafa nas mãos. O elefante amarelo, a xícara de ágata e suas florzinhas vermelhas.

É como se eu tivesse ficado com os tesouros da família. E nos encontros com os irmãos, os objetos servem para reavivar as lembranças.

As panelinhas tão minúsculas — quatro ao todo — que minhas irmãs e eu brincávamos de cozinhadinha. A rabinha de fazer café, em alumínio puro… Cada uma das irmãs — as quatro — têm as suas miniaturas.

No baú, a foto em preto e branco, a última carta escrita pela minha mãe e uma caixa de chapéu com os riscos de bordados que ela criou. Tudo exposto dentro de minhas lembranças.

Agora que o tempo ultrapassou o próprio tempo, conto os anos que cada objeto tem. Alguém da família disse uma vez: tal mãe, tal filha. Como se as relíquias guardadas nas caixas, expostas em uma mesa com a toalha de crochê fossem tralhas.

Cada um deles tem um significado,

com nossa história particular.

Das minhas coisas, para além da herança, a fita de veludo laranja que enfeitava minhas tranças, o caderno de poesia com as letras miúdas que eu “roubei” da irmã mais velha. O primeiro vestido da sobrinha com flores miúdas azuis… A primeira camisa do meu filho, que eu mesma costurei quando ele completou um mês… O papel da balinha e o palito do sorvete que dividi com Ana — a de Marte — os tsurus e os quadrinhos com os kanjis… O coração da Maricota — a boneca de pano despedaçada pela Meg — minha cachorrinha que já se foi…

Um único brinco em forma de grão de arroz, par do outro perdido e as lembranças tantas, expostas em um quadro único, em letras garrafais contando a minha história em delicados instantes.

Mariana Gouveia
Texto publicado no Coletivo Armário das Maravilhas
Scenarium Livros artesanais

Das palavras das cartas · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Mulher proibida

Minha querida Gilka,

Da última vez que te escrevi… a aldeia estava em fogo. Havia muito cinza e tentávamos salvar animais e as plantações. Muita coisa mudou desde então. A aldeia reagiu e hoje, tudo floresce. Até minha ligação com a aldeia mudou. Ficou restrita ao simples acompanhamento através de amigos, embora o laço seja para sempre.

Hoje, o que assola o mundo não tem cor. É um vírus – que alguns dizem ser inventado e que ignoro para não brigar com parentes via mensagens das redes sociais – você imaginaria rede sociais no seu tempo? Você seria crucificada, pode apostar!

Daqui de onde estou, me sinto privilegiada. Vejo a lua, converso com o sol, confabulo com os pássaros, traços rotas imaginárias em um corpo que nunca visitei. Danço com o vento. Leio livros de poesias…  rasgo verbos sem nexos com as joaninhas. E só descubro o mundo lá fora através das manchetes de jornais e sites que relatam sobre um vírus que faz vítimas nos cinco continentes.

Por aqui, o pé de ipê já deu duas floradas, desde a última carta e nasceu mais um tanto de flores que guardei os nomes em um pote…  para fazer a bendita plaquinha e colar depois. Mas sempre as chamo de filha… é uma coisa que vem da infância e sabe-se lá quando vou perder essa mania. Porque aqui, tudo vira filha ou filho, seja bicho, pássaro, árvore, flor ou vento… e reza.

Com a lua não… Com a lua, traço conversas rente a pele. Me descubro mulher, a mesma que devora os poemas e canta. Sou a que se envolve e grita a liberdade, mas por enquanto, dentro das paredes dos meus muros.

Beijo,
Mariana
Carta publicada no Projeto Coletivo Mulher Proibida
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Das palavras das cartas · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Uma carta para Corine

Darling,

Às vezes, a noite é esse eco devastador dentro do peito. Você, por acaso, se lembraria de mim? É uma pergunta que me faço todas as noites para no minuto seguinte imaginar se outra pessoa teria cruzado o seu caminho e descoberto a joia rara que você é. Não é impossível…

Enquanto te escrevo de meus aposentos, ouço a mesma canção que toquei em sua casa. Cole Porter nunca mais foi o mesmo para mim. Cada vez que consigo um instante para me sentar ao piano… a única memória que atraca em meu corpo é a sua, ali, com as pernas cruzadas… e a abertura do vestido me fazendo sentir tal qual um adolescente — ansioso pela primeira vez. 

Enquanto o som do piano enchia a sala. Vi em seus olhos o encantamento… não sei se foi pela canção ou pelo mesmo entusiasmo que eu. Só sei que ali, pareceu que nossas almas se uniram e uma espera teve fim para que outra se iniciasse. Não é sempre assim?

Depois daquela noite, meus compromissos me levaram vida afora e o Brasil ficou distante geograficamente — mas tão perto de mim nas lembranças. Antes do embarque, quase desisti. Um homem não pode fugir a compromissos firmados, minha querida. Eu cresci com essa frase espetada em meus ouvidos, em diferentes idiomas. Fui lembrado do meu lugar no mundo, em meu país. Tudo foi traçado no exato instante em que eu fui concebido. Nada fugiu ao discurso até aqui, apenas o coração, querida, que não aceitou o enredo. 

Eu prometi que voltaria e o farei em algum momento. Ainda que seja para lhe rever uma última vez, como naquele filme em preto e branco, antigo, que tanto gostas. Será que pensa em mim quando os personagens se encontram e se apaixonam à primeira vista? 

...

Oh, my dear, o gosto do vinho em sua boca embriagou a minha alma e eu, logo eu, que sempre fui tão livre de amar, me vi — em poucos dias — enlouquecendo nas noites. Imaginando você nos braços de outros. Essa é uma das torturas que pratico todas as noites. Imaginá-la em outros braços, com movimentos de pernas, quadris. A maneira como os olhos de outro homem a devoram — silenciosos. As mãos tateiam sua pele aquecida. E o que era imaginação vira lembrança e eu bebo tudo junto como um gin tônica.

Não sei se ainda me espera! Se a sua solidão, depois que amanhece, é a mesma minha. Que face seus espelhos revelam quando você se reflete neles? Que pensamentos ocupam o seu coração antes de dormir? Será que se lembra de nós dois em cada amanhecer? O meu cheiro ainda se mistura ao seu, entre lençóis? 

Já estive em cada canto desse universo depois de tê-la e, em cada um desses lugares, vi alguém parecido com você. Cheguei a abordar uma moça pelo braço — coitada! —pensando tê-la reencontrado. Em Paris, persegui uma bela Mulher, elegantemente vestida. Tinha o seu caminhar seguro e ousado. Mas, não era você. Poderia ser, porque a gente nunca sabe quando o destino irá nos surpreender (de novo). 

Eu tentei outros amores, minha querida. Mas, ninguém conseguiu preencher certos espaços. E eu não consegui salvar nenhuma nação. Os planos foram desgastados — como você previu e eu fui murchando, desanimando um pouco mais. Tornei-me um homem diferente. Talvez esteja irreconhecível aos seus olhos, que viu o melhor de mim. Tanto vigor, paixão, planos. Hoje eu sou apenas alguém que finge, como o poeta português. Sou marido-pai, tenho uma coroa que pesa horrores e atribuições pensadas para o bem de alguns, sempre os mesmos, minha querida. Não tenho paz. O mundo está caótico e as delicadezas só me absorvem nas canções… em muitas noites, acordo em sobressalto pensando que é você para além do jardim. 

Já passei por invernos rigorosos, verões abrasadores e primaveras quentes, em manhãs quase igual a que vivemos… porém, foi em um outono recente e sem cor que decidi escrever e dizer: estou voltando. Que a vida não tem graça depois que você cruzou o meu caminho. Os dias se tornaram comuns dentro de mim e eu preciso de sua luz. Quero alcançar a Lua que dorme em seu peito. 

Será que você abriria as portas de seus salões para mim? Me reconheceria? Seria eu, declarado Rei, também em teus domínios?

Seu súdito!

Mariana Gouveia
Carta publicada no projeto Coletivo Casa de Marimbondos
Scenarium Livros Artesanais

Colheita · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Semeadura

Lhe disseram que em noite de eclipse
Semear é quase fazer amor com a semente…
Buscou no calendário pela data certa
Mas o gozo chegou antes e a semente brotou…

Muitas vezes… duvidava
da cronologia da semente.

Mariana Gouveia
Colheita
Scenarium Livros Artesanais

Afetos · Literatura / Crônicas

Das previsões rotineiras

A ausência descrita na palma da mão. Foi ali, que aprendi a voar – a descobri novos horizontes – e concluí que o céu era o limite. O muro era o detalhe para aprender barreiras e superá-las.

Divago sobre o tempo e suas previsões loucas… o guarda-sorte na rotina dos dias… Uma parede descreve poemas tortos… grafite louco de quem é lúcido por amar. O livro aberto tem o perfume além dos mapas. O oceano é imenso em suas lonjuras no meu quintal. A maresia não conhece a asa da joaninha que baila aqui.

O milagre é aquilo que não é natural e era quase dizer que eu estava aqui enquanto você chorava. A cal molhada escondia seu nome onde escrevi poemas… tudo era torto enquanto as tvs liam retratos perdidos na vida.

Alguém dizia que a sorte era adivinhada no primeiro sinal e eu não entendia o idioma de quem não conhecia a palavra amar. Feliz no jogo… feliz onde você quiser ser.

Mariana Gouveia

Das rotinas

305 – e os dias contam minha cidade

Cuiabá vai além das palavras quando amanheço… Suas rotinas entre as ruas que atravessou… O pão, em algumas janelas – ainda – leva meu pensamento para a minha meninice. O jornaleiro que agora usa uma moto cresceu. – virou homem, o menino.
As árvores se eternizam nos quintais. Outras, perdem espaço para o novo.
Cuiabá incendeia os dias em seu calor habitual ao mesmo tempo que aconchega aos que aqui chegam. É ponto de partida e de chegada. É novo e velho junto, mostrando uma senhora que teve de se adaptar ao tempo. O moderno se aliando ao antigo…
Um precisando do outro para se encontrar. Cuiabá me viu feliz, me viu chorosa, me viu sonhar. Me acolheu em suas ruas onde a poesia caminha ao meu lado. A cidade me dá a magia dos seus amanheceres… me oferece colo em suas paisagens que se renovam a cada dia. Tudo é novo todo dia. Tudo é o que já era dentro do que posso explicar.
Em seus 305 anos, Cuiabá é esse braço aberto para te abraçar.

Parabéns, Cuiabá!

Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – The Colors of the Rain

chove mais uma vez 
a infância é um pássaro aceso nos ramos das árvores 
um território de meteoros incendiados
numa bacia de plástico com água da chuva


José Carlos Barros

Bambina mia,

mais uma vez trago notícias da chuva que, ultimamente, tem caído todas as tardes no meu lugar. Engraçado, é que nunca reparei nas cores dela e o tema desse 6 de abril me fez reparar nesses instantes aquosos e deparei com minha cidade cinza ao longe… Ela, que sempre foi conhecida como cidade verde, vista da escada que dá para o telhado se apresenta, ainda que verde – pelas copas das mangueiras dos quintais vizinhos – me trouxe as nuances dos telhados antigos e predominou o cinza, essa cor tão natural para mim.

Sabe, bambina, acho que esse ângulo é o que você mais conhece de minhas chuvas. O bebedouro do meu pássaro de todo dia e o pé de ipê ao fundo, com seus verdes em diferentes tons. É daqui que eu te mostro os raios e gravo os ecos dos trovões para te enviar.

E por falar em pássaro de todo dia, acho que ele gosta mais das chuvas do que eu… quase não consigo registrar o banho dele sob a água. Me divirto vendo ele em um bailado dançante entre o varal de roupa e seu bebedouro. O verde-musgo de suas penas molhadas se misturam com o ipê ao fundo. Isso só é possível com a chuva espaçando.

Mas, sabe, bambina? As cores me encantam quando a chuva deixa seus rastros em meu quintal, nas flores que bebem da água e se misturam com ela. É possível ver a gota “engolir” as flores e parece até que a chuva deixou diamantes no meu lugar. Seja no fim da tarde, ou no sopro novo das manhãs, a chuva nos une e sempre grito seu nome por aqui. E curiosamente, sinto que a chuva sempre me traz um pouco de mar.

Você sabe que meu lugar é a cidade do sol, mas esse outono mudou os dias por aqui. As ipomeias que duram o tempo de um dia, com a chuva, desfilam suas cores em gotas e permanecem intactas até o anoitecer. Mas você sabe também que eu adoro o cheiro da chuva, logo assim que cai, na terra seca. O petricor é o perfume da chuva – já falamos disso – e ao te escrever imagino de que cor seria esse cheiro da terra recebendo as gotas da chuva… delírio meu, bambina… releve!

Pego o guarda-chuva e mudo os insetos de lugar sempre que chove, apesar de achá-los lindos com as gotículas sobre a carapaça. Mas, como a natureza é sábia, acho que eles mesmo sabem onde buscar abrigo nos lugares que já deixo preparados para eles. E muitas vezes, nem uso o guarda-chuvas não… adoro me banhar na chuva que cai em gotas dimensionais. Isso sempre me arranca sorrisos e me deixa colorida na alma e é assim que encerro minha missiva para você, para nesse fim de tarde, onde o ontem foi um tempo entre aspas me colorir nas cores da chuva.

Amo tu imenso!
Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes Silvana LopesObdúlio Nunes Ortega Claudia Leonardi