das coisas breves · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Dos bilhetes – 4

lunna guedes

Caiu um raio nos arredores da hora anterior. Ressoou por toda parte. Agora há clarões por trás dos prédios. As janelas estão acesas e a hora cheia me faz pensarem preparar uma xícara de chá. Eu ainda não desisti do cappuccino.
O olhar vez ou outra corre a paisagem lá fora. Assusto-me com a declaração de fim de ano piscando em algumas janelas. Não me acostumo com as festas de inverno em dias tão quentes. É como se estivessem se enganando – trocando as coisas de lugar.
Eu não sou uma pessoa de Natal – mas experimentei a data. Uma colega da Faculdade quis que eu fosse passar a data com a família dela. Foi estranho. Permaneci muda na maior parte do tempo. Ouvi palavras sonoras… frases inteiras. Mas não estava presente. Estava sentada perto da lareiras, era quase meia-noite. Faltava pouco quando me dei conta dos vazios que colecionava dentro.

Um pesadelo do qual não pude acordar. Fazia frio! Mas eu precisava escapar daquilo e ir lá para fora… caminhar calçadas.

Ficar longe… de mim.

Dos bilhetes
Publicado no Projeto Coletivo A Sul de Nenhum Norte
Scenarium Livros Artesanais

Continua…

das coisas breves · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Dos bilhetes – 3

lunna guedes

Você me fez pensar na infância… quando eu tinha vizinhos e escrevia histórias a respeito de cada um deles. Convivo com estranhos nessa hora cheia. Às vezes, esbarro neles no corredor ou no elevador.

Não sei as histórias e nem me interesso por elas.

Na semana passada… uma mulher do outro lado da rua – no prédio da frente, em sua janela acenou sorridente e mandou beijos. Não sei como lidar com isso. Parece um fantasma a morar na janela da frente. Eu os prefiro morando numa parede…

Nos quartos de hora, ao sair na varanda, meu olhar corre ligeiro até a janela de número oito – assegurando-me dos vazios que aprecio. E se não avisto a estranha criatura, respiro aliviada.
A outra janela – a que gostava de espiar… está fechada há tempos. Não há movimentos por lá. Não sei para onde foi a menina que gostava de se despir para olhares curiosos.

A chuva continua e os relâmpagos e os trovões.

Dos bilhetes
Publicado no Projeto Coletivo A Sul de Nenhum Norte
Scenarium Livros Artesanais

Continua…

das coisas breves · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Dos bilhetes – 1

lunna guedes

Escrevo-te nessa hora última. Explodiu um trovão ao longe e eu sorri para todos os ontens que trago na memória.
as nuvens foram se avolumando. O dia acabou pouco antes das três. A chuva caiu sonora, lavando o asfalto da Alameda, quando eu ainda estava a escolher uma lembrança para degustar – como num jogo onde se move uma peça.

Escutei dentro…o badalar do sino da Catedral – um eco dos dias vividos em pequenas aldeias.
As mulheres rezavam as seis em ponto… e as contas do rosário passeavam entre os dedos enrugados das mãos.

eu silenciava a minha voz e pensava na jogada seguinte, qual peça moveria: o bispo ou apenas um dos peões.

Por dentro, repetia versos malditos riscados na parede do meu corpo e me sentia feliz por pensar no inferno de Dante.

Dos bilhetes
Publicado no Projeto Coletivo A Sul de Nenhum Norte
Scenarium Livros Artesanais

Continua…


Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Meus Livros · Projeto Fotográfico 6 on 6

6 on 6 – escrito por uma dama

Bambina mia,

de onde venho a palavra dama tinha outro sentido. Talvez seja aquele mais antigo, cheio do charme do interior… por isso, talvez, meu questionamento em dizer o que a editora pensou ao citar a palavra dama. Eu acho que caberia mais a palavra mulher e suas nuances. A mulher e sua escrita aguerrida, a mulher e sua luta diária. Mas, já que falamos sobre escritos vou me ater aos escritos – por uma dama – E claro, que em minha lista você e seu clássico Lua de Papel em sua trilogia ocupa um espaço único. Ah, tá!… você vai dizer que sou suspeita e sou! assumo-me fã dessa trilogia e as mulheres que você retrata nelas.

Minha menina nuvem Suzana Martins e seu InverSus é esse arrancar de pele, de se desnudar e eu sou muito babona nela. Suspeita? Totalmente! E cabe inteiramente dentro do mio cuore.

Faço reverências todas as vezes que leio Rozana Gastaldi Cominal. Ela é maravilhosa e nos alcança com seus escritos vorazes. Retrata a mulher em seus mais variados jeitos.

Katia é essa explosão! Labareda. um UAU dito em voz alta e entre suspiro… E você sabe de meu começo de história com Katia Castañeda. Para mim, mais do que o olho de admiração, vem o fogo de seus escritos. É de arrepiar a pele e de queimar a alma.

E confesso, bambina, que quando leio Adriana Aneli eu sinto o sabor do espresso saindo da cafeteira mesmo sendo outro livro dela que esteja lendo. A escrita é saborosa e degustativa. Por falar nisso, vamos tomar café?

E para não dizer que não falei de damas para além das escritoras da Scenarium nem vou dizer nada sobre a escrita de Jane Austen, porque foi através de você que me vi debruçada nos escritos dela. Portanto, isso é culpa sua!

Claro que faltaram mulheres fabulosas da Scenarium e outras mais. Porém, em seis fotos eu só consegui absorver e sorver em instante o que me inspiro em você. Daqui a dois dias o mundo falará do dia internacional das mulheres. E depois disso, a roda do tempo girará até o próximo dia 08 de março e essas mulheres bravias terão sempre escritos para me inspirar dentro de minha forma de dama, “quase” recatada e do lar.

Bacio,
Mariana Gouveia
Participam deste ptojeto: Claudia Leonardi – Lunna Guedes – Silvana Lopes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Alice - Uma Voz nas Pedras · Das palavras das cartas · Lua de Papel · Lunna Guedes · Meus Livros · Projeto Diário das quatro estações · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Viagem literária

Para Mariana
Eu gosto de dizer que construo para olhares alheios, no caso, o seu – habitar! Gosto de pensar que. de palavra em palavra, eu vou me desfazendo de mim para que uma vez, em estado de abandono, você me encontre! E me leve com você…
Eu poderia lhe dizer: “divirta-se”, mas prefiro dizer: “embriague-se”, porque combina com café… essa realidade tão minha.

Lunna

Bambina mia,

Como se tornou rotina, uso o 6 on 6 para te escrever e como hoje você nos convidou para uma viagem literária, nada mais bonito do que embarcar com você nessa locomotiva que é a sua escrita. A dedicatória acima, que abre o post, já está borrada, amarelada pelo tempo, sinal de uma chuva que tomei e o Lua de Papel em mãos sofreu o dano.

Lua de Papel me arrebatou – você sabe e me vi tantas vezes em Alexandra – e já disse isso em uma outra missiva ou texto. Não me lembro bem agora. Teve momentos que eu quis sacudir Alexandra e tirá-la do lugar comum…Também já tive momentos em que quis pegar Raissa e acolhê-la em um abraço. Mas foi isso que você fez com seus leitores. Nos abraçou nos três livros Lua de Papel em uma história emocionante e instigante.

Já Vermelho por Dentro, foi como um pulsar do cuore entre um trovão e outro. Viajei literalmente pelas ruas de Paris e entrei de vez dentro do casarão e o vermelho que já me habitava intensificou alma adentro. Quem mais conseguiria me levar tão fundo em uma cor tão minha? Anne me levou pelo cenário da fotografia e também veio a vontade do abraço em alguns momentos. A sensação de estar ali, entre os personagens me fez sentir em uma viagem em 3d.

Sabe, bambina, Alice reverbera em minhas memórias tantas. Nas leituras compartilhadas com as meninas que acolho e que passam/passaram por coisas que Alice viveu. Alice é um soco no estômago. Um alerta vivo do tempo que vivemos. Conheço tantas Alices e sou grata porque seu livro me ajudou tanto, em tantos momentos. Já abracei tantas Alices e ao fazer isso, senti que abracei a personagem principal de sua história.

Para mim, o presente é para sempre

Septum é um presente e só dele caberiam tantas fotos. Mais do que o projeto comporta, já que só posso postar seis fotos e com meu protesto, viu? Gosto das histórias que entrelaçam nas minhas. Acompanho sempre o guarda da estação. Fui sua companheira em alguns momentos do livro. Ri na parte em que se sentiu uma personagem francesa. Guardei suas memórias como semente e dentro de todas as estações te abraço.

entre aspas


E por falar em Diário das Quatro Estações eu suspirei muito durante a leitura de Aos Sábados… segui sua receita – sem medida – como de costume, para o melhor lugar onde te acolho sempre: o mio cuore. É nele, que guardei as folhas pra dar-te. Não diria que dentre os seus livros seja meu preferido. É aquele que embalo, como se pudesse com isso fazer parte da sua história passada.

fecha aspas

E chego a última foto, bambina mia, ainda em voltas com os diários. Reticências foi o primeiro, mas foi o último seu que li. Foi a leitura que me levou pela mão, como se eu já soubesse de tudo que estava escrito, de tanto ouvir falar. Tenho as duas versões, o que me dá o privilégio de saborear as duas formas da sua escrita. Mas deixo aqui registrado nessa viagem que ficaram alguns de fora: Catarina voltou a escrever e Meus Naufrágios, além do “não livro” Profissão: escritora, que devia ser lido por todos que escrevem.

Embarquei com você nessa viagem ouvindo Leon, com uma xícara fumegante de café. Te levo comigo sempre. É quando me embriago, como foi dito na primeira dedicatória feita para mim. Dentro de sua realidade e personagens.

Grazie Mille!
Amo tu, tu, tu imenso.
Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes –Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega
Roseli Pedroso – Silvana

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Momento Polaroid

Bambina mia,

Já é dezembro e tirando a gente nem se tocou… e enquanto eu buscava pormenores no meu quintal alguns instantes se transformavam em eternidade, como se fosse a fotografia antiga, sacudida entre sopros. Devo confessar que eu poderia escrever-descrever tantos momentos que foram captados no piscar do olho. Lembra-se quando eu te disse: Chiquinho abre as asas bem na minha frente? Pois bem, eu consegui registrar. Foi instantâneo e não houve chance para segunda foto.

O sanhaço – pássaro que temos um quê de história – vive roubando água adocicada de Chiquinho e em nossas conversas entre o sanhaço daí e o sanhaço daqui mostrou curiosidade como se pudesse ver o que você descrevia e ele ouvia no viva-voz. Parecia que a vida inteira passou naquele instante e em um suspiro meu ele olhou e voou.

Alguns momentos desse ano, bambina, sumiram da memória. Acho que os que deviam mesmo ser esquecidos. Outros, se transformaram em lembranças guardadas, como se estivessem em uma caixa de fotografias. As imagens, contando história. O papagaio de peito amarelo se coçando no meu varal de roupas é um desses que fica. Quase um poema, na doce ternura em que se apresenta.

Sabe, bambina, a geografia do meu quintal se desenha em mapas feitos de asas… seja de borboletas, libélulas, joaninhas e pássaros. De vez em quando ou quase sempre, falamos de pássaros e suas nuances e acho que hoje, vou conseguir emoldurar em instantes nossas conversas: os cambacicas brigam no bebedouro e o instante se mostra aos meus olhos e agora aos seus.

Quase nos vejo frente a frente enquanto te explico o nome do pássaro que se choca no espelho da porta e espera no varal que eu saia da varanda para tentar de novo. – É suiriri – repito o nome para entre risos entender que você não entende dos nomes de aves, só das maritacas que em alguns dias invadem sua árvore de estimação e do sanhaço azul que fez o ninho em seu vaso de orquídea..

Bambina mia, sabe que para cada mês desse semestre que se encerra, uma asa se interpôs em nossa conversa e são esses instantes de ternura que a emoção nos liga nos instantâneos que uma descreve para outra. Chiquinho faz fita com a flor do pé e assim, o meu quintal nunca se faz solitário, porque mesmo sem nunca ter pisado por aqui sua presença está sempre marcante nesses instantes mágicos.

Grazie Mille!
Mariana Gouveia
Projeto fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes  Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Cláudia Leonardi e Silvana

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

29 – …ela pensou que algumas viagens são mais partidas que as chegadas.

Bambina mia,

a lua aparece no quadrante leste do quintal e a cena que se apresenta para mim traz esse misto de sensação que você sabe bem. A emoção do seu dia Coloco tua playlist no celular e vou me envolvendo de carinho por você.

A lua está cheia e deslumbrante! Já é manhã de 29 – madrugada ainda – e assim como acontece quando chove, quando vejo a lua chamo seu nome: Lunna tu! É o nome da “sua” playlist. Sempre ouço. Acho que é uma maneira de me ligar a você, mesmo dentro dessa distância que nos separa.

Já tivemos algumas partidas e chegadas e nossa história tem algumas cenas no aeroporto e pelas ruas do seu lugar. Eu mais cheguei aí do que parti? E se eu disser que sempre que parti me deixei aí no seu abraço e do tuo bambino?

Hoje, revendo as lembranças, percebi que os anos e essas datas não cabem em nós. A gente é de antes, desse e de outros tempos e algumas coisas nos ligam para além de outras pessoas e tão somente nós sabemos.

Você, comigo, é sempre oferta.. e confesso que algumas datas me tocam mais do que outras, como hoje. Tuo dia e você já sabe dos desejos do mio cuore para o tuo.

Então, para além das palavras e meu amor todinho dedicado para você vim trazer meu abraço.

Já te disse que sou grata ao universo e todas as folhas das árvores do mundo por você em minha vida? Já te disse que para além de partidas e chegadas nossos caminhos se cruzam, de alguma maneira, em outro tempo, outra história como se fosse a mesma?

Eu te amo e eu te amo tanto! Você é um dos melhores presentes que o universo me deu.

Auguri!
Grazie Mille!!!
Bacio
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega 

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – dos corações que vejo

“Ela me dava a mão e então nada mais faltava.
Bastava para que eu me sentisse bem acolhido. Mais que beijá-la, mais que dormirmos juntos, mais que qualquer outra coisa, ela me dava a mão e isso era amor”.

Mario Benedetti

Bambina mia,

acostumei-me a te escrever no dia 6 de cada mês… talvez, porque ninguém entenderia essa coisa estranha de ligar fotos com carta – ou missiva, como tu gosta de dizer – mas você sabe que em alguns momentos, imagens e palavras se unem em uma perfeição para além do que somos. Talvez, por isso, eu quis falar sobre o cuore… os que vejo aleatoriamente, são os cuores que meu olho alcança.

Já te contei, bambina, que meu olho vê coração em tudo quanto é lado? Era uma folha aleatória? Não! Vi um coração na secura do cerrado… os meus, dizem – que sou assim desde criança – que vejo coração em tudo que encontro.

A gente sempre brinca que coração é um músculo, mas para nós a palavra tem o ritmo do tum tum, mesmo quando ele absorve, em alguns momentos as lágrimas dos olhos. Ou quando a folha imita o choro da natureza nas gotas de chuvas. tanto eu quanto você amamos esse momento.

E as vezes, bambina, o nosso cuore parece metade… seja ocupado por alguém, seja cheio de saudades… confesso que sinto saudades – embora saiba que a palavra não te alcança – de tantos momentos com vocês. Dizem que nessa hora o cuore se ocupa com as lembranças dos momentos bons. Posso enumerar todos eles…desde o encontro no aeroporto ao café da manhã… desde a chegada, ao abraço de despedida…

Bambina, sabemos também que em alguns dias o nosso cuore parece estar em um quarto escuro – conheço essa solidão ou sentimento e tu também – e em outros é como se estivéssemos em uma escola de samba… Dá até pra ouvir as batidas.

Em outros momentos, é como se ele fosse pequeninho e um ser gigante tomasse conta dele. Já passou por isso, amore? Eu já! quando vejo o céu, a tarde, se apoderar das nuvens e o prenúncio de uma tempestade se aproximar, eu abro os braços e meu cuore chama pelo seu. Grito seu nome e preparo para os tuns-tuns… Seja em poesia, ou em cartas, o cuore sempre é o mote principal. Como hoje, que te ofereço o meu em forma de 6 fotos para retratar meus carinho.

Bacio,

Mariana Gouveia
Projeto fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna GuedesObdúlio Nunes Ortega Roseli PedrosoCláudia Leonardi

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

para além das flores do ipê

Bambina mia,

Devo confessar que todos os dias eu vigiava o pé de ipê em uma das avenidas principais da cidade. A minha expectativa era vê-lo florido e te escrever junto das flores.
Por dias a fio eu via os galhos secos e pensei que as flores esperariam o agosto fugaz para desabrocharem…
Mas, o tempo delas veio hoje, e corri para te mostrar o quanto o dia pode ser iniciado na singeleza das flores.
Faz tempo que não te escrevo – pensei nisso enquanto me preparava para vir ao trabalho – e quero reparar essa falha dentro dos dias corridos.
A segunda – feira chega na forma inesperada de um buquê. Que seja assim então diante do namoro com a vida.

Bacio
Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Lua de Papel · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Via Lunar

Em casa de menino de rua o último a dormir apaga a lua!
Giovani Baffô

Bambina mia,

revendo minha caixa de cartas percebi que faz tempo que não te escrevo e como no momento o papel não me cabe nessa noite de lua cheia, aproveito para fazer do satélite natural motivo dessa missiva digital chegar até você. Desde segunda, eu fico presa ao céu, durante a noite e em algumas madrugadas. Às vezes, tenho por companhia meu pássaro de todo dia…

Às vezes, é só ela mesmo, majestosa com suas crateras enigmáticas – confesso que vejo um menino de coroa – e de diversas interpretações. Confesso que nuca vi o dragão, mesmo usando toda minha imaginação. Você sabia, bambina que há mais de 150 luas no sistema Solar? Eu fiquei boba de saber que só Netuno possui 13! E Saturno, tão exibido tem 48 e ainda os anéis… eu fico olhando meu céu noturno, cheio de estrelas e todas essas luas além do espaço que vemos.

Você já sabe que sou adoradora de lua e ela sempre me encanta em suas diversas fases e como se estivesse esperando uma foto minha se apresenta tal qual o meme: tira foto, mãe! Tira foto! Essa, já estava amanhecendo quando as pombas se apresentaram para a foto pedida.

E como ando tal qual a poesia, ando irresponsável nas manhãs, o instante se repetiu, bambina… a menina que leva a sonoridade de seu nome – ou o seu o dela – se abre feito guarda-chuva para ver o avião passar. quase vira frase de cartilha de criança.

A gente já falou muito sobre ela. Lembra-se? Já falamos na canção da Ivete, no poema da Clarice, no Lua de Papel – meu livro – ou seria seu? preferido… e quando falamos dela sempre me vem à cabeça a canção Luna tu e cantarolo baixinho pensando em você e no seu idioma natural.

Seis fotografias são poucas para eu falar com você sobre a lua, bambina… é uma via lunar o meu quintal. Ela vem mansamente no quadrante direito, rompe o muro por trás do pé de ipê e se põe majestosa… em algumas outras noites, ela surge disfarçando Marte e sua importância em minha vida como se fosse um piercing. Quase vejo uma piscadela para mim. Em outras fases, eu a vejo metade, em forma de riso, em meia forma e tão nova que parece menina ainda.
Encerro minha missiva lunar para você, para que chegue até você alguns instantes meus, de lua, porque sou assim. Rá! Amo tu imenso!
Bacio!

Mariana Gouveia
6 on 6 – Projeto Fotográfico
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo: Lunna GuedesObdúlio Nunes