Afetos · Lunna Guedes

Subi as escadas da noite.

A chuva chegou junto com os trovões escureceu no meio da tarde. Confesso que estava com saudades de acender as luzes durante o dia e ler um livro deitada no sofá enquanto a goteira da cozinha faz o ploft ploft no balde que coloquei lá.

Fiz o café desviando do balde e voltei ao livro de poesias Heloisa Helena Garcia que ela fez em homenagem à mãe dela… lembrei-me de minha mãe e de como ela tinha medo de chuva como essa que cai agora. Na verdade, ela temia a fúria da natureza e fazia vários rituais para agradar a mãe terra e assim, quando viesse a chuva, essa seria mansa e tranquila. Sem os raios e trovões que a fazia sobressaltar e refazer a inspeção nos espelhos de casa para certificar se estavam cobertos pelos lençóis brancos.

Não puxei a ela nesse sentido. Adoro esses temporais estrondosos e os raios que cortam o céu. O cão se deita ao meu lado e espia meus movimentos. O moço daqui de casa diz que o mundo está acabando lá fora, uma metáfora para a tempestade que ele tem medo também. Gosto de ficar sob a água caindo. Traz um instante de felicidade para a alma.

Sempre conto para ele quando chove assim sobre minha aventura no telhado. Subi as escadas e deitei-me sobre as telhas e espiei o céu e seus rompantes entre relâmpagos, raios e trovões. Os irmãos gritavam por mim, temendo que um raio tivesse me acertado e eu evaporei… Me divertia ouvindo as teorias do meu sumiço enquanto a noite corria. Acho que cochilei quando percebi meu irmão mais velho me puxando pelo pé.

Depois daquele dia fui proibida de subir as escadas, que foi parar num canto da parede da casa pelo lado de fora enquanto minha mãe soltava uma ladainha dos perigos que passei. Ele sempre escuta atento a minha história como se fosse a primeira vez que ouve. Pede mais uma xícara de café enquanto a chuva cessa lentamente. Acabo minha leitura enquanto os Aleluias – os bichinhos da chuva – buscam a luz da lâmpada e a noite chega de vez no meu quintal.

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes

Descompondo-se a cada voo, a cada passo

Não precisa se acostumar – penso eu enquanto o carro corta a alameda dos bosques. Pensei nisso depois de reler seu texto de hoje. Quem disse que precisamos seguir regras e determinar quando a vida continua depois que a gente perde alguém que é nosso norte? Que bússola nos direciona quando nem nós sabemos para onde queremos ir/estar/ficar?

A gente podia ter duas vidas. Só uma vida não é suficiente para a gente viver tudo. e é como se o tempo se demorasse depois que a pessoa vai e a gente se lembra de tanta coisa que queria dizer e não pode, ou esqueceu de dizer… ou aproveitaria o último silêncio com um abraço, ou ficaria apenas saboreando o calor das mãos juntas.

Podia ter outra oportunidade de encontros, de olhares cumplices e de leitura feitas acompanhadas de xícaras de café. Enquanto ele a espera e o texto é criado, ele podia apaixonar-se outra vez naquele momento, e várias outras vezes. Mas, infelizmente, a vida é só uma, essa cruel que nos arranca a alma e nos deixa inerte em tantas situações de falta. A gente não deve se acostumar e pode reclamar e pode sorrir em seguida, porque é assim que a vida também deve continuar com esse balde de saudade que nunca esvazia.

E quando a tempestade fizer o seu rugido lá para os lados do sul, e os trovões cantarem a chuva ele deve ser lembrado. Seja com um sorriso, ou uma lágrima.  Ou muitas, porque quem a gente amou não se apaga depois de alguns meses. Não se apaga depois de anos e não se apaga nunca.

É certo de que precisamos encontrar uma maneira de fazer a engrenagem rodar mesmo com o peito rasgado em dor e falta…, mas, não há um calendário específico que diz quando isso acontece. Nem um relógio biológico que se adapte totalmente pela falta de alguém tão importante em nossas vidas.
Mesmo adiantando ou atrasando os ponteiros de todos os relógios de todos os tempos, o que foi feito de palavras fica para sempre na história escrita e contada.

Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Eu queria (só) perceber o invislumbrável.

Ph; Pinterest

Logo que comecei a trabalhar no rádio, lá pelos anos 80, a gente recebia várias cartas dos ouvintes, onde pediam músicas, contavam histórias. Era outros tempos. Foi quando comecei a receber as cartas de A. Sade. Um jovem, segundo ele, de 28 anos, que morava no meio da floresta amazônica. No interior do estado de Mato e sua grandeza que alcança os biomas todos.

Naquele tempo, as estradas eram escassas e quando havia ou os carros atolavam, ou a poeira tomava conta de tudo, junto com os buracos. Sade falava sobre a floresta e seus habitantes e eu, a menina recém-chegada no rádio contava sobre minha história. A floresta, por si só, me encantava. Me fazia lembrar da minha floresta da infância. As letras miúdas e a ansiedade para que a cada quinze dias o carteiro me trazia notícias dele e levava as minhas.

Não era nenhuma conversa romântica, nem nada que me fizesse pensar em namoro ou algo assim. As começavam com um “oi, querida! Como tem passado?” e a ele discorria sobre o pássaro diferente que ele havia visto na manhã do sábado passado, com a data específica e as cores… Eu, respondia sempre com um “oi, moço, eu vou bem e você?” e contava sobre o novo amigo que fiz que trabalhava no cemitério e dividia o almoço comigo. Ele temia a palavra c e m i t é r i o… eu adorava a palavra e s p í r i t o d a f l o r e s t a.

Foi através das cartas que conheci o Tangará azul, e suas especificidades. Uma fotografia veio em um dos envelopes e me mostrava o tal pássaro, que tinha o nome de uma dupla sertaneja local, que a gente tocava na rádio. Ele já conhecia a canção… e dizia que seu velho rádio conseguia pegar as Ondas Médias da rádio que eu trabalhava.

Às vezes, pela demora da entrega, chegavam duas cartas juntas… Eu sabia o nome dos cães, do cavalo, da fazenda que se chamava Esperança e ele entendia meu luto recente pela perda de minha mãe… de que eu havia dormido no banheiro, no horário de almoço, porque estava muito cansada. Também sabia que meu pai havia ido embora e eu havia ficado com meus três irmãos mais novos.

Uma das alegrias que compartilhávamos era receber o envelope com listras verde e amarela e devorar de uma vez o que a floresta me trazia e a cidade levava até ele. Até que um dia, perguntou-me sobre namoro-namorado e eu respondi que preferia estudar, trabalhar e cuidar dos meus irmãos até que se tornassem adultos e escrever um livro.

O próximo envelope trazia quase que um bilhete… poucas linhas e ao invés do “oi, querida!” tinha apenas meu nome, sem a abreviatura que acontecia, às vezes, e algo que lembrava o fim de um sonho e um ponto final na palavra, sem um tchau, adeus ou até breve e um aviso de que não precisaria responder e que aquela seria a última carta. E foi.

Mas sempre me lembrava da floresta que ele descrevia e de como a natureza preenchia a vida de um modo tão simples, mesmo com um sonho sonhado só.

Mariana Gouveia

Lunna Guedes

Os pingos escorrem pelas vidraças.

Ph: Rosie Hard

Tenho alguns dias atrasados na memória. O relógio na sala de espera marcou a hora errada. O brinde da vida é feito com asas. É o sabor do vento preso na garganta. Qualquer grito é eco no abismo. Quase a castigar a alma. O copo vazio. Só a leveza dos voos riscando as paredes em temas de vontades que escrevi na ponta dos dedos e no sabor da boca. 

A metamorfose esvaindo no sentido da vida. Alguém se despede para sempre. A curva do céu desenha a curva do copo. O líquido que definha a vontade do beijo. Metade asa, metade pouso. A artéria a espera de chuva. As palavras rabiscadas no espaço. Era cratera quando o buraco roía. Costuro as asas em ponto russo. Em dias difíceis a gente precisa de heróis. Alguns tem eles estampados em camisetas, enquanto eu prefiro os que voa…

Os trovões da primavera ecoam aqui e eu repito o ritual de chamar seu nome.

Aviso no beiral do jardim suspenso que os lírios resolveram renascer e oferece abrigo para a vida minúscula que passa por ali. É a morada onde a flor se esconde da chuva. A rotina muda diante da previsão do tempo. Refaço o horóscopo do dia para intenção do agora…A vida miúda foge do dia de chuva. Alguém na vizinhança me oferece fragrância de café coado. Enquanto aguardo a concordância dos astros para a leveza das horas respiro a sonolência do cão. Tem dia que é esse abismo no tempo.

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Chegou outra carta no quarto de hora.

Bambina mia,

Hoje será uma segunda-feira atípica por aqui. Levantei-me as quatro e trinta da madrugada… o sol já desenhava seus traços no céu. Uma mistura das cores do crepúsculo que sei que você ama tanto. Pelo menos aqui está clareando mais cedo. Lembro-me de que era para ser o malfadado horário de verão.  

Aqui também choveu a noite inteira e recolho as folhas que caíram enquanto a água ferve para o café. Você sabe que faço meu café do modo antigo… o coador de pano já espera paciente as 3 colheres generosas de pó e uma de açúcar.

Coloco a rádio online que acompanho enquanto lavo as louças do ontem. Os afazeres da casa tomam uma parte da minha manhã porque tenho hora marcada no cabeleireiro.  São coisas necessárias, mas que mudam minha rotina de andar com o cão entre as duas esquinas antes que o calor invada tudo aqui. A moça do tempo disse que atingiremos a máxima histórica. Creioemdeuspais! Há alguns alertas coloridos na região do meu lugar.

Quando volto do salão, o sol já mostrou seu cartão de visitas e o que era para ser parcialmente ensolarado atinge o que penso ser o ponto extremo da janela dele. Preparo os pacotes para entregar na parte da tarde e enquanto busco alguns adereços para enfeitar o laço me deparo com alguns envelopes vermelhos e uma missiva antiga sua. Aparece a data de um último dia de maio de 2017. As memórias me abraçam.

Você me perguntou se eu vi para onde foram as outras horas… acho que voaram entre nossos quintais porque me assusto com o relógio que já assinala meio-dia.  Tenho pouco tempo entre o almoço e meu compromisso. As nuvens já aceleram no céu com presságio de chuvas e de temporal – como a moça do tempo falou – e isso me faz colocar a sombrinha na bolsa para não esquecer.

Olha só como o tempo, vento muda tudo por aqui. Já ouço trovões para os lados do sul e sigo rua acima para pegar o ônibus…. onde releio sua missiva algumas vezes e isso me faz abrir um sorriso.

Grazie por isso!
Bacio

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes

Rindo-me de dentro de um silêncio que me apraz.

Ph: Pinterest

Há solidão que olha o mar como se fosse rio e há dias em que o verão ataca a primavera na densidade das coisas. O intervalo dos dias faz qualquer dia ser domingo e sua monotonia sem programa especial na TV e o céu cinzento a desenhar chuvas para os lados do sul.

Eu passo todo o dia sobre pensando no rio e ele ecoa a vontade de mar e seus pássaros acendem em cantos a pena da gaivota esquecida onde antes era o pássaro de todo dia.

A natureza mente em seu estado de leveza, mesmo que o ritmo do vento seja assombroso em algum canto. Uma melodia feita dentro do assobio lembra a canção que ocupa a mente e o coração… Era preciso tanta coisa para ser tudo. Até a poesia que você me apresenta quase todo dia.

Os voos nascem na palma das mãos. Viram pulmões para o respirar alado. O Universo é feito de asas e o bater delas causa um caos onde o caos já existe.

O mundo traça uma paralela entre o acaso e a solidão, que é um bicho feito de asas e tem um relógio bomba a explodir feito asas quando voa e pousa.

Havia um silêncio constrangedor no quintal e li o poema em voz alta para acabar com essa vaga sensação de estar só.

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes

Os telhados estão molhados.

Gostava do barulho da chuva no telhado. Parecia um mantra entoado pela natureza.

Gostava também das brincadeiras com os irmãos. Faziam cabanas debaixo da mesa… o lampião a iluminar a noite. Os vultos a relembrar as histórias do pai sobre assombrações… um a um tentando parecer que não tinha medo das coisas.

Os grilos, em algum lugar a tocar sua melodia. Lá fora, os raios a cortar o céu. A mãe a contar histórias que lia nos livros. Um arco-íris cobre a casa. A lenda sobre o pote de ouro é contada.

Um bolo a assar no forno e o chá de erva doce a exalar perfume do instante marcado para sempre – todas as vezes que o cheiro, de uma forma ou de outra invadia os lugares onde passava – e por isso, adorava os dias de chuvas e hoje, olhando a chuva que cai sobre os telhados vizinhos as lembranças traziam saudades.

Mariana Gouveia

Lunna Guedes

Tarde da noite recoloco a casa toda em seu lugar.

Sexta-feira e amanheceu sem energia elétrica. Um estrondo na madrugada chamou a atenção da vizinhança. Um caminhão desgovernado atingiu alguns postes da região, algumas casas e o bairro inteiro ficou sem luz.

Nos últimos dias isso ficou rotineiro devido às fortes chuvas. As chamadas tempestades de verão ainda dentro da primavera. Engraçado como a falta de energia faz com que o silêncio me faz ouvir melhor o que acontece nas casas vizinhas.

Um bebê recém-nascido chora, o gato que vive atravessando o muro desafiando a lógica de andar sobre os cacos de vidros colados nele – ideia de minha sogra quando o terreno ainda era dela – mia como se pedisse ajuda. Yoshi late e tenta espantar o gato… quase nunca dá certo.

A menina que mora de frente reclama do calor e do uniforme que não foi passado, enquanto a avó repete o mantra de sempre: eu avisei. Devia ter feito isso ontem. Consigo ouvir até os sons da rua de cima. Lá, tem um pica pau que tenta há meses fazer um buraco no poste. Ouço o toc toc e preparo a máquina fotográfica, porque já conheço o ritual dele. Logo estará aqui no poste da frente de minha casa também. Dessa vez, são dois, que se equilibram enquanto tentam a sorte de todo dia.

Os pássaros se misturam nos chilreios e alguém da casa da esquina reza junto com o locutor da rádio que tem um programa evangélico. Logo mais acima um carro buzina e mais alguém lamenta o calor. Ainda é cedo e os homens da empresa de energia parecem não ter pressa.

Ouço falarem do motorista do caminhão, que segundo alguns estava bêbado, enquanto outros citam um mal súbito. A casa da esquina da rua de cima ateve seu muro derrubado e a vozinha me pergunta quem pagará pelo prejuízo. Não sei responder e retorno para casa.  O sol já invade o quintal e o vem dos carros parece maior hoje, na minha rua.

No céu, nenhuma nuvem e o barulho da batida do bico do pica pau na madeira dura quase a manhã inteira. Não tem como não lembrar do desenho famoso… Converso comigo mesma sobre como a energia elétrica move a vida de toda uma cidade. Lembrei-me do tempo das lamparinas e do lampião. A carne era frita e enlatada para durar meses, ou seca como se fossem roupas penduradas no varal. Outros tempos.

Debaixo do ipê, confiro os bordados da encomenda enquanto tudo já está quase sem bateria. Ouvi a resposta de um dos homens para alguém que perguntou sobre a hora do retorno da luz e o “as quinze horas” me preocupou. Confiro mais uma vez se retirei todos os aparelhos da tomada e saio para meu compromisso, que não pode esperar… quem sabe, à noite, quando voltar coloco a casa toda no lugar.

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes

Fiz misérias nos caminhos do conhecer.

Há alguns dias percebi um cachorro novo na rua… um não! Três. Mas, um em especial fala comigo sempre que abro o portão.  Não sei ainda de qual casa ele é, mas ele está sempre por perto, e ao menor sinal meu próximo ao portão o percebo rondar de longe meus passos.

Todo preto ele late como se me chamasse o que causa um desconforto no meu Yoshi que o expulsa com latidos como se dissesse que o lugar é dele e ninguém tasca.

Não é um cachorro de rua, mas vive debaixo da árvore quase o dia todo. Ou perambula entre minha rua e a rua de cima. Geralmente, os outros dois o acompanham, mas ele se sobressai. Como perdi recentemente minha Lolla, e havia ainda muita ração, fui aos poucos colocando em uma vasilha na minha calçada para eles e/ou os gatos da rua.

Agora, todas as tardes ele me chama no portão. Responde as minhas perguntas em seu linguajar único. Ainda é novo e conheci sua dona a pouco. Uma senhora simpática, de riso fácil e olhar doce. Descobri que ele se chama Trovão, devido ao seu latido forte e que ele e os outros dois – menos acessíveis a mim – haviam sido adotados ainda pequenos.

Parece que nos conhecemos de muito tempo… ele vem, aceita a comida, os carinhos, conversa comigo e segue rumo à sua casa cinco casas acima da minha. Acho que ganhei um amigo.

Mariana Gouveia

Afetos · Lunna Guedes

Quando morrer os caderninhos irão todos para a vitrine da exposição póstuma: relíquias.

Ph: Pinterest

Quando completei meus doze anos veio a notícia de que iríamos mudar para a cidade. Os irmãos mais velhos teriam que estudar para formação de trabalho e a fazenda seria vendida. Confesso que para mim, ir morar na cidade significava não vivenciar as magias que minha bá me proporcionava e isso me deixou emburrada e triste por dias… até adoeci.

Meus irmãos vibravam com as coisas novas que podiam fazer e experimentar.  A escola da cidade era diferente da que a gente frequentava na roça, e tudo era novidade. Somente eu que sentia a falta dos meus lugares e para amenizar ou melhorar meu humor fui matriculada no curso de datilografia – incentivada de que poderia escrever minhas histórias na máquina que eu ganharia assim que aprendesse a lidar com ela – e na aula de piano – sonho de meu pai.

As mãos que até então usava o lápis para escrever meus textos na meninice agora recebia a palmatória quando errava as teclas da tal máquina e do piano.

A máquina consegui domar em pouco tempo e passei com louvor, mas duas casas abaixo da escola de datilografia, a professora de piano entendeu que a música me alcançava de outra forma, para desgosto do meu pai.

Com o certificado em mãos foi a hora de meu pai cumprir a promessa e ganhei a pequena máquina Olivetti vermelha, mas tinha que dividir com a metade de meus irmãos, principalmente com a mais velha que fazia o balanço do Supermercado Brasil que meu pai havia comprado. Mas por algumas horas, a máquina era só minha e as histórias haviam modificadas. As aulas de português me encantavam. A fazenda foi ficando apenas na memória e nas coisas que eu escrevi… os cadernos ainda guardo alguns… outros, se perderam com as mudanças – assim como a pequena máquina – que se tornaram rotineiras até chegar nesse lugar. O que não mudou foi que ainda continuo a escrever e a contar histórias

Mariana Gouveia