Gostava do barulho da chuva no telhado. Parecia um mantra entoado pela natureza.
Gostava também das brincadeiras com os irmãos. Faziam cabanas debaixo da mesa… o lampião a iluminar a noite. Os vultos a relembrar as histórias do pai sobre assombrações… um a um tentando parecer que não tinha medo das coisas.
Os grilos, em algum lugar a tocar sua melodia. Lá fora, os raios a cortar o céu. A mãe a contar histórias que lia nos livros. Um arco-íris cobre a casa. A lenda sobre o pote de ouro é contada.
Um bolo a assar no forno e o chá de erva doce a exalar perfume do instante marcado para sempre – todas as vezes que o cheiro, de uma forma ou de outra invadia os lugares onde passava – e por isso, adorava os dias de chuvas e hoje, olhando a chuva que cai sobre os telhados vizinhos as lembranças traziam saudades.
Mariana Gouveia
