Há solidão que olha o mar como se fosse rio e há dias em que o verão ataca a primavera na densidade das coisas. O intervalo dos dias faz qualquer dia ser domingo e sua monotonia sem programa especial na TV e o céu cinzento a desenhar chuvas para os lados do sul.
Eu passo todo o dia sobre pensando no rio e ele ecoa a vontade de mar e seus pássaros acendem em cantos a pena da gaivota esquecida onde antes era o pássaro de todo dia.
A natureza mente em seu estado de leveza, mesmo que o ritmo do vento seja assombroso em algum canto. Uma melodia feita dentro do assobio lembra a canção que ocupa a mente e o coração… Era preciso tanta coisa para ser tudo. Até a poesia que você me apresenta quase todo dia.
Os voos nascem na palma das mãos. Viram pulmões para o respirar alado. O Universo é feito de asas e o bater delas causa um caos onde o caos já existe.
O mundo traça uma paralela entre o acaso e a solidão, que é um bicho feito de asas e tem um relógio bomba a explodir feito asas quando voa e pousa.
Havia um silêncio constrangedor no quintal e li o poema em voz alta para acabar com essa vaga sensação de estar só.
Mariana Gouveia
