Não precisa se acostumar – penso eu enquanto o carro corta a alameda dos bosques. Pensei nisso depois de reler seu texto de hoje. Quem disse que precisamos seguir regras e determinar quando a vida continua depois que a gente perde alguém que é nosso norte? Que bússola nos direciona quando nem nós sabemos para onde queremos ir/estar/ficar?
A gente podia ter duas vidas. Só uma vida não é suficiente para a gente viver tudo. e é como se o tempo se demorasse depois que a pessoa vai e a gente se lembra de tanta coisa que queria dizer e não pode, ou esqueceu de dizer… ou aproveitaria o último silêncio com um abraço, ou ficaria apenas saboreando o calor das mãos juntas.
Podia ter outra oportunidade de encontros, de olhares cumplices e de leitura feitas acompanhadas de xícaras de café. Enquanto ele a espera e o texto é criado, ele podia apaixonar-se outra vez naquele momento, e várias outras vezes. Mas, infelizmente, a vida é só uma, essa cruel que nos arranca a alma e nos deixa inerte em tantas situações de falta. A gente não deve se acostumar e pode reclamar e pode sorrir em seguida, porque é assim que a vida também deve continuar com esse balde de saudade que nunca esvazia.
E quando a tempestade fizer o seu rugido lá para os lados do sul, e os trovões cantarem a chuva ele deve ser lembrado. Seja com um sorriso, ou uma lágrima. Ou muitas, porque quem a gente amou não se apaga depois de alguns meses. Não se apaga depois de anos e não se apaga nunca.
É certo de que precisamos encontrar uma maneira de fazer a engrenagem rodar mesmo com o peito rasgado em dor e falta…, mas, não há um calendário específico que diz quando isso acontece. Nem um relógio biológico que se adapte totalmente pela falta de alguém tão importante em nossas vidas.
Mesmo adiantando ou atrasando os ponteiros de todos os relógios de todos os tempos, o que foi feito de palavras fica para sempre na história escrita e contada.
Mariana Gouveia

A deeply emotional and beautifully written reflection on loss. It captures how life goes on, yet never in the same shape — and how memories stay alive through our feelings, without timelines or expectations. 🌧️💛✨
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Thanks! Hugs
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