Tenho alguns dias atrasados na memória. O relógio na sala de espera marcou a hora errada. O brinde da vida é feito com asas. É o sabor do vento preso na garganta. Qualquer grito é eco no abismo. Quase a castigar a alma. O copo vazio. Só a leveza dos voos riscando as paredes em temas de vontades que escrevi na ponta dos dedos e no sabor da boca.
A metamorfose esvaindo no sentido da vida. Alguém se despede para sempre. A curva do céu desenha a curva do copo. O líquido que definha a vontade do beijo. Metade asa, metade pouso. A artéria a espera de chuva. As palavras rabiscadas no espaço. Era cratera quando o buraco roía. Costuro as asas em ponto russo. Em dias difíceis a gente precisa de heróis. Alguns tem eles estampados em camisetas, enquanto eu prefiro os que voa…
Os trovões da primavera ecoam aqui e eu repito o ritual de chamar seu nome.
Aviso no beiral do jardim suspenso que os lírios resolveram renascer e oferece abrigo para a vida minúscula que passa por ali. É a morada onde a flor se esconde da chuva. A rotina muda diante da previsão do tempo. Refaço o horóscopo do dia para intenção do agora…A vida miúda foge do dia de chuva. Alguém na vizinhança me oferece fragrância de café coado. Enquanto aguardo a concordância dos astros para a leveza das horas respiro a sonolência do cão. Tem dia que é esse abismo no tempo.
Mariana Gouveia

Alguém se despede para sempre… e a alma gruda no corpo e me manda preparar uma xícara de café!
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Aceito chá. Serve?
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