Corredores, Codinome Locura

b.e.d.a – manhã acontece no equilíbrio da asa…

Um avião cruza o céu e o pássaro voa em sua rotina de ninho.
A libélula em seu ritmo de pouso, e eu, na docilidade de sua voz, voo.
Tudo vibra na delicadeza do instante.

Mariana Gouveia
Cadeados Abertos – Diário das Quatro estações
Scenarium plural Editora

*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.

Cadeados Abertos · Projeto Diário das quatro estações

b.e.d.a – A palavra do dia é suspirar.

O dia não acontece laranja por acaso. Não fosse por causa da cor, seria pela maneira que me traz recordações. As lembranças tomam conta de mim, enquanto o ônibus apressa o dia em seu destino.
A manhã acontece diante dos olhos.
Idiomas diferentes…
Palavras novas…
– Aprendizagem.

O acaso acontece quando a voz do outro lado da linha se encanta pela borboleta…
Céu, suspiro, gozo. É o viver todo dia… a mesma história – de jeito diferente. Com novos tons, sons – novas palavras. O amor a descobrir nos olhos do encanto.

À tarde, a vida acontece em velocidade máxima… o relógio para no instante seguinte. Respiro a tonalidade do céu que se prepara para abraçar a noite.
A palavra do dia é suspirar.

Mariana Gouveia
Cadeados Abertos – Diário das Quatro estações
Scenarium plural Editora

*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.

Alice - Uma Voz nas Pedras · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Alice, entre voz e o oceano…

Bambina mia,

Sabe, bambina, a primeira vez que li Alice aconteceu em um sem fôlego. As palavras me dominaram e foi como se bebesse de um gole só todo café da xícara e depois, vem a sensação de que preciso levantar, ir até a máquina preparar mais uma xícara e daí, então, beber pausadamente. Foi assim com Alice. Mas eu não estava só e preciso te falar de Ana.

Ana, é o meu mundo além mar. Falamos de poesia, de trabalhos, de sonhos, de amores, de desejos e de livros. Alice surgiu em nossas conversas e resolvi ler Alice com Ana, através de um aplicativo de vídeo de uma rede sociais.

Em seu horário de almoço ou nas horas vagas, contornando o fuso horário, com Alice em mãos a gente falava de coisas sobre sua escrita. Da maneira que você envolve a gente em uma história e Ana tornou -se minha companhia diária das 10:00 às 10:30 na missão de desvendar um livro para alguém que também é apaixonada por literatura.

Dessa forma, bambina, Alice chegou mais densa para mim e desenhávamos juntas as Alices que a gente conhece nos quatro cantos de lugares diferentes além mar ou aqui. Já não era uma história minha, com a xícara vazia de café… Alice se transformou nos prazeres das conversas entre o bule na mesa e as xícaras com seus pires com corações talhados, além do bolo de fubá, de laranja e a receita trocada no fim de cada capítulo.

Chegamos ao fim do livro e a experiência da leitura, feita em companhia tão gentil, levei seu livro para o outro lado do oceano através de minha voz. A sensação é quase de orfandade. O ritual era algo preparado para através de uma tela de um celular ou notebook o saber/sabor do livro entendido, sentido e compartilhado.

Queria que soubesse disso em forma de carta, que é a forma que consigo dizer para além das palavras que sua escrita me envolve.

Grazie!
PS: Ah, e começamos Lua de Papel!

Mariana Gouveia
Projeto Artesanal Alice, uma voz nas pedras de Lunna Guedes.
Solicite o seu exemplar através do WhatsApp 11 9-91341745

Scenarium Livros Artesanais

Céu da boca

I

A boca, enquanto vontade
rouba a chave dos teus lábios…
E prepara-se para o beijo

II

Que se traduz…
Em fúria!

III

E o voo conhece,
acontece
na infinita dispersão do ser.

Mariana Gouveia
Projeto Coletivo
Scenarium Plural Editora
*Imagem: Pinterest

Cadeados Abertos · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

Sorte do dia

Atravessou meu caminho. Pediu para ler a minha mão. Eu descrevi poesia no dia.
Ela jurou que via mar na trilha do destino.
Senti o sal na boca. Nos meus cabelos havia jeito de maresia.

Olhou bem nos meus olhos e riu. Previ encantos na vida dela. Estendeu-me a mão e pediu que eu a lesse. Sou analfabeta de sonhos – ela disse.

Em dois sopros de vento dei-lhe a sorte do dia.
Palavra de ordem: Acreditar.

Mariana Gouveia
Diário das Quatro Estações – Cadeados Abertos.
Scenarium Plural Editora
*imagem: Pinterest

Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6

Projeto Fotográfico 6 on 6 — Bonapetito

Minha mãe dizia que comer curava… ainda me lembro de meus irmãos e eu em volta da mesa de madeira pura e as panelas ainda fumegando em cima do fogão de lenha e ela incentivando a nós que a comida curava – cura a alma, a fome e a pele.

Quando se fala em comida ou bonapetito o que me lembro é do cheiro da horta e dos legumes frescos. Talvez, o que me leva à toda minha infância – e é o que me move em todos os momentos – é o cheiro da terra molhada, lembrando colheita… seja de abobrinha ou pimentas. Nossa horta fazia um L na casa e era cercada com arames, para evitar o ataque das galinhas. Ali, tínhamos ervas frescas e todos os tipos de legumes e hortaliças. Trocávamos com os vizinhos de outras fazendas naquilo que ainda não havíamos plantado.

Sou goiana e as comidas típicas da região até hoje são de dar água na boca. Com o pequi fazíamos desde licores, até as conservas que duravam até 6/8 meses e o bendito arroz com pequi me traz a alma e o sabor do lugar onde nasci.

Hoje, tenho minha própria horta… cercada, por causa de Lolla – minha cachorra branquela azeda, que insiste em brincar de piscina de terra, caso eu me distraia. As ervas, as pimentas e tomates colho na leveza dos dias. O alecrim que me traz a canção da infância:
Alecrim, alecrim dourado…
e a cebolinha, o coentro e a salsinha que perfumam minha cozinha.

Eu poderia colocar aqui mais de mil fotos, que retrataria a união, o amor e a força que me faz quando volto ao meu lugar.
Minha irmã mais a velha a dominar o fogão a lenha, as frutas, ainda intactas, no mesmo pomar, como se estivessem só esperando que eu chegasse para colher… O peixe fresco, pescado logo ali, no ribeirão onde banhei e os biscoitos com cheiro e gosto de mãe.

Talvez, você estranhe ao ler, mas a foto acima é o único alimento que não me falta todos os dias. Seja um ou outro… Ou todos juntos. É a minha porção de magia que me leva ao que é meu, ao que eu sou e ao que serei. Pode ser que seja o cheiro do alho dourado ao acrescentar os legumes na panela. Pode ser que seja apenas pela lembrança de minha mãe e daquilo que ela mais gostava. Mas pode ser apenas porque eu estou faminta e vou ali para meu jantar.
É servido?
Bonapetito!

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 — Bonapetito
Scenarium Plural Editora

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Chegar ao ponto

Uma demora lenta nas palavras
um calor bom na palma das mãos

uma maneira de gostar das pessoas e das coisas
sem tolher movimentos ou forçar as superfícies
beber aos golinhos o café a ferver
ou o whisky chocalhado com pedrinhas de gelo

viver viver roçando as coisas ao de leve
sem poupar o veludo das mãos e do corpo
sem regatear o amor à flor da pele
olhar em torno de si perdida ou esperar o verão
e saber de um saber obscuro que o calor
todo o calor é de mais dentro que vem


Rui Caieiro

Bambina mia,

Escrever-te é me deixar ser levada até tua cozinha. A mesa – como adoro aquela mesa – e o bolo de fubá ainda a se anunciar em cheiro. Devia ter comido mais um pedaço antes de partir.

As tuas mãos a desenhar as receitas, para mim, já eram poesias vividas ao vivo e a cores. Jane dog a se embolar em meus pés e o café a exalar seu cheiro nos corredores que me leva até o elevador e tuo bambino a separar as páginas de mais um livro na sala.

Sou de sentir os cheiros e aspirá -los antes mesmo de tudo pronto. Brinco que em outra vida – se existiu outra vida – devo ter sido cão. O faro é bom! Por isso, talvez, desde nossa conversa sobre o ponto do cozimento das batatas antes de irem ao forno o que me levou em aromas e cheiros foi o molho da laranja.

As superfícies da cozinha e os utensílios me levam ao equilíbrio da palavra: chegar ao ponto e lembro – me da toalha que acabei de bordar. Os pontos, um a um fizeram um coração de tomates, uvas e flores. Embora seja diferente, o ponto deve se entranhar no tecido com as linhas e suas cores e com isso formar o desenho que se espera… assim como as batatas ao serem cozidas a aguardarem o ponto exato para serem assadas e por fim, o molho.

Acho que vivemos as duas de lembranças, bambina. Tu, de tua terra e os teus e eu, da infância, para onde volto de vez em quando a relembrar os cheiros. Primeiro, da horta feita logo atrás da casa e do cheiro da terra molhada enquanto os legumes e verduras eram colhidas por minha mãe. Depois, do pão de milho e as pamonhas a serem cozidas, até chegar no ponto de poder abrir a folha e saborear.

Para você ver que estamos desde sempre esperando que algo chegue ao ponto. Do caramelo ao molho da laranja. Da bruschetta derretendo o queijo ao café ristretto a invadir os quintais e corredores. Tanto aí, quanto aqui e devo dizer que um cheiro de chuva rodeia meu lugar e trovoa. Embora, trovão não tenha cheiros, mas é a primeira coisa que me leva até você, sem passar do ponto.

Grazie,
Bacio

Mariana Gouveia

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

Projeto Fotográfico 6 on 6 – Cores

Meu coração é vermelho, hei ! hei !
De vermelho vive o coração, ê, ô ! ê, ô !
Tudo é garantido após a rosa vermelhar.
Tudo é garantido após o sol vermelhecer.
Chico daSIlva

Vermelhecer é a palavra que me ganhou nessa música e é com essa cor que começo a falar sobre as cores. O vermelho domina meu coração e durante muito tempo foi a cor principal a dominar minha vida, meus cabelos, minhas roupas e até a unha trazia a cor. E no meu jardim ela ganha a intensidade nas flores e nas mais variadas coisas.

Claro que adoro também o azul que é a cor que predomina em grande parte do tempo meu céu, e logo quando acordo e meus olhos ganham o quintal lá vem o:

” Corre e vai dizer pro meu benzinho,
Um dizer assim o amor é azulzinho”…
E Djavan acontece aqui todo dia…

Mas quando vejo as asas de borboletas a voar, as cores deixam de ser vermelhas, azuis ou outras cores e eu vibro na intenção das asas. Nessa hora, os tons se camuflam apenas no estado de ser poesia. É o que chamo de encanto e mesmo que veja isso várias vezes por dia, o sentimento é o mesmo a cada voo.

E as cores acontecem nas mais variadas formas de asas, flores e tons. E as transformações vão acontecendo diante dos olhos e a gente esquece que o que desafia o olhar são apenas nuances de tons que se equilibram em uma grande paleta de cores e formas.

Nesse momento, a vida pede apenas para ser simples e viver o instante. Seja vivenciando a cor de dentro do coração, ou se alegrando pelas cores que os olhos veem.

E que os olhos perdidos de olhar descobre que tudo é um quadro perfeito com suas cores se equilibrando entre a natureza e o viver.

E descubro que mais do que falar de cores, falei de mim em tons que meu lugar me oferece como um presente diariamente.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Cores
Scenarium Plural Editora

Darlene Regina  —  Lunna Guedes — Obdulio Nunes Ortega

Corredores, Codinome Locura

Inquilino invasor

Inquilino invasor.jpg

Chegou o primeiro
como posse e herdeiro
quis amor a nada fez

e o segundo
achou-se dono do meu mundo
falou de um amor profundo
e ali ficou de vez

e com isso achou que não mais precisava
agradar porque gostava
e ficava ali quietinho

E o terceiro chegou como o derradeiro
colocou em mim poesia
e quando eu percebia
já era dono do meu mundo
e eu já dava carinho

como inquilino, invasor do meu direito
fez bater forte meu peito
e tornou-se ilusão
tão senhor do que eu vivi
e de tudo que eu senti
já era dele meu coração.

Mariana Gouveia

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

Projeto Fotográfico 6 on 6 – Por onde andei?

Meu endereço sou eu
O máximo que faço
é abrir e fechar janelas
para o mundo!
Silvana Conterno

Andei por aí, nas manhãs do meu lugar onde o céu já acontece em seu esplendor logo cedo e a vida começa na rua de cima. É logo ali, que é a saída para o mundo.

E como se fosse um alquimista, o sol se derrama sobre a cidade e alaranja tudo que ele toca. Minha cidade parece feita de papel pintado pelas mãos de um artista que desenha as casas e seus telhados feitos de sonhos.

Andei por chãos onde a fórmula mágica das flores desenham tapetes coloridos nas ruas do meu lugar e a chuva antecede a primavera na essência da poesia.

Se perguntarem por mim, digam que voei.
Alice Vieira

Ah, e andei sobre as nuvens, colhi palavras, letras e abraços… E andei por calçadas com o amor do lado e o riso de cumplicidade na alma.

Voei e pousei na Casa Laranja, nos abraços e distribuí sonhos em forma de livro.

E colhi afetos dentro do mundo Plural onde sou essa caminhante andante por aí.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Plural Editora

Participam desse projeto:
Darlene Regina — Isabelle Brum — 
Lunna Guedes — Obdulio Nunes Ortega