Luci,
hoje, nas primeiras horas do amanhecer, depois de raios e trovões ecoar no céu, uma lua quase – ou ainda – cheia se apresentou em sua rota quase clandestina perante aos passantes apressados em sua rotina. Acho que só eu vi. Cheguei até a murmurar: Yeppuda! – que é bonita em coreano – língua que estou aprendendo – e todos olharam para onde meu dedo apontava. Mas, logo se voltaram para o celular na mão.
Sabe, Luci, acho que estava ainda encantada com o nascimento da borboleta da couve que nasceu no meu quintal, que fui quase saltitando para o trabalho como se fosse criança e vendo nascimento em todas as coisas. Quase vi ela saindo do casulo lembrei-me da frase que encerra esse novembro sobre kairós e sua transcendência. Pensei na vida e morte das coisas e no momento certo para o qual a frase me leva.
Qual seria o momento certo para você diante da vida? Pensei em Tetê e Celestine e pensei nas asas da borboleta que ainda sangrava. Depois, Luci, pensei no nascimento das estrelas e das protoestrelas que nasceram e alguém fotografou.
Uma anciã da aldeia me disse hoje que a beleza da vida está em morrer e fiquei pensando nas vidas recentes que vi aqui, entre as vidas de gente, de bichos e de estrelas… afinal, de contas, o tempo é esse nascer constante entre vida e morte.
beijo meu,
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega











