O grito ecoa pela casa, as janelas fechadas ao vento tudo muda de um dia para o outro… à deriva, a vida foge dos planos de viagens feitos. Era uma vez, uma menina paraíso que se encantou. Virou poesia para além das palavras e mudou-se para dentro de si. Tão artista – dona de si, interpreta a dor. As cartas escritas nem foram enviadas e as noites de dores, viraram poemas enquanto no jornal falam de um país de deuses e desertos. Um carteiro indulgente que distribui aromas nas palavras – me disseram que eram poemas – E eu desconfio que era apenas entrega de vontade de voos. Uma canção em outro idioma chega em restos de palavras. Lembra o filme de antigamente a melodia. Representa o instante como se tivesse plateia. Descobri que o próprio pouso é uma oferenda de toque. Havia vivido isso na primavera atrasada. O equinócio é a repetição de um ciclo dentro da estação. Em cinco minutos eu vivo mil ciclos repetitivos do dia. Um acorde em algum canto é momento para ternura.
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins










