Das rotinas · Scenarium Livros Artesanais

10 – Planos e projetos que não saem do papel

Parece que as folhas que vejo pelas ruas não perdem a leveza do toque. Enquanto caminho penso em outras folhas – as que não escrevi – e nos planos e projetos que não saíram do papel. Faltam poucos dias para o início de um novo ano e mesmo não tendo feito uma lista, haviam notas mentais de coisas que foram ficando para trás. Deixaram de ter a importância devida ou outras mais urgentes, se impuseram como prioridade Os pássaros ignoram esse tempo dentro da vontade de voo e eu me encanto com o pátio rosado da universidade, com as flores do ipê temporão. Quase cheguei a catalogar cada folha dele, que se tornava miragem em outros meses que não esse. Olho para a árvore agradecida e abraço o tronco da árvore que amanhã não terá mais nenhuma flor. Todas irão se desgrudar dela e o vento levará a flor empurrando–as em direção ao muro, com seu grafite feito pelo menino que fez a minha tatuagem como se desenhasse um dos meus bordados. Ainda tenho uma bala de doce de leite na bolsa e a palavra doce me abraçará amanhã. Talvez, você volte com a saudade amarrotada, desdobrando meus envelopes rasgados feito tsurus de papel. Talvez, desses envelopes saia um coração laranja. Talvez essa seja a carta de duzentos gramas de palavras, caso a saudade aperte. Talvez o ônibus se atrase e eu possa acompanhar o movimento da flor rosada a dobrar a esquina da rua de cima. Talvez a senhorinha que me chama de anjo – a que pega o ônibus na saída do bairro – para qual eu ofereço o banco acha graça de descobrir que escrevo poemas…  ri quando me pede autógrafo em um livro meu que achou por aí. Talvez. Se eu dissesse amanhã que a previsão do tempo seria uma procissão de estudantes com cartazes de protestos e que eu me encantaria com as borboletas nas flores do ipê que dourou a rua de cima e que deixei um livro no banco do ônibus e quem achou foi justamente a senhorinha que me chama de anjo, você diria que eu pintei um dia feliz? Descobri numa outra rua que a calçada era forrada com as flores rosas, do mesmo ipê que fotografei outro dia e que perguntei infinitas vezes onde vão parar todas essas ruas que a gente não cruza e essas árvores que dão sonhos e histórias que nunca te contei… histórias desses corredores onde a dor é quase bonita diante da força de cada um que escreveu a frase: venci. Em letras coloridas e risos fáceis de quem perdeu o cabelo e nunca perdeu a fé. Eu diria que eu apenas tive impressões do dia seguinte. Sem planos e projetos. Apenas um dia de cada vez.

Mariana Gouveia
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Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

09 – sombras dançarinas ondulavam pelas paredes

Minha menina nuvem,

eu queria tanto estar aí, mesmo que em silêncio, no cantinho dos cães para calar meu desconforto nesses dias. Acho que seria meu refúgio – daqueles que a gente tem na infância – que me acalmaria ou me deixaria nessa luxúria da solidão.

Ontem, quando cheguei, havia um casulo no batente da porta, Su! Já imaginou isso? Deixei a porta sem fechar e me enchi de coragem para atravessar a noite e vigiar para Yoshi não passar por ali. Você, talvez diria: não, Mari, tu não fez isso! E eu diria, que sim! E devo confessar, Su, que as sombras dançarinas pela manhã, marcavam a parede com as asas de quem se libertou.

Como você, eu também gosto dos detalhes e mesmo já estando acostumada ver borboletas parir em meu quintal, eu vibrei vendo a madrugada se desenhando no céu…

Sou canceriana, Su – tu sabes – mas fujo do convencional de choros, de lamentos, inerente ao signo… mas, o destino ou sei lá o que foi bateu duro e em alguns momentos é preciso suspirar e encarar o que não pode ser mudado.

Como se muda o nascer e morrer de alguém? Quem entende a natureza das coisas? Como eu acredito em tudo que é força do universo, Su, apenas acato aquilo que é natural, mesmo não sendo ao meu coração.

Antes de encerrar essa carta em que te abraço e agradeço e te mostro o quanto a vida me é generosa, a parede se desenha em asas e com ela te sopro ventos de amor e alguma nuvem dissipará qualquer sombra em teu caminhar.

Mesmo porque, Su, a vida continua nascendo em meu quintal e as nuvens também e meu pai diria: a vida continua e os nascimentos não podem parar porque o mundo pararia.

Beijo,

Mariana Gouveia
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PS: Ah, esqueci de colocar a nuvem da minha noite quando chamei seu nome no quintal.

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

8 – e meu movimento primeiro é passear pelas ideias matinais

Querida Esther,

queria te dizer que já vi um jasmineiro sobre a chuva, mas foi em quintal alheio e confesso que já fazem alguns dias. Aqui, o sol e seu calor abrasante tem batido todos os recordes nos termômetros das ruas onde passo quando vou ao trabalho.

O meu companheiro tem me ajudado muito com o regador sobre minhas plantas e tenho certeza de que meu quintal sente saudades imensas da chuva. Eu também. Já te contei que o cheiro que ela exala quando cai sobre a terra seca se chama petricor? Acho tão lindo isso! Antes de descobrir isso, eu amava a essência sem saber o nome e chamava de cheiro de terra molhada. Mas, saber o nome deu um charme especial para essa fragrância.

Faz tempo que eu queria te abraçar e faço isso hoje, nesse dia seco e quente. Li você falando sobre como a vida é por um triz e tudo é muito frágil. Você perdeu o amor da sua vida e eu perdi a mãe do meu amor e meu pai. Duas perdas duras em menos de 15 dias e me recorro ao seu texto sobre o jasmineiro e fui buscar Chiquinho em seu banho matinal na última chuva.

Sabe, Esther, amo ver ele se projetar em minha volta logo que amanhece e meu movimento primeiro é passear pelas ideias matinais ao redor dele. O dia nem nasceu e ele já me chama na porta da cozinha e lá vou eu me derramar de amor por ele, assim como você com seu jasmineiro.

Como você mesma disse: uma coisa é um jasmineiro e a outra é o Universo, bilhões de constelações e planetas e satélites e etc. Galáxias, buracos negros e luas e sóis. Mas se não houver um jasmineirozinho para este perfume, de que vale a vida, de que vale tudo? Essas guerras… um jasmineiro abrirá ainda uma flor lá na Faixa de Gaza, em Israel ou na Ucrânia? Tomara. E eu completo, Esther, tomara que um pássaro qualquer sobrevoe esses lugares entre a flor branca de seu jasmineiro e leve pelo menos a esperança de dias melhores, mesmo que não seja um beija-flor como o meu. Tomara!

Um beijo grande,

Mariana Gouveia
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Lunna Guedes – Obdúlio Ortega Roseli Pedroso

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

7 – embolei as ideias fiz um nó depois desatei

Ana,

tenho pensando em você nesses dias e fui visitar nossas memórias em cartas escritas. Fiquei pensando em quando e onde nos perdemos? E confesso que não achei resposta. Tem coisas que simplesmente acontecem, né? É como se tivesse escrito pelo destino que seria assim.

Quando as coisas acontecem ficamos buscando respostas prontas e esquecemos de momentos, que por algum motivo durou o tempo que durou. Meu coração ainda te cabe no instante de afago, de lembrar de tudo que vivemos, das palavras que falamos e você é importante em minha vida.

De repente, algum coisa deu errado, embolei as ideias fiz um nó, depois desatei… o ficar longe não é impedimento de ficar perto e a gente viveu tudo de maneira tão especial que uma vai estar sempre na vida da outra. Seja em qualquer lugar, até nas poesias… te deixo ir com a certeza de que ficar será muito penoso para nós. Te deixo ir com a certeza de que saberá que estarei aqui, par qualquer momento que precisar…

abraço carinhoso,

Mariana
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Lunna Guedes – Obdúlio Ortega 

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6 – entre sucessivos solavancos projetam veias de anil

Ph: Pinterest

Entre as nuvens e as estrelas, clareia a pele com o efeito da dor. Os cabelos ralos diante do espelho cria ondas em reflexos onde não me reconheço. Sou como a mulher da noite – que vagueia – de janela em janela, o riso molhado na loucura exposta – e a pele – a declamar ausência.
Na penumbra a ecoar o silêncio que só as flores lilases conhecem. Alguém disse um dia que a loucura é lilás e desbota na lucidez da dor.
As mãos a desenhar presença nas sombras da parede – monstros – que me atacam e acionam a alavanca do medo, entre sucessivos solavancos projetam veias de anil.
O último pássaro a ecoar dentro da noite e o universo parecia definir cantata para a solidão.
E ainda tenho a caneta lilás com a qual desenho as flores e a língua muda que não consigo traduzir enquanto fechei a palavra chave que havia aberto o mural do jardim através do silêncio. 

Mariana Gouveia
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Lunna Guedes – Obdúlio Ortega  

Colcha de Retalhos · Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

5 – … ela pensou que algumas viagens são mais partidas que chegadas

Ph: Brooke Shaden

Voltei ao seu quintal, e a sua presença é tão forte ali, que nem parece que se foi. As flores continuam perfeitas e as árvores em sintonia cantam a canção do vento que você dançava.
Parecia que estava ali. Passei por entre os azuis das Hortênsia que você ganhou de alguém.
O pé de amora está no auge e na exuberância – palavra que você repetia para qualquer coisa fora do comum – das frutas. Até parece que sua risada está ali, e a essência da geleia que você fazia parece encher o ar.
Geléia de amora é para amar, Maryann! – você dizia!

Minha missão era esvaziar a casa de suas coisas, de você. Mas vim embora com todas as lembranças. O diário que me continha em cada dia, a toalhinha de crochê que foi um presente há alguns anos atrás. Conto um mês hoje, e logo serão dois, 11. Logo será ano e volto do seu lugar com a imagens das poesias escritas no seu quarto onde a vida flutuava em você.
Qual planeta você habita hoje? Qual emoção te move nesse plano além do olhos?
– Marte é logo ali, Maryann! Basta bater no calcanhar três vezes e dar um pulinho que você já embarca.
Acho que perdi o jeito! Vejo Vênus, Órion, vejo todas as estrelas. Não vejo Marte.
Marte, hoje mora dentro de mim.

Mariana Gouveia
In, Colcha de Retalhos
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Lunna Guedes – Obdúlio Ortega  e Suzana Martins


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4 – Sem palavras, sem verbos, sem elos

É ainda a minha lembrança e meu abandono. Os olhos que de tarde, cansados procuram seu rosto nas pessoas que passam apressadas. É a canção que toca nas ruas antecedendo o natal. A brevidade da minha espera. Mas é dor e cansaço – então deixo que saia de mansinho como quem não partiu – por isso, fico em silêncio e finjo não sofrer nas tardes mornas e nas madrugadas serenas, porque o ir tem a mesma magnitude do ficar. O ir é esse avanço no tempo para mudar o que já não pode ser. as escolhas são como as gotas da chuva e o voo do pássaro – necessários – para que a vida seja adiante, duas casas a mais na rua de cima. Duas perdas doloridas que esvaziam o peito e deixa essa sensação de lotação esgotada. É ainda o amor das lendas, das histórias não escritas, mas que não coube no final feliz. Sem palavras, sem verbos, sem elos.

Mariana Gouveia
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Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

3 – Coração transplantado procurando resquícios do que já foi humano

Eva,

te contei que vi um ônibus inteiro de Evas? A banda cantava uma música estranha, mas o nome escrito na parte lateral do ônibus me lembrou você. O tum tum dos instrumentos musicais me fez lembrar seu coração.

Lembrei-me de que há quase um ano atrás você renascia e de sua história tão longa em sua vida curta de menina.. dias desses, eu a vi, atravessando a rua, de pés no chão e não resisti e registrei. Não consegui pegar o riso, nem seu olho curioso para viver.

Em algumas de nossas conversas você quis saber de quem seria o coração que você ganhou. E lembro-me de dizer que era seu, já que você ganhou – Seria de uma pessoa boa? alguém feliz? – de dentro do meu abraço respondi que essa seria sua missão na vida. Transformá-lo em um coração feliz e vendo seu riso, atravessando a rua de pés no chão.

Estou guardando as cartas que te escrevo para a gente ler algum dia, mas tenho certeza de que esse coração carregará a leveza do seu viver e trará dentro dele todo resquícios de humanidade que a vida te dará para além da rua de cima.

Um beijo carinhoso,
Mariana Gouveia
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Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

* De acordo com o Ministério da Saúde, no primeiro semestre de 2023, foram realizados 206 transplantes de coração no Brasil, um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado 1. Além disso, a ABTO divulgou que, no mesmo período, foram realizados 4247 transplantes no país, sendo mais de mil de fígado e pouco mais de 200 do coração . Ambos os órgãos também bateram recorde histórico de transplante.
Ainda de acordo com a ABTO, no primeiro semestre de 2023, foram realizados 2.9 mil transplantes de rim no Brasil. Entre eles, meu irmão, que recebeu um rim e está em recuperação. O número de doadores efetivos no primeiro semestre deste ano em comparação com os anteriores foi o maior registrada nos últimos 10 anos. No entanto, mais de 40 mil pacientes estão à espera de um órgão. E destes, 92% aguardam por um rim, entre elas, minha irmã caçula, que sofre de insuficiência renal crônica.

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Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

2 — seremos deuses de cada dobra escura

Luci,

te escrevo em uma madrugada já no dia 2 e aqui a gente “comemora” o dia dos mortos… eu ainda estou com a alma contando os dias em que meu pai virou morto, Luci. Tudo que posso te dizer é que cada vez mais eu odeio esses dias de calendários estranhos.

Fiquei horas na janela da casa dele vendo as galinhas d’angola e o animal parecia conhecer minha dor. Ficou intacta, quase inerte, ali, entre o muro e o telhado curto da casa dele a compor meu silêncio. Pensei na alegria de meu pai com esses seres pintadinhos – será que foi por isso que passei a adorar os poás? – e as perfeições nas suas penas. Para mim, era como se elas estivessem sempre preparadas para a festa, Luci… modelo anos 60. Tudo combinando.

Sabe, Luci, meu pai tinha o contato certo com os deuses… da água, do fogo, do ar, dos animais, do vento… de tudo quanto é coisa que podia ter deuses e para ele, conhecedor de tempo e de um Deus maior, ao maior aceno com a palavra, tirava o chapéu panamá e erguia os olhos aos céus. Eu achava isso de uma fé que muitas vezes fazia o sinal da cruz quando via meu pai fazer isso. Era como se uma entidade tomasse conta daquele homem tão forte, tão simples, tão pequeno diante do universo das coisas.

Desde quando falei para ele do seu pai, Luci, ele confessou uma vez, durante algumas de minhas visitas que ele passou a pensar nos estuques verdes da sua parede e sempre pensava se seu pai já estava comendo normalmente e se ele entendeu o recado do pajé… Meu pai tinha esse dom de ligar todas as coisas em uma só, porque segundo ele, Luci, todo universo é pleno.

O dia, já vai amanhecer, Luci e a angola entoa seu canto em um tô fraco tô fraco tô fraco incessante… as sombras ainda encobrem os galhos das árvores. Parecem os deuses do mal das histórias que meu pai contava. Seremos deuses dessa dobra escura, Luci? Te pergunto, porque já não tenho mais meu pai para perguntar.

Um beijo,
Mariana Gouveia
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Lunna Guedes  Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

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1 – À beira das palavras… um gole de café.

À beira das palavras… um gole de café
(In)versos, Suzana Martins

Pai,

eu confesso que ensaiei mil palavras e busquei nas lembranças coisas sobre você. Uma das minhas irmãs disse que não esqueceria seu olho pequeno, com tanto discernimento para a vida… Já eu, não me esquecerei do café. Desde ao plantio até o líquido negro na xícara.

Lembro-me de que uma vez você exaltou a xícara – o café deve ser sorvido como se fosse o remédio para a cura, e para isso, o recipiente em que se bebe deve ser de igual valor. Seja na simplicidade ou no luxo. Tem de ser xícara – e desde menina, pai, o café me ligava a você. Assim como a chuva.

Quando descobri sua partida, chovia. Eu sabia que não teria você esperando com essa ansiedade de pai na porta… Mas os quase 1000 kms de distância me fez recordar uma vida inteira de cartas, de conselhos, de abraços e de gestos.

O cafezal em flor, o repassar nas fileiras contando os grãos, a colheita, o processo de secagem e depois, a torrefação, o moer e por fim, a alquimia de fazer o líquido. Ainda me lembro das borbulhas e do cheiro a invadir espaços.

Na hora de te entregar ao universo pleno, me fizeram dizer palavras, pai… e isso tudo funciona como um teatro. Era como se eu te escrevesse uma carta e ali falei com você como se brindasse sua vida.

Eu ainda vou te escrever várias cartas, pai e agora, não será mais o locutor da rádio local que lerá… será o vento que te levará minhas palavras e cada vez que minha xícara couber o café, meu gole inicial será sempre em sua homenagem. E meu coração terá sempre esse espaço dentro de todos os ensinamentos e memórias.

Te amo infinito,

Mariana Gouveia
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Participam comigo:
Lunna Guedes Obdúlio Ortega Roseli Pedroso e Suzana Martins