À beira das palavras… um gole de café
(In)versos, Suzana Martins
Pai,
eu confesso que ensaiei mil palavras e busquei nas lembranças coisas sobre você. Uma das minhas irmãs disse que não esqueceria seu olho pequeno, com tanto discernimento para a vida… Já eu, não me esquecerei do café. Desde ao plantio até o líquido negro na xícara.
Lembro-me de que uma vez você exaltou a xícara – o café deve ser sorvido como se fosse o remédio para a cura, e para isso, o recipiente em que se bebe deve ser de igual valor. Seja na simplicidade ou no luxo. Tem de ser xícara – e desde menina, pai, o café me ligava a você. Assim como a chuva.
Quando descobri sua partida, chovia. Eu sabia que não teria você esperando com essa ansiedade de pai na porta… Mas os quase 1000 kms de distância me fez recordar uma vida inteira de cartas, de conselhos, de abraços e de gestos.
O cafezal em flor, o repassar nas fileiras contando os grãos, a colheita, o processo de secagem e depois, a torrefação, o moer e por fim, a alquimia de fazer o líquido. Ainda me lembro das borbulhas e do cheiro a invadir espaços.
Na hora de te entregar ao universo pleno, me fizeram dizer palavras, pai… e isso tudo funciona como um teatro. Era como se eu te escrevesse uma carta e ali falei com você como se brindasse sua vida.
Eu ainda vou te escrever várias cartas, pai e agora, não será mais o locutor da rádio local que lerá… será o vento que te levará minhas palavras e cada vez que minha xícara couber o café, meu gole inicial será sempre em sua homenagem. E meu coração terá sempre esse espaço dentro de todos os ensinamentos e memórias.
Te amo infinito,
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

O vento leva as palavras para muito mais longe e para muito mais dentro, Mariana…
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Sim, leva! abraço, moço
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Vou lhe contar uma coisa… demorei para voltar para casa e ao fazê-lo, ao colocar a chave no portão para abrí-lo, ouvi a voz do mio babo. Combinamos o pé esquerdo (éramos do contra e canhotos) e seguimos pelos caminhos de pedra até os degraus. Vamos esperar sua mãe, inverter o ritual. Cai na risada e pouco depois andei pela casa, vazia do dia seguinte e cheia dos dias anteriores. As vezes, me esqueço que não estão aqui porque misturo os tempos e ganho abraço, ouço músicas, escrevo missivas. Os rituais não os deixam desaparecer, embora eu os tenha deixado ir, afinal, aprendi com eles a não gostar de gaiolas. rs
bacio cara mia
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não tenho palavras para te agradecer. Te senti comigo o tempo todo e da melhor maneira. Seu afeto me faz mais forte e seu relato aquece meu cuore. Grazie tanto e tanto!
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Lindo texto, Mariana 💙
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Grata!
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Acabei de ver que são vários autores. Parabéns a todos.
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Não são vários autores… é uma carta para meu pai. A postagem faz parte de um projeto coletivo e os autores publicam suas postagens em seus respectivos blogs. Para vê-las, basta clicar no nome de cada um e será redirecionada para ele.
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Projeto interessante. Uma oportunidade para conhecer mais escritores.
Obrigada
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bello
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Grazie!
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un placer
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