Entre as nuvens e as estrelas, clareia a pele com o efeito da dor. Os cabelos ralos diante do espelho cria ondas em reflexos onde não me reconheço. Sou como a mulher da noite – que vagueia – de janela em janela, o riso molhado na loucura exposta – e a pele – a declamar ausência.
Na penumbra a ecoar o silêncio que só as flores lilases conhecem. Alguém disse um dia que a loucura é lilás e desbota na lucidez da dor.
As mãos a desenhar presença nas sombras da parede – monstros – que me atacam e acionam a alavanca do medo, entre sucessivos solavancos projetam veias de anil.
O último pássaro a ecoar dentro da noite e o universo parecia definir cantata para a solidão.
E ainda tenho a caneta lilás com a qual desenho as flores e a língua muda que não consigo traduzir enquanto fechei a palavra chave que havia aberto o mural do jardim através do silêncio.
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega

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