Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

12 – — minha língua sente o teu sabor e a sensação de fome se amplia

Ph: Mathilde R. Photography

Leonor,

resgatei do baú uma carta que te escrevi anos atrás. Na carta, bem antes de eu ficar sem notícias e respostas tuas, eu dediquei meu amor a você. Era dos mais bonitos – você diria – e eu nem me toquei que ali já havia sinal de fim.

Nas letras escritas no papel decorado eu falava sobre as madrugadas mornas onde nos amamos sob a luz da lua e de como a textura de sua pele atiçava minha fome.

Leonor, você dizia que eu inventava um amor bonito e que a gente inventava o instante e o que me comove é saber que mesmo depois de tanto tempo a sensação ainda é a mesma. Você está aqui, ali, nas letras, nas lembranças e na memória.

Confesso, que fico esperando que as frases que todos falam de que o tempo cura tudo faça efeito aqui, por enquanto, te encontro em cada esquina, como dizia Cesariny e te vejo em cada uma das pessoas que passam por mim.

Quando me perguntam de você eu invento viagens, doenças de algum parente seu para justificar sua ausência e justifico para mim mesma que ainda tem muita coisa que a gente não viveu juntas e eu já tenho a lista de todas elas para te mostrar quando você voltar.

Dou-te o poder, como sempre de decidir isso.

Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

8 comentários em “12 – — minha língua sente o teu sabor e a sensação de fome se amplia

  1. Gosto imenso disso… de encontrar a pessoa em outras. Acho isso maravilhoso… Outro dia, eu levei um susto com um tom de voz. Era o mesmo e eu fiquei procurando de onde veio, sem encontrar. Queria era saber como era a pessoa e saber como a voz foi parar nela. rs

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  2. UMA NARRATIVA MUI SUI GENERIS .

    NÃO FÁCIL EM IDENTIFICAR AS PERSONAGENS .

    SÃO DUAS NUMA SÓ -O NARRADOR .

    UM EGO QUE LIBERTA O ALTER EGO .

    O ÚLTIMO PARÁGRAFO REMETE O LEITOR PARA O ALTER EGO QUE,APRESSADAMENTE O EGO /NARRADOR O RECOLHE NA OBSCURIDADE DA “AUSÊNCIA” MARIA

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