Quebrou o espelho de mar, faltou o ar da maresia. Os peixes perderam o medo da ave marítima – me tornei alma errante em um céu de falta – com medo de esquecer seu nome repito todo dia quando acordo – rezo ele ao meio-dia – e resmungo ele na noite, quase em sonho, sono.
Conto minha história em poesia diária. Esse rasgo de água que engasga cada vez que bebo. Uso o amor como se fosse a origem da sede. Devo confessar que quase morri de abstinência. Isso de falta devia ser proibido mesmo… Quebrar essa regra devia causar afogamento no mesmo mar.
Meu rio não conhece outro destino que não seja o de ir ao encontro do mar. Sabe a sal a lágrima que cai. As orações saem como se fossem declarações. Vivo mil anos em uma hora. Tudo esse tempo obscuro que a hora asfixia no vento. Vivo como peixe de aquário que sonha a liberdade da correnteza. A regra da manhã é a pele descamando de amor.
Mariana Gouveia
BlogVember via Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

Eu já li esse texto algumas vezes desde que o postou e acabou no mesmo lugar, diante de um aquário em exposição em lojas, a espiar os movimentos meus…
CurtirCurtido por 2 pessoas
Esse lugar aí é um riozinho que passa no meio da estrada no sitio que era do meu pai. Dá pra ver o fundo de tão limpo que é.
CurtirCurtir