Das palavras das cartas · infinitamente · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Meus rituais

Migrou-se como os pássaros do lugar onde mora. Foi para a Lua.

Ana,

Talvez o meu ritual mais comum, feito aleatoriamente seja pensar em você, te descrever momentos do dia, como se fosse uma carta mesmo e olhar o céu e ver a lua. Juro que dependendo da fase fico buscando Marte em forma de estrela em cada canto do céu. Às vezes, encontro… em outras, a lua fica solitária, apenas sendo observada por mim.

Depois, meu olho procura pelos pássaros – você sabe como sou apaixonada por eles – e vez ou outra sou abençoada com novos voos e pousos por aqui. Lembra-se de quando me dizia que eu poderia voar se quisesse, bastava juntar as aves para me carregarem? Quase sou levada por eles, só de observá-los.

Você não conheceu o Chiquinho, Ana, mas ele é a parte do meu ritual diário nas manhãs que se desenham em meu quintal. Logo cedinho, antes mesmo que eu abra a porta, ele me chama com seus chilreios e se aconchega em minhas mãos, causando ciúmes entre os cães. Chiquinho é parte de rituais diários aqui. Seja no varal, em meio aos prendedores, ou mesmo no aconchego de minhas mãos.

Outro rito por aqui, Ana, são minhas flores… com a xícara em mãos e sorvendo o café converso com elas. Dou a água necessária, retiro as folhas mortas, as ervas daninhas e vibro com os botões novos que se abrem…

Sabe, Ana, antes meus rituais eram outros… antes, eu corria para a rua de cima e te acordava cantando… era a forma mais bonita de ver seu sorriso. Hoje, meus rituais mudaram e claro que as borboletas fazem parte deles. Antes de começar os afazeres, vistorio os nascimentos de algumas, a formação de casulo de outra e só daí, recomeço meu dia.

Eu poderia, Ana, ter várias maneiras de começar meu dia em rituais distintos… poderia falar do misticismo que faço, dos mantras e até mesmo sobre as canções que canto. Mas, te escrever, mesmo que mentalmente, é o primeiro e último rito de todos os dias. É a maneira com que lido com sua ausência e saudade.

Te amo infinitamente,
Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso Suzana Martins

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Como posso viver sem essa mulher que funciona como o meu espelho?

Fico imaginando o que essa mulher vê em mim.
Por mais que tento lhe mostrar
O quanto vivemos em mundo diferentes,
Ela não me ouve:
o caderno               o cigarro

o falerno                o carro

Querida Rozana,

Essa é a primeira carta que te escrevo e confesso que precisei buscar o ar e me preparar para a emoção de te ler. Eu já havia dito alguns dias atrás que me deparei apaixonada por sua escrita, mas a cada encontro em saraus eu me pego maravilhada pela mulher que vejo em você.

Até me ouve, mas não me escuta.
Não vê, como eu, a cilada que os deuses decaídos
Preparam ao menor escorregão:
o segredo               o batuque
o medo                  o truque

O seu poema, que dá o tema para essa carta, não fosse só pelo verso primeiro, já me deixou boquiaberta e arquitetei meu plano de voo e embarquei no seu Mulheres que voam…

Até vê, mas não enxerga a profundidade da maldade
E da destruição de que eles são capazes:
a palavra              o erro
o berro                  a trava

Como resistir a um convite de planar pelas tuas palavras e mergulhar na sua poesia? Como não voar junto e deparar com essa mulher que se solta, que se mostra atrás do espelho, dentro do espelho, fora da alma, dentro da alma?

Ah, não posso ser irresponsável e violar o proibido
Não analisando as consequências gravíssimas
Desse ato insano:
o abraço                o traço
o beijo                   o desejo

Essa mulher que grita e silencia, que chora e ri… Quando vejo o brilho do seu olho ao declamar um poema eu me derramo e penso na frase clichê: quero ser igualzinha a ela quando crescer. Mas, eu cresci, Rozana e descubro sua unicidade e percebo que não se fazem Rozanas assim, de qualquer forma não. Porque esse voar é seu, único e você domina o céu que voa.

Por ela é que luto, é a única perspectiva de que
Posso dar certo:
o perigo                o siso
o riso                    o abrigo

E quando voa, composta de tantas mulheres que carrega no peito, na alma o céu se torna seu e quem tem um céu para desbravar é domadora de asas. dobradura em voos seus. E quem voa tão perto do céu, Rozana espalha sementes.

E ela insiste: a está para b assim como b está para a:
a dádiva                a dívida
a expectativa         a boa vida

E eu vibro com a mulher coragem e com esse atravessar de tempo na poesia. Com esse arranjo de gestos nas palavras e eu me pergunto sobre essa mulher no espelho – a outra – que você não funciona sem… são complementos, Rozana ou falta mesmo? Uma se resume na outra? Ou é a mesma que vejo com olhos de admiração?

Como posso viver sem essa mulher que funciona
Como o meu espelho? Ou o oposto do espelho?
a simplicidade         o excesso
a singularidade         o sucesso

Porque eu vejo singularidade e inspiração. Uma dentro da outra sendo complementos dos mesmos voos, da mesma sombra e reflexos.

As duas partes se completam. Estou na Golden Gate.
Só aqui sou emocionalmente dela:
a água                 o fogo
a trégua                o jogo

Sabe, Rozana, essa carta durou o tempo de um voo que fiz por teus lugares. Vasculhei os sentimentos, as acolhidas onde você estende a mão e ampara, indica caminhos e segue junta com as outras iguais.

Preciso dela. Ela sabe disso. Apesar das sombras, da ausência,
Da ansiedade, qualquer dia desses, acontece:
o encontro              a entrega
o voo                      o êxtase

Depois desse voo me permito estar entre as mulheres que voam contigo. Me entrego de vez à sua a poesia e justifico que sou a mulher que funciona atrás de seus livros e pertenço a essa mesma sensação de liberdade.

E se esse menino-poeta não cumprir as suas [promessas,
Como é que vai ficar o coração dessa mulher?
o amor                  a dor
a razão                  a solidão

Meu abraço carinhoso,
Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso Suzana Martins
Fotografias: Konstantin Alexssandroff/ Lunna Guedes.

Quem quiser conhecer o trabalho de Rozana Gastaldi Cominal o caminho é aqui
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Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Duas vezes me findei antes do fim

Mas fica por saber
Se a imortalidade me revela
Um evento maior

Tão largo, tão incrível de pensar
Como estes que sobre ela duas vezes tombaram.
Partir é tudo o que sabemos do céu,
Tudo o que do inferno se pode precisar.

Querida Emily,

Já te escrevi outras cartas, mas essa de hoje, é de fato mais um desabafo diante da frase de seu poema: Duas vezes me findei antes do fim… Durante esses quase 4 anos eu morria todos os dias antes do fim do dia e deixei de lado meu amor pela bandeira. Confesso que ainda me custou um pouco colocar a fotografia que eu mesma tirei dias atrás como ilustração nessa carta.

Fiquei pensando nas diversas formas de findar – e que vários tradutores sentiram de maneira diferente seu poema – e percebi que realmente, aqui no meu país – apesar da esperança – morremos pelo menos duas vezes por dia durante esse tempo em que nos roubaram a paz. A cada declaração do atual presidente a gente morria de medo, de raiva, de tristeza.

A gente morria na falta da cultura, na discriminação das minorias, nos ataques de fake news nas redes sociais… e no último domingo, dia 30/10/2022 nós ressuscitamos a coragem, a vontade de sorrir, o grito entalado na garganta, as canções de fé e a esperança de mudança.

Eu chorei muito nesses quase quatro anos. Chorei pela amiga que perdi, chorei pelo meu vizinho que perdeu a irmã, por todos que perderam alguém e chorei pelos meus familiares cegos diante das barbáries ditas diariamente por desajustados seguidores desse maluco no poder e que repetiam como se estivessem sob efeito de algum alucinógeno. Chorei por ver pessoas que eu gostava compactuando com a misoginia, o fascismo, a brutalidade, o desrespeito.

Chorei vendo a fé sendo usada de maneira deturpada, chorei ouvindo discursos de ódio contra quem pensava/pensa diferente deles. Mas, no último domingo chorei de alegria, de esperança, pelo resgate de nossa democracia.

Sabe, Emily, sei que teremos dias difíceis e que não será fácil para o Brasil o 2023… mas, também sei que para reconstruir algo é quase tão assombroso como a imortalidade descrita no seu poema, mas quando a maioria decide fica mais fácil conseguir. Tenho esperança de que a arte nos ajudará a sobreviver os dias que restam, para que o próximo ano seja de recomeços. Os fascistas não suportam a arte e que o findar desse ano seja apenas um sentimento lúdico na alma e nas poesias.

Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Aqui não tem base as épocas para o tempo ser passado.

Leonor,

Eu devia começar a escrever perguntado se você está bem, se suas lembranças ainda pertencem a mim e se o oceano acolhe suas lágrimas em noites escuras, mas, acho que isso é tão clichê entre nós que prefiro apenas dizer que refiz nossos passos dias desses.

Foi como se um vácuo me puxasse para o tempo do passado e parecia tão real que juro que pensei que fosse hoje. Aquela estradinha que fazia o desvio para a avenida principal do bairro continua igual e lá na cerca da casa do homem barbudo estava o coração que a dalechampia representa. A fotografamos juntas, lembra-se? E do besouro na cerca? Se eu fechar os olhos ainda vejo seu espanto diante da beleza do inseto.

Sabe, Leonor, vi minhas ruas do bairro diferente sob seus olhos e vi a diferença dos dias com você aqui. Agora, eu só me acostumo com sua ausência – só que sinto cada vez menos – e imagino que chegará um dia em que você só será um verbo no pretérito imperfeito – eu te amava, eu pensava em você – e daí, tudo será apenas uma lembrança, com as suas coisas guardadas no baú.

Eu até acreditava em nossa história bonita. Desenhei instantes na memória e várias vezes refiz nossos passos, nossas madrugadas e nosso encontro. Alguém chamaria de destino essa coisa de uma se descobrir em outra mesmo com um oceano entre nós.

Mas como você mesma disse em alguma carta escrita em apenas três linhas, enviada em um envelope azul desbotado: isso tudo é passado e eu repeti mil vezes a frase para que ela se firmasse em minha cabeça e meu coração reconhecesse como fala sua. Aqui, Leonor, não tem base as épocas para o tempo ser passado… mas terá. Um dia, tudo isso será apenas lembrança guardada em um baú trancado.

Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins

Das palavras das cartas · infinitamente · Scenarium Livros Artesanais

Aos cuidados de novembro.

Sombra, não sabia explicar.
Era como uma pessoa, mas que não existia sempre.
Assim como quando dançava: passava a existir.

Luci,

Eu já te contei que converso com você aleatoriamente nos meus dias? Em uma visita ao meu pajé, ele aconselhou que eu falasse sobre o que sinto com alguém. Foi uma viagem longa e eu desabei no caminho. Daí, você surgiu e a gente se aliou junto com a esperança.

Me lembro exatamente de sua roupa no nosso primeiro encontro, do primeiro abraço e do calor do seu abraço… Eu já te escrevi em vários dias e meses. Agora, te escrevo aos cuidados de novembro. Esse mês que é peculiar em meu calendário.

Eu descobri você anos atrás… essas coisas que a gente nem pode explicar. Fiquei até com medo de te tocar e você sumir. A gente estava na Biblioteca Mário de Andrade, era lançamento do meu livro e você havia seguido um roteiro tão louco para me encontrar que eu quase ajoelhei ali para te louvar.

Luci, até aquele primeiro abraço você era uma ilusão de Amelie e Jackie Onassis… A Anna era uma das fadas que eu esperava encontrar quando entrasse na floresta. Eu a vi poesia, laranja, música, vento, canção, sombra e dança.

Estou te dizendo tudo isso para falar do que você queria saber.
Sabe quando a gente vê uma imagem e é como aquelas cenas de filmes que o vento sopra o cabelo, as cortinas balançam e o instante para? Eu vi magia, Luci! E mesmo que eu pegue uma definição de um quadro de Gaudi, uma tela de Hopper, uma solidão minha nas madrugadas, eu ficaria em silêncio…

Sabe quando você vê suas memórias como Déja Vú? É como se eu dissesse que já estive ali, como se a garrafa tivesse minhas digitais e como se eu dançasse com as sombras – tuas – e só pensasse em poesia.

Você viu emoção, eu sei… eu vi acontecimento, Luci. Porque aconteceu e a gente já sabe que o próximo ano será de esperança, Luci. Estou te escrevendo isso antes dessa data. O ontem, para nós, já se tornou futuro e eu escrevi em dias de outubro – porque prometi que o faria – e a gente sabe que não será fácil.

Mas, daí, Luci… eu fiquei abrindo cada imagem que você desenha em seus dias e Celestine me acalentou. Esperança nem sempre precisa ser verde. Às vezes, tem patinhas escondidas, enroladas sobre o pescoço… e o branco dos pelos a pedir vontades. Foi aí que acreditei… Porque a gente antecipa cores em vermelho e acredita em todas as diversidades e o arco-íris que se projeta num céu, marcando presença.

Eu acho que você queria me dizer que o futuro é logo ali, depois de mais alguns dias… embora novembro começa com esse bater no peito de esperança, a gente sabe que limpar a sujeira é muito mais difícil do que a gente pensa, mas os dias de novembro nos permitirão sonhar.

Nós existimos, Luci e resistimos a tempos doloridos e duros, mas podemos romper as sombras e dançar, mesmo que seja em estados e lugares diferentes.

Beijo meu,

Mariana Gouveia
Fotografias: Luciane Ricieri
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna GuedesObdúlio Nunes OrtegaRoseli Pedroso e Suzana Martins

Scenarium Livros Artesanais

Preto e branco

A última música ainda toca aqui e o mosaico das
fotografias em preto e branco no fundo da caixa…
alguém um dia leu as linhas de minha mão e traçou uma rota de saudade… Era você a personagem
do livro que sublinhei, por quem me apaixonei e
repetia o teu nome dentro da frase “eu te amo”
que se tornou um mantra na minha boca.
Era uma fuga ao passado — sem bússola, apenas
para dizer que no espelho o sonho dorme, o desejo chega e as cores somam… E ao revirar essas coisas todas — tão nossas — percebo que sou o filme
não revelado ainda na câmera e restando fotografias para clicar.
Dizem que ao abrir a câmera, o filme vela… seria
então o nosso fim?

Mariana Gouveia
Coletivo Mosaicum
Scenarium Livros Artesanais
Ph: Tumblr

Desvios para atravessar os quintais · Projeto Diário das quatro estações · Scenarium Livros Artesanais

quando restou apenas uma flor no ipê…

a ave de todo dia voou, já era tempo de espera para a cura.
A rua de cima invadiu o quintal com os gritos das crianças
empinando suas pipas e a vida, ali, parecia normal.
O tapete amarelo no chão já tinha se tornado húmus
e o vento arrastava as folhas secas, fora da estação.
O rádio antecipava as notícias de amanhã e a certeza
de que tudo é breve veio com a flor no chão.
Dessa vez, o pássaro apenas se conformou e ficou à espera de outro botão abrir…

Mariana Gouveia
Desvios para Atravessar os Quintais
Scenarium Livros Artesanais

Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

a invenção do vivível

I

Do lado de fora, a vida
em estado de holograma:
Mergulho impossível

II

Ainda assim,
crer no nado
fabular a margem

III

Do lado de fora, a foto
em tamanho irreal
dentro: a invenção do vivível

Anna Clara de Vitto
Estradas para os domingos
Scenarium Livros Artesanais

Das palavras das cartas · Delírios Comunistas · Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

Amanhã é outro dia.

“Nesta ausência que me excita,
tenho-te, à minha vontade,
numa vontade infinita…
Distância, sejas bendita!
Bendita sejas, saudade!”
Gilka Machado

Caro vento,


Talvez abrir os braços e te acolher dentro de mim, incorporando roupas e cabelos, seja pouco… o que eu quero é redemoinho. Aquele lá da infância onde você surgia miúdo e ia ganhando os beirais dos currais e de repente estava lá, espalhando os lençóis nos varais e as pipas dos meus irmãos.
Você me lembra a liberdade… essa frase solta que calada não tem a força e que represada — igual minha mãe dizia — vai roubando instantes nos quintais vida afora. Você se tornando redemoinho fica igual menino furioso e o infinito se torna tão curto para além das cercas.
Tenho em mim os ideais de sua força… é como a força do mar, que ganha do rio as gotas e se transforma em gigante. Já imaginou se cada um de nós tivesse na mente a sabedoria de sua força?
O que me lembro de sua fúria, vem pelo olhar de minha mãe — eu, menina olho de poesia, e os arames farpados em nossa frente — e a cadeira preferida dela em seu centro e as folhas das palmeiras que circuncidavam nosso quintal viraram picadinhos enquanto seu furor rompia o monjolo, as telhas e além da cerca, a árvore de minha infância.
O medo, é esse bicho troncho, que nem avisa quando é de verdade e quando devemos realmente temer. Voltar é impossível na existência — minha mãe repetia — o olho deve ir além.
Amanhã é outro dia, ela repetia, tal qual a palavra do filme, que ela nunca viu, mas ouvia via na rádio: E o vento levou era mantra aqui.
Esse rompante que ultrapassa as barreiras e invade os varais me fascina — é verdade — e ao mesmo tempo me retrai e se eu disser que hoje consigo lidar com seus avanços, minto.
Você é essa lembrança imperiosa que a mente não consegue apagar e ao mesmo tempo é essa ânsia de vida que acolhe o peito e transforma tudo que toco em redemoinhos.
Sou tão pouca diante dos retratos preparados e sou tão frágil feito pena aos seus olhos. A vida tem a dimensão exata do que você é capaz. Uma onda que escapa do mar e causa rebuliço no campo e arranca as roupas dos varais, mas que não pode comigo quando me permito voar.

Mariana Gouveia
Carta publicada no livro Delírios Comunistas,
Scenarium Livros Artesanais

Meus Livros · Scenarium Livros Artesanais

As estações

Antecipei a primavera
dentro do verão.
Replantei as sementes todas
para quando o equinócio chegasse.
A alma vaga dentro da solidão
de uma estação inteira.

Prepara a xícara que sexta-feira (30/09) tem sarau de novo…
Um bate papo com as autoras do Coletivo As Estações… da alma, do cuore, da pele e da memória: @suzannamartinss – @marianagouveiacba e @flacortess
E na segunda meia hora @annaclaradevitto – @rozanagastaldi leem-se…

Sinta-se convidado…