Migrou-se como os pássaros do lugar onde mora. Foi para a Lua.
Ana,
Talvez o meu ritual mais comum, feito aleatoriamente seja pensar em você, te descrever momentos do dia, como se fosse uma carta mesmo e olhar o céu e ver a lua. Juro que dependendo da fase fico buscando Marte em forma de estrela em cada canto do céu. Às vezes, encontro… em outras, a lua fica solitária, apenas sendo observada por mim.
Depois, meu olho procura pelos pássaros – você sabe como sou apaixonada por eles – e vez ou outra sou abençoada com novos voos e pousos por aqui. Lembra-se de quando me dizia que eu poderia voar se quisesse, bastava juntar as aves para me carregarem? Quase sou levada por eles, só de observá-los.

Você não conheceu o Chiquinho, Ana, mas ele é a parte do meu ritual diário nas manhãs que se desenham em meu quintal. Logo cedinho, antes mesmo que eu abra a porta, ele me chama com seus chilreios e se aconchega em minhas mãos, causando ciúmes entre os cães. Chiquinho é parte de rituais diários aqui. Seja no varal, em meio aos prendedores, ou mesmo no aconchego de minhas mãos.
Outro rito por aqui, Ana, são minhas flores… com a xícara em mãos e sorvendo o café converso com elas. Dou a água necessária, retiro as folhas mortas, as ervas daninhas e vibro com os botões novos que se abrem…
Sabe, Ana, antes meus rituais eram outros… antes, eu corria para a rua de cima e te acordava cantando… era a forma mais bonita de ver seu sorriso. Hoje, meus rituais mudaram e claro que as borboletas fazem parte deles. Antes de começar os afazeres, vistorio os nascimentos de algumas, a formação de casulo de outra e só daí, recomeço meu dia.
Eu poderia, Ana, ter várias maneiras de começar meu dia em rituais distintos… poderia falar do misticismo que faço, dos mantras e até mesmo sobre as canções que canto. Mas, te escrever, mesmo que mentalmente, é o primeiro e último rito de todos os dias. É a maneira com que lido com sua ausência e saudade.
Te amo infinitamente,
Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso e Suzana Martins





Graças à sua generosidade em nos apresentar rituais tão lindos quanto encantados-encantadores, Mariana!
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grata sempre, moço!
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Lindo, lembrou meus rituais também. Acredito que nunca cresci e sempre a fase criança falava mais alto dentro de mim. Nunca me cobrei de tempo para admirar a natureza e tudo que ela proporciona. Não posso mais deitar no telhado e mirar as estrelas a idade não permite, mas sempre que a lua está cheia não deixo de corteja-la e claro uma conversa íntima que dividimos.
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eu ainda subo no telhado para ver a lua, mesmo com a idade… rs
alguns ritos ficam para sempre.
Grata!
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Aaaaahh, menina Mariana. Fico aqui a susperar pelos cantos a observar seus rituais encantados! Foi como te observar de longe. Daqui pude sentir o perfume das flores, o aroma do café e ouso dizer que ouvi o canto dos pássaros.
A delicadeza dos teus ritos atravessam o universo inteiro!! ❤
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Sua linda! Grata tanto! ❤
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Encantador amiga!
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Grata, Mari linda!
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