Quarta, 06 — *Só pensei nas delícias dos nossos dialetos.
* quote extraído do Coletivo Ao vento, todo dia — da prosa de Mariana Gouveia
Bambina mia,
desde que li a palavra quinquilharias para o desafio do projeto fotográfico 6 on 6 fiquei imaginando como a palavra me alcançaria e claro que tive que aproveitar o projeto do blogvember e transformar dois em um. Então, bambina, só pensei nas delícias dos nossos dialetos intercalando entre nossos quintais. Quinquilharia é uma das palavras que mais gosto… acho lindo a sonoridade assim como acho lindo essa nega maluca e os tachinhos de cobre que eram de minha bisavó, depois de minha mãe e agora são meus. Estavam em uma caixa guardados entre outras quinquilharias e limpei para a foto. Vai me dizer que o latãozinho de leite não é lindo!!
A minha coleção de conchas, que ganhou morada em um vidro no fundo do armário também fazem parte do meu acervo de trecos e quinquilharias. E tenho certeza – ok? – de que você concorda comigo de que nossos baús, caixas, gavetas e vidros e dialetos não se maravilham em manhãs de diálogos e instantes, dentro das palavras que escolhemos e gostamos.
Mas, bambina… pasme! Na caixa de papelão com os “relicários” da família sob meus cuidados – ou quase – achei essas armações que eram de um ex cunhado… e que serão devidamente devolvidas amanhã. Foi um achado mesmo, e nem sei como vieram parar na parte obscura do baú… Essas sim, ganham a versatilidade do nome quinquilharias…
Entre as minhas lindas-tristes tralhas velhas estão algumas encomendas que as clientes nunca vieram buscar, do século passado – ohhh!!! – e parte do acervo do curso de artesanato que dei para mulheres em situação de vulnerabilidade. Ganharam abrigos no canto do baú e volta e meia algum deles consegue ser adotado como presente para alguém.
Sabe, bambina, não vou negar que minha quinquilharia preferida é essa mala. Era do meu pai e para evitar brigas, antes que ele partisse me deu, porque sabia do meu amor por ela. O forro interno ainda é o tecido original. Data de antes de eu nascer… A mala deve ter carregado sonhos, as camisas de linho de meu pai, o embornal que ele levava nas viagens para a cidade para trazer pão e tantas saudades. Eu sempre a disputei entre outras quinquilharias que ele prezava como tesouros. Hoje, ela guarda memórias, que também fazem parte das minhas quinquilharias e se misturam com as suas em um dialeto só nosso.
As bonecas e principalmente, a Frida, eu que as fiz… lá em meados de alguma adolescência e ficaram guardadas como modelos. Dormiram até ontem na mala quando as acordei para a foto.
Essa bandeja simples traz o início de uma menina que sonhava em escrever e levar as palavras mundo afora. Debaixo do pé de sete copas, a menina aprendia a emoldurar palavras, tecer linhas e escrever sonhos. Talvez, o universo já havia preparado tudo para que a minha rua cruzasse com a sua e os nossos quintais se interligasse da melhor forma, dentro do cuore.
Ti voglio bene!
Amo tu!
Grazie per tutti!
Mariana Gouveia
Post parte do projeto fotográfico 6 on 6
Lunna Guedes – Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega –
Roseli Pedroso – Silvana Lopes
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