Alice - Uma Voz nas Pedras · Das palavras das cartas · Lua de Papel · Lunna Guedes · Meus Livros · Projeto Diário das quatro estações · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Viagem literária

Para Mariana
Eu gosto de dizer que construo para olhares alheios, no caso, o seu – habitar! Gosto de pensar que. de palavra em palavra, eu vou me desfazendo de mim para que uma vez, em estado de abandono, você me encontre! E me leve com você…
Eu poderia lhe dizer: “divirta-se”, mas prefiro dizer: “embriague-se”, porque combina com café… essa realidade tão minha.

Lunna

Bambina mia,

Como se tornou rotina, uso o 6 on 6 para te escrever e como hoje você nos convidou para uma viagem literária, nada mais bonito do que embarcar com você nessa locomotiva que é a sua escrita. A dedicatória acima, que abre o post, já está borrada, amarelada pelo tempo, sinal de uma chuva que tomei e o Lua de Papel em mãos sofreu o dano.

Lua de Papel me arrebatou – você sabe e me vi tantas vezes em Alexandra – e já disse isso em uma outra missiva ou texto. Não me lembro bem agora. Teve momentos que eu quis sacudir Alexandra e tirá-la do lugar comum…Também já tive momentos em que quis pegar Raissa e acolhê-la em um abraço. Mas foi isso que você fez com seus leitores. Nos abraçou nos três livros Lua de Papel em uma história emocionante e instigante.

Já Vermelho por Dentro, foi como um pulsar do cuore entre um trovão e outro. Viajei literalmente pelas ruas de Paris e entrei de vez dentro do casarão e o vermelho que já me habitava intensificou alma adentro. Quem mais conseguiria me levar tão fundo em uma cor tão minha? Anne me levou pelo cenário da fotografia e também veio a vontade do abraço em alguns momentos. A sensação de estar ali, entre os personagens me fez sentir em uma viagem em 3d.

Sabe, bambina, Alice reverbera em minhas memórias tantas. Nas leituras compartilhadas com as meninas que acolho e que passam/passaram por coisas que Alice viveu. Alice é um soco no estômago. Um alerta vivo do tempo que vivemos. Conheço tantas Alices e sou grata porque seu livro me ajudou tanto, em tantos momentos. Já abracei tantas Alices e ao fazer isso, senti que abracei a personagem principal de sua história.

Para mim, o presente é para sempre

Septum é um presente e só dele caberiam tantas fotos. Mais do que o projeto comporta, já que só posso postar seis fotos e com meu protesto, viu? Gosto das histórias que entrelaçam nas minhas. Acompanho sempre o guarda da estação. Fui sua companheira em alguns momentos do livro. Ri na parte em que se sentiu uma personagem francesa. Guardei suas memórias como semente e dentro de todas as estações te abraço.

entre aspas


E por falar em Diário das Quatro Estações eu suspirei muito durante a leitura de Aos Sábados… segui sua receita – sem medida – como de costume, para o melhor lugar onde te acolho sempre: o mio cuore. É nele, que guardei as folhas pra dar-te. Não diria que dentre os seus livros seja meu preferido. É aquele que embalo, como se pudesse com isso fazer parte da sua história passada.

fecha aspas

E chego a última foto, bambina mia, ainda em voltas com os diários. Reticências foi o primeiro, mas foi o último seu que li. Foi a leitura que me levou pela mão, como se eu já soubesse de tudo que estava escrito, de tanto ouvir falar. Tenho as duas versões, o que me dá o privilégio de saborear as duas formas da sua escrita. Mas deixo aqui registrado nessa viagem que ficaram alguns de fora: Catarina voltou a escrever e Meus Naufrágios, além do “não livro” Profissão: escritora, que devia ser lido por todos que escrevem.

Embarquei com você nessa viagem ouvindo Leon, com uma xícara fumegante de café. Te levo comigo sempre. É quando me embriago, como foi dito na primeira dedicatória feita para mim. Dentro de sua realidade e personagens.

Grazie Mille!
Amo tu, tu, tu imenso.
Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes –Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega
Roseli Pedroso – Silvana

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6 on 6 – Momento Polaroid

Bambina mia,

Já é dezembro e tirando a gente nem se tocou… e enquanto eu buscava pormenores no meu quintal alguns instantes se transformavam em eternidade, como se fosse a fotografia antiga, sacudida entre sopros. Devo confessar que eu poderia escrever-descrever tantos momentos que foram captados no piscar do olho. Lembra-se quando eu te disse: Chiquinho abre as asas bem na minha frente? Pois bem, eu consegui registrar. Foi instantâneo e não houve chance para segunda foto.

O sanhaço – pássaro que temos um quê de história – vive roubando água adocicada de Chiquinho e em nossas conversas entre o sanhaço daí e o sanhaço daqui mostrou curiosidade como se pudesse ver o que você descrevia e ele ouvia no viva-voz. Parecia que a vida inteira passou naquele instante e em um suspiro meu ele olhou e voou.

Alguns momentos desse ano, bambina, sumiram da memória. Acho que os que deviam mesmo ser esquecidos. Outros, se transformaram em lembranças guardadas, como se estivessem em uma caixa de fotografias. As imagens, contando história. O papagaio de peito amarelo se coçando no meu varal de roupas é um desses que fica. Quase um poema, na doce ternura em que se apresenta.

Sabe, bambina, a geografia do meu quintal se desenha em mapas feitos de asas… seja de borboletas, libélulas, joaninhas e pássaros. De vez em quando ou quase sempre, falamos de pássaros e suas nuances e acho que hoje, vou conseguir emoldurar em instantes nossas conversas: os cambacicas brigam no bebedouro e o instante se mostra aos meus olhos e agora aos seus.

Quase nos vejo frente a frente enquanto te explico o nome do pássaro que se choca no espelho da porta e espera no varal que eu saia da varanda para tentar de novo. – É suiriri – repito o nome para entre risos entender que você não entende dos nomes de aves, só das maritacas que em alguns dias invadem sua árvore de estimação e do sanhaço azul que fez o ninho em seu vaso de orquídea..

Bambina mia, sabe que para cada mês desse semestre que se encerra, uma asa se interpôs em nossa conversa e são esses instantes de ternura que a emoção nos liga nos instantâneos que uma descreve para outra. Chiquinho faz fita com a flor do pé e assim, o meu quintal nunca se faz solitário, porque mesmo sem nunca ter pisado por aqui sua presença está sempre marcante nesses instantes mágicos.

Grazie Mille!
Mariana Gouveia
Projeto fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes  Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Cláudia Leonardi e Silvana

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6 on 6 – anatomia dos passos

Bambina mia,

escrevo-te em um dia mais quente do que os dias quentes por aqui. Está tudo fora do normal e a anatomia dos meus passos buscam sempre os pés no chão. Nem venta por aqui e busco caminhar na calçada fria da rua de cima – onde os flamboyants vestiram as ruas com suas flores – para sentir as pétalas frias na calçada antiga.

Às vezes, bambina, meus passos recebem visitas ou viram pousos em direções feitas no meu quintal… parece que sigo o instinto da anatomia das asas e não dos passos… é quando sinto leveza.

Ou me delicio com os afagos caninos dos passos parados de Yoshi e Lolla… É como se combinassem a pose…

e o instante fica registrado em fotos e na memória… quando me junto a eles no instante em que percebo o momento…

em alguns dias, bambina, meus passos me levam para a companhia do rio… menina que cresceu na beira do rio se encontra e se encanta com a água a molhar meus pés de mulher.

Mas, há um momento de acolhimento em que meus passos ganham anatomia dos contornos do meu companheiro. É quando me sinto segura e certa de qual caminho devo percorrer.

Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Cláudia Leonardi e Silvana.

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6 on 6 – dos corações que vejo

“Ela me dava a mão e então nada mais faltava.
Bastava para que eu me sentisse bem acolhido. Mais que beijá-la, mais que dormirmos juntos, mais que qualquer outra coisa, ela me dava a mão e isso era amor”.

Mario Benedetti

Bambina mia,

acostumei-me a te escrever no dia 6 de cada mês… talvez, porque ninguém entenderia essa coisa estranha de ligar fotos com carta – ou missiva, como tu gosta de dizer – mas você sabe que em alguns momentos, imagens e palavras se unem em uma perfeição para além do que somos. Talvez, por isso, eu quis falar sobre o cuore… os que vejo aleatoriamente, são os cuores que meu olho alcança.

Já te contei, bambina, que meu olho vê coração em tudo quanto é lado? Era uma folha aleatória? Não! Vi um coração na secura do cerrado… os meus, dizem – que sou assim desde criança – que vejo coração em tudo que encontro.

A gente sempre brinca que coração é um músculo, mas para nós a palavra tem o ritmo do tum tum, mesmo quando ele absorve, em alguns momentos as lágrimas dos olhos. Ou quando a folha imita o choro da natureza nas gotas de chuvas. tanto eu quanto você amamos esse momento.

E as vezes, bambina, o nosso cuore parece metade… seja ocupado por alguém, seja cheio de saudades… confesso que sinto saudades – embora saiba que a palavra não te alcança – de tantos momentos com vocês. Dizem que nessa hora o cuore se ocupa com as lembranças dos momentos bons. Posso enumerar todos eles…desde o encontro no aeroporto ao café da manhã… desde a chegada, ao abraço de despedida…

Bambina, sabemos também que em alguns dias o nosso cuore parece estar em um quarto escuro – conheço essa solidão ou sentimento e tu também – e em outros é como se estivéssemos em uma escola de samba… Dá até pra ouvir as batidas.

Em outros momentos, é como se ele fosse pequeninho e um ser gigante tomasse conta dele. Já passou por isso, amore? Eu já! quando vejo o céu, a tarde, se apoderar das nuvens e o prenúncio de uma tempestade se aproximar, eu abro os braços e meu cuore chama pelo seu. Grito seu nome e preparo para os tuns-tuns… Seja em poesia, ou em cartas, o cuore sempre é o mote principal. Como hoje, que te ofereço o meu em forma de 6 fotos para retratar meus carinho.

Bacio,

Mariana Gouveia
Projeto fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna GuedesObdúlio Nunes Ortega Roseli PedrosoCláudia Leonardi

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – instantâneo

Porque a vida é esse flash de momentos

Bambina mia,

Usei esse instante para falar com você… Isso, tu que mistura meus verbos e abraços em acolhidas, mesmo tão longe, sempre que preciso grito seu nome e vou de encontro ao abraço. Já reparou que a vida é esse instantâneo de momentos? Uma farfalha e seu bater de asas pode causar o caos no mundo… eu já ouvi teu gargalhar…

Sei que pensamos juntas em como um voo pode proporcionar isso. Pessoas causam o caos no mundo. Com suas ações e reações descabidas e posso dizer que nesse quesito é ok que tu pensa igual a mim? Nããão! Você pode achar que é uma riqueza registrar um voo, um pouso ou mesmo nem registrar, mas ficar com o voo da farfalla a preencher seu momento.

Eu já fui denunciada por fotos de sexo de animais e tu sabe disso… mas, o momento, para mim, é aquele suspirar, de ver a natureza estampada em forma e cores para mim, na forma contundente de ampliar a vida, para além dos humanos. Sabia que hoje é o dia do sexo? Li isso em algumas matérias com dicas, ideias e coisas tolas que bufei a preguiça como você faz. E lá tem de ter dia para isso?

Ops, que eu ia escrever coisas sobre mãos e dedos… mas, afinal, elas servem para o pouso e cabem na delicadeza do instante – esse mágico, em que a palavra nos liga na poesia e magia que se resume no meu quintal.

É como se a gente não acreditasse que dentro de um casulo não existisse um voo externo. E que para além da seda, das asas, bambina, o voo só existisse para além dos muros. Mas, sabe que, para além do invólucro que se abre, as asas se desenham em liberdade.

Mas, a liberdade, bambina mia, é um bem precioso e interfere no espaço do outro para quem não entende. E o instante meu pode ser diferente – e deve ser – do instante do outro e às vezes, uma missiva atinge o cuore de quem lê apenas porque entende que sempre, a intenção do voo é o pouso… e eu, pouso em teu abraço como se fosse um voo de emoções.

Grazie por existir em minha vida e nos meus instantes.
bacio,

Mariana gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6 – instantâneo
Scenarium Livros artesanais
Participam comigo:
Lunna GuedesObdulio Nuñes Ortega – Roseli Pedroso – Suzana Martins

Das palavras das cartas · Projeto Fotográfico 6 on 6

BEDA – dos dias aleatórios ao encantamento

estranha que fui 
quando vizinha de longínquas luzes 
acumulava palavras tão puras 
para criar novos silêncios 
 Alejandra Pizarnik

Bambina mia,

de repente, hoje, percebi o silêncio no quintal através das teias de aranhas… geralmente, o quintal é barulhento por si só. Não bastasse o Chiquinho e seu chilreio atrás dos invasores da sua água no bebedouro, ainda há um bando de Encontros – o pássaro preto com o filete laranja na asa – o bem-te-vi e o pé de ipê com seu farfalhar de folhas nessa estação estranha por aqui.

Engraçado que falo de todos os bichos e de todas as coisas e me deparo com as teias enquanto dou água às plantas. Confesso que fiquei presa por um bom tempo dentro desse silêncio de domingo assistindo elas a cruzarem fios como se fossem tecelãs.

Algumas, parecem que foram abandonadas depois de tecidas. Geralmente, ficam entre o pé de clitória e capins que nasceram ali e que deixei ficar por causa dos cães. Parecem toalhinhas de crochê, e com os respingos da água parecem pérolas penduradas.

Sabe, bambina, fiquei pensando em como algumas coisas me causam encantamento no quintal e quis dividir com você o silêncio delas… Até o vento silencia perto das teias… a memória me leva para os campos do lugar onde meu pai mora e de como a vida vai me apresentando esses encantamento em dias aleatórios, como hoje.

A luz atravessa os fios e olha, bambina, os desenhos modificam de uma para outra… fiquei impressionada com isso e de como o silêncio se dá bem com isso. E em algumas, a doçura do erro não estraga a forma da teia… apenas a torna mais encantadora.

Confesso, bambina, que não sou muito fã do bicho que tece, talvez por isso, meu olho nunca tenha esbarrado nelas… mas, hoje, é domingo e descobri que não há dia para se encher de encantos nem de silêncios. O domingo parece acordar, para além dos muros e a vida já corre ligeiro por aqui. Vamos ali, viver!

Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros Artesanais
Estamos em Agosto e por isso, temos BEDA.
Participam comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Suzana Martins e Bob F

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6 on 6 – Via Lunar

Em casa de menino de rua o último a dormir apaga a lua!
Giovani Baffô

Bambina mia,

revendo minha caixa de cartas percebi que faz tempo que não te escrevo e como no momento o papel não me cabe nessa noite de lua cheia, aproveito para fazer do satélite natural motivo dessa missiva digital chegar até você. Desde segunda, eu fico presa ao céu, durante a noite e em algumas madrugadas. Às vezes, tenho por companhia meu pássaro de todo dia…

Às vezes, é só ela mesmo, majestosa com suas crateras enigmáticas – confesso que vejo um menino de coroa – e de diversas interpretações. Confesso que nuca vi o dragão, mesmo usando toda minha imaginação. Você sabia, bambina que há mais de 150 luas no sistema Solar? Eu fiquei boba de saber que só Netuno possui 13! E Saturno, tão exibido tem 48 e ainda os anéis… eu fico olhando meu céu noturno, cheio de estrelas e todas essas luas além do espaço que vemos.

Você já sabe que sou adoradora de lua e ela sempre me encanta em suas diversas fases e como se estivesse esperando uma foto minha se apresenta tal qual o meme: tira foto, mãe! Tira foto! Essa, já estava amanhecendo quando as pombas se apresentaram para a foto pedida.

E como ando tal qual a poesia, ando irresponsável nas manhãs, o instante se repetiu, bambina… a menina que leva a sonoridade de seu nome – ou o seu o dela – se abre feito guarda-chuva para ver o avião passar. quase vira frase de cartilha de criança.

A gente já falou muito sobre ela. Lembra-se? Já falamos na canção da Ivete, no poema da Clarice, no Lua de Papel – meu livro – ou seria seu? preferido… e quando falamos dela sempre me vem à cabeça a canção Luna tu e cantarolo baixinho pensando em você e no seu idioma natural.

Seis fotografias são poucas para eu falar com você sobre a lua, bambina… é uma via lunar o meu quintal. Ela vem mansamente no quadrante direito, rompe o muro por trás do pé de ipê e se põe majestosa… em algumas outras noites, ela surge disfarçando Marte e sua importância em minha vida como se fosse um piercing. Quase vejo uma piscadela para mim. Em outras fases, eu a vejo metade, em forma de riso, em meia forma e tão nova que parece menina ainda.
Encerro minha missiva lunar para você, para que chegue até você alguns instantes meus, de lua, porque sou assim. Rá! Amo tu imenso!
Bacio!

Mariana Gouveia
6 on 6 – Projeto Fotográfico
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo: Lunna GuedesObdúlio Nunes

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – about

No inverno, um animal
 Na primavera uma planta
No outono – uma ave 
O resto do tempo sou uma mulher 
Vera Pavlova

Tantas vezes, em tantos casos eu sou a menina e em outras sou a própria história inventada. A biografia escrita nos olhos dos outros.

Já fui também a artista que compunha casos e imitava em arte aquele que escrevia coisas para além da alma. a que justifica o próprio ato, antes de atuar.

Tudo em mim vira asas e pousos… gosto da chuva, das tempestades, dos raios e trovões. Da lua, das nuvens. Mais de bichos do que de gente.

Nas minhas digitais trago pólen de flores, poeira dos pés de animais, de asas de beija-flores e no ouvido tenho o som eco dos corações deles.

Em alguns momentos, eu sou preto e branco, silêncio, melancolia e saudade.

Mas, na maioria das vezes sou essa multiplicidade de vozes… das mulheres tantas que vivem em mim – mãe, avó, neta, tia, mulher, poeta, escritora, artesã, fotógrafa e adoradora da vida. A que gosta de pisar na terra e olhar para o céu. A que chora e que ri. Sou eu. Plena de mim e ciente de meu lugar no mundo.

Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Livros artesanais
Participam comigo:
Lunna GuedesObdúlio Nunes OrtegaRoseli Pedroso e Suzana Martins

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6 on 6 – Geometrias – das geometrias do meu lugar.

Bambina mia,

Andei procurando uma forma diferente de falar de geometria com você sem necessariamente sair por aí fotografando os espaços da minha cidade. Lembro-me de que te perguntei sobre o que pensou dentro da palavra geometria e ouvi sua gargalhada… Resolvi modificar meus gestos dentro da palavra e te escrever… Sabia que depois disso vi geometria em todas as coisas… Rá!
Em cada canto há uma janela quadrada – às vezes, retangular e até oval. Por isso resolvi seguir meu olho e te mostrar a geometria das coisas daqui.

As borboletas daqui, depois que passei a observá-las, me trouxeram nuances geométricas, não só nos desenhos que formam em suas asas, mas juro que vi um formato de triângulo quando ela pousou em meu dedo. É lúdico, bambina… mas é quase triangular essa asa, não é?

Confesso que vi um hexágono na ipomeia lilás e suas gotas. A trepadeira está coberta delas, e quando ficam penduradas também tem o formato de triângulos… e como há triângulos por aqui, em diversas coisas…

Sabe, bambina, eu fiquei mesmo feliz quando vi o reflexo do arco-íris no quadrado do piso da varanda… Aconteceu a primeira trovoada de maio aqui e me lembrei de você… Gritei seu nome – o que já nem é estranho mais – porém, o ritual do arco-íris levou a chuva para outro lugar e só deixou os trovões por aqui.

Nos retângulos de pedras que cobrem uma parte do quintal servem de caminhos para o joão de barro. A ave parece brincar de amarelinha e arranca um riso meu. As flores de ipê fazem cama por ali, quando caem, sob a leveza do vento. Acho que já te mostrei isso. O chão fica dourado de flor.

Mas, é através da janela, sem suas cortinas lilases que o céu se desenha para mim, bambina… os retângulos – ou seriam quadrados? – me mostram as nuvens e suas nuances, ainda com indícios da chuva que não veio…

Bambina mia, encerro com a lua e seu círculo natural chegando em minha noite. Claro que faltaram tantas coisas, mas esse espaço cabe apenas seis fotografias. Eu poderia ter te mostrado as manchas engraçadas nas costas das ladies bugs que vivem aqui, o triângulo disfarçado no besouro que encontrei esses dias no pé de algodão e até as geometrias diversas na folha do mesmo pé de algodão. Mas fui escrevendo formas por aqui… Meu abraço cabe direitinho no seu abraço. Seria um enlace… é geométrico o abraço?

Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6 – Geometria
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes Obdúlio Nunes Ortega Roseli Pedroso e Suzana Martins

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6 on 6 – arquitetura

A arquitetura é música congelada. Essa frase que é atribuída a Schopenhauer e a Goethe – como não sei o autor real, cito os dois – me faz lembrar que se eu associar meu lugar à frase, diria que além de tudo, a arquitetura é música congelada e sacra. Porque quando falo da arquitetura de Cuiabá as igrejas predominam, não só na capital, mas também, no estado.

A Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho foi construída no século XVIII, precisamente em 1918, em estilo neogótico, à semelhança da Notre Dame, de Paris. Tombada como patrimônio histórico é um dos pontos turísticos de Cuiabá.

O interior todo em abóbada guarda mistérios contados pelos moradores antigos. Dizem que essas estruturas históricas guardam mais curiosidades, algumas verdadeiras, outras atribuídas ao imaginário popular. Um desses relatos – alguns chamam de boato – fala que a Igreja, uma das primeiras construídas em Cuiabá, teve suas obras paralisadas completamente porque havia o temor de que o morro ruiria junto com a estrutura, soterrando parte do córrego da Prainha, hoje, uma das avenidas mais movimentadas de Cuiabá. Outro relato dá conta da existência de um túnel secreto que começava no interior da igreja e se alongava por cerca de 80 metros até o mesmo córrego por onde muitos perseguidos no período militar se escondiam.

Em seu anexo lateral, a igreja abriga o Museu de Artes Sacras, com relíquias do período renascentista. Abriga o maior conjunto de artes de estilo barroco, rococó e neoclássico existente em todo território Mato-grossense. Vale a apena a visita.

A igreja São Benedito e Igreja do Rosário foi construída em arquitetura de terra em torno de 1723. Sua fachada, de grande simplicidade, é típica da arquitetura colonial brasileira e esconde a decoração barroca-rococó nos altares do interior, com rica talha dourada e prateada, única com esses detalhes no país. Construída inicialmente com a técnica da taipa de pilão, passou por várias reformas, incluindo uma que transformou sua fachada em neogótica.

Igreja Bom Jesus de Cuiabá, a igreja Matriz em Cuiabá, é um dos monumento históricos mais antigos que existe na cidade de Cuiabá. Tombado como patrimônio foi fundada no ano de 1722. Famosa pelo grande relógio que fica exposto sobre ela.

Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, construída na década de 1914 por Salesianos e dedicada à Nossa Senhora Auxiliadora. Em estilo neogótico é a única igreja da cidade que possui abóbadas de aresta. Aqui, falei apenas de algumas igrejas católicas, em Cuiabá. Mas, ainda há infinidades delas e não caberiam em apenas seis fotos.

Eu poderia ter fotografado o centro histórico e suas casinhas de adobo, algumas, já deterioradas. Mas, não conseguir fazer isso. Poderia falar dos prédios modernos, que curiosamente amanhecem erguidos da noite para o dia. Dia 8 de abril, Cuiabá completa 304 anos de sua fundação. Falar de suas igrejas e tradições foi uma forma de homenageá-la.

Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
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É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Participam comigo:
Lunna Guedes – Suzana Martins – Roseli Pedroso – Obdúlio Nunes Ortega