infinitamente

Era uma vez e muitas vezes

Outono… diziam que era a estação atual e eu já havia desistido de olhar o calendário… eu só escrevia o diário. Escrevi sobre o primeiro encontro. De quando me apaixonei. Desenhei flores, corações e as letras decoradas com o nome dela.

Mas, isso de amor encontrado, o primeiro beijo desejado, ensaiado, parece invenção da minha cabeça. O vento não… eu pude sentir quando ele chegou se misturando aos ventos de todos os lugares. Ora brisa, ora furacão e o cheiro do perfume a invadir o quintal. Uma vida inteira não basta para apagar a sensação do toque das mãos dela na minha pele. Do vento, do que me lembro foi o sopro dela em meu pescoço e depois disso, decidi não lembrar de nada. Ficou apenas o diário escrito em um dia qualquer: era uma vez e muitas vezes ela, dentro do meu outono.

Mariana Gouveia
De todas as estações

Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 – Geometrias – das geometrias do meu lugar.

Bambina mia,

Andei procurando uma forma diferente de falar de geometria com você sem necessariamente sair por aí fotografando os espaços da minha cidade. Lembro-me de que te perguntei sobre o que pensou dentro da palavra geometria e ouvi sua gargalhada… Resolvi modificar meus gestos dentro da palavra e te escrever… Sabia que depois disso vi geometria em todas as coisas… Rá!
Em cada canto há uma janela quadrada – às vezes, retangular e até oval. Por isso resolvi seguir meu olho e te mostrar a geometria das coisas daqui.

As borboletas daqui, depois que passei a observá-las, me trouxeram nuances geométricas, não só nos desenhos que formam em suas asas, mas juro que vi um formato de triângulo quando ela pousou em meu dedo. É lúdico, bambina… mas é quase triangular essa asa, não é?

Confesso que vi um hexágono na ipomeia lilás e suas gotas. A trepadeira está coberta delas, e quando ficam penduradas também tem o formato de triângulos… e como há triângulos por aqui, em diversas coisas…

Sabe, bambina, eu fiquei mesmo feliz quando vi o reflexo do arco-íris no quadrado do piso da varanda… Aconteceu a primeira trovoada de maio aqui e me lembrei de você… Gritei seu nome – o que já nem é estranho mais – porém, o ritual do arco-íris levou a chuva para outro lugar e só deixou os trovões por aqui.

Nos retângulos de pedras que cobrem uma parte do quintal servem de caminhos para o joão de barro. A ave parece brincar de amarelinha e arranca um riso meu. As flores de ipê fazem cama por ali, quando caem, sob a leveza do vento. Acho que já te mostrei isso. O chão fica dourado de flor.

Mas, é através da janela, sem suas cortinas lilases que o céu se desenha para mim, bambina… os retângulos – ou seriam quadrados? – me mostram as nuvens e suas nuances, ainda com indícios da chuva que não veio…

Bambina mia, encerro com a lua e seu círculo natural chegando em minha noite. Claro que faltaram tantas coisas, mas esse espaço cabe apenas seis fotografias. Eu poderia ter te mostrado as manchas engraçadas nas costas das ladies bugs que vivem aqui, o triângulo disfarçado no besouro que encontrei esses dias no pé de algodão e até as geometrias diversas na folha do mesmo pé de algodão. Mas fui escrevendo formas por aqui… Meu abraço cabe direitinho no seu abraço. Seria um enlace… é geométrico o abraço?

Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6 – Geometria
Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes Obdúlio Nunes Ortega Roseli Pedroso e Suzana Martins

Das rotinas · Divã

A intenção do silêncio no barulho das coisas

Ph: Tumblr

Depois dos dias de silêncio passou a inventar histórias… Ouvia canções em idiomas que não conhecia e nem sabia a tradução.
Era uma maneira de matar o silêncio das coisas.
A bailarina de porcelana a enfeitar a mesa do canto. O elefante de vidro fosco – sempre mudo – ao lado da vitrola antiga, encontrada em perfeito estado no brechó da amiga.

Repassava os discos de vinil como se buscasse motivos para o acontecimento das coisas.
O encanto guardado no baú da memória.

Depois dos dias de silêncio passou a escrever cartas que nunca enviaria – com exceção de uma, relatando o fim – e nunca seriam lidas.

Depois dos dias de silêncio passou a ouvir as folhas e o pouso da libélula no varal de roupas e a condenar o barulho dos cães na rua debaixo quando percebiam que o homem da reciclagem se aproximava com sua carroça e a cantoria que acordava o silêncio das coisas e depois disso tudo era barulho dentro dela.

Mariana Gouveia

Das rotinas

Trevo

Contava a sorte nas asas
Viu estrelas cadentes riscar o céu.
Fez pedidos
para ilustrar a vontade de vida.
Acolheu risos em forma de fé.
Ganhou abraço quando a palavra perdida chegou.
Estendeu a mão para a mulher que conhece a sorte do dia.
Descobriu no trevo o caminho para seguir.

Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Cartas para abril – Eu não sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim, te procuram.

Leonor,

Eu deveria te escrever em poemas. Usar teus poetas favoritos ou as canções que me lembra você. Mas, eu… às vezes, fico perdida… Devo escrever cartas que sei que nunca irá ler? Postar os envelopes pardos na agência dos Correios sem saber se irá buscá-los em sua caixa postal? O que eu faço, Leonor?

Eu acho que gestei demais a despedida e usei a tag marítima como sinal para você se reconhecer em meus gestos. Mas tenho pensado: será que você não foi inventada por mim? Tudo que vivemos parece pertencer a um passado tão longínquo que parece ser coisa da minha cabeça.

Te perdi, te ganhei, me perdi ou nos perdemos? Lembro-me do tempo em atravessei um campo de capins dourados e você me esperava no topo do morro. A frase ecoou morro abaixo e você com a câmera fotográfica nas mãos registrava meus gestos – e se uma sumisse da outra entre o capim dourado, como seria? – e eu me lembro de te dizer que a procuraria até o fim do mundo. Doce ilusão! O fim do mundo é longe demais e mesmo as cem ideias que usei para te encontrar se perderam em uma praça de Queluz.

Alguém me disse que não podemos encontrar quem não quer ser encontrado — e eu fiquei pensando se era você que tinha esse medo de se perder ou era apenas a promessa de uma fuga que te movia. Confesso que já apaguei mil e quinhentas vezes as mensagens com sua voz e recuperei em tantas outras mil e quinhentas, só por medo de esquecer seu sotaque e o som monocórdico de sua voz.

Na última vez em que nos falamos, você disse que havia andado por minha rua — tantas vezes — através do Google Street e que pensou no pé de trevo de quatro folhas que cultivei como se fosse um tesouro, para depois do portão… E tudo mudou… Você sumiu do mapa e eu ainda procuro por você no meu silêncio. Nas estações, nas gavetas da memória, nas palavras de seus amigos. No topo do morro da Chapada, nas ruas misturadas com as casas coloridas que você tanto amou fotografar.

No resto do tempo, começo a te esquecer e a passo a ler as notícias que saem nos jornais do seu lugar. No carro igual ao seu que passa na rua de cima, no sol de cada dia e até na xícara de café — quer café, flor? — porque eu fico esperando qualquer coisa de extraordinária para recebê-la mais uma vez entre gotas de chuva nessa estação da espera.

É elementar que seja assim. Se passaram mais de mil madrugadas e eu sou todas as janelas e portas abertas, como se estivesse sempre pronta para sua volta. E eu já fui até farol, confesso…  Mas, hoje sou apenas essa solidão para o nome das coisas.

Mariana Gouveia
Texto publicado no blog da Scenarium Livros Artesanais
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Participam comigo:
Lunna Guedes – Suzana Martins – Roseli Pedroso – Obdúlio Nunes Ortega

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Carta para abril – As metamorfoses e seus contrários com uma xícara de chá

Minha menina nuvem,

O tempo mudou por aqui e o céu azul foi transformado em cinza logo depois do almoço. Precisei ligar a luz para trabalhar, já que escureceu de repente. Dizem vai esfriar e me perco dentro da estação. Com a chuva que caiu torrencialmente as sementes do ipê voaram para todos os cantos do quintal. Ela voa de tão fina e volta e meia levo embaixo do pé uma delas para dentro de casa.

Su, geralmente, trabalho no quintal ou na varanda, mas precisei levar a mesa para dentro e fui espiar a chuva. A luz da rua apagou e fui cuidar dos casulos – vários deles se formaram no pé de turnera – que é onde acontece as metamorfoses no meu lugar.

Já te contei que as borboletas nascem pela manhã? Umas gostam mais do meio-dia. Enquanto outras preferem o antigo canil dos cães, que é meu “sótão” de mentira. Lá é mais escuro e as mariposas gostam mais de lá. Gosto de ver esse processo de transformação – e até acho que vou me transformando junto – e depois, da metamorfose ao voo.

É certo que eu plantei as flores que elas gostam e com isso, o meu quintal está sempre “grávido” de borboletas. Mas, há também outras metamorfoses no meu lugar. As lady-bugs também tem um processo único para se transformar. Da larva ao inseto o pé de algodão vira casa delas. Das mais variadas espécies e logo as asas que parecem origamis vagueiam por aqui.

Gosto desses gestos por aqui e vou carinhosamente, com cuidados de mãe cobrindo os casulos… volto para dentro fugindo das gotas de chuva e vou preparar um chá… meu pé de alecrim está lindo e se ofereceu para aquecer essa tarde-noite estranha ao meu lugar. Preparo o caderno, sublinho as folhas e começo a te escrever enquanto bebo meu chá…

Aceita uma xícara?

Beijo meu
Mariana Gouveia
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
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Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Cartas para abril – Cuiabá, manhã de sexta-feira santa,

Bambina mia,

O poema que me enviou me fez pensar em Ana. Ela adorava ficar parada, em um banco de praça, em uma calçada de qualquer esquina a observar quem passava. Maryann, é enriquecedor isso! Já imaginou o quanto de história tem em cada um?

A minha imaginação até flui no outro, no desconhecido… Mas eu escrevo a partir dos detalhes que a realidade oferta… Nem tudo é real, mas eu preciso da realidade para dar vida a minha narrativa. Ana preferia imaginar… de maneira peculiar: lúdica, poética, vaga… Eu queria ir ao sítio dos outros, desvendar as histórias, saber os nomes, ler sobre os segredos, trocar cartas…  e foi em uma carta que te encontrei.

Ir ao sítio dos outros não quer dizer invadir espaços que não são meus. É dar o toc, toc — dizer: oi, sou eu, estou aqui… e esperar que a porta se abra. Ana era voyeur que se perdia nos olhares, nos gestos. Espiava… dava cor aos transeuntes e lá de Paris dizia: o moço que perdeu o sapato me acompanhou até a praça da faculdade. Eu dei a ele o cachecol vermelho que você me deu. Estava muito frio… eu acho que ele perdeu um amor. Ela me escrevia de dentro da vida e eu respondia de dentro da minha saudade.

Mas havia um limite entre ela e o outro que era justamente a imaginação. Vejo um pouco dela em você. Essa inquietação com relação as pessoas. Ela era o próprio barulho — como você — e ecoava em tempestades mil. Com o outro, era distância nunca ultrapassada… os metros dos olhares. Uma troca de livro, uma sopa quente, um café noir e a mesa da cantine para ela. Seu passatempo favorito era ficar horas a observar o movimento-pessoas-personagens-imaginação.

Quando falo de Ana — as memórias, às vezes, nos traem — lembro-me do olhar amoroso comigo, do ônibus elétrico e seus olhos tragando minhas emoções. Enquanto o motorista descia para acionar o fio que se soltou. Você cabia na nossa história. Sua mão alcançou a minha e foi o amparo mais doce que senti na vida.

E foi ali que percebi que seu sítio cabia em mim… Você, tão avessa aos humanos. Tão canina quanto eu e tão aconchego para os que tocam o seu coração. Isso tudo é uma exceção à regra, mesmo porque, em muitos momentos, a regra decepciona.

Grazie Mille!

Mariana Gouveia
Carta publicada no blog da Scenarium Livros Artesanais
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Participam comigo
Lunna Guedes – Suzana Martins – Roseli Pedroso – Obdúlio Nunes Ortega

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Cartas para abril – uma história que se repete:

eu e sua rua

Ana,

Nessa noite densa e estrelada eu te escrevo… para te contar que passei na sua rua ontem e a cerca de madeira está cheia de flores da trepadeira que você plantou. Esta cena já se repetiu algumas vezes e dependendo do caminho faço, é inevitável passar na frente a casa que você morou e que nós moramos, compartilhamos e vivemos os mais bonitos instantes de amor.

Ainda te vejo na soleira da porta com as mãos acenando despedidas, riso solto e olhos brilhando. Em dias de muita saudade evito a rua do meio e dou a volta no quarteirão que é o dobro do caminho… Às vezes, me falta estrutura, querida minha.

Misturo versos de poemas aos instantes que vivemos… os passeios de domingo e suas histórias cheia de humor… Não era atoa que você pensava no homem de Paris que perdeu o sapato bem na sua frente. E das vezes que sua visita em um casarão em ruínas te fez correr tanto de susto… e cruzar com o mesmo homem que lhe cobrava o sapato — como alguém perde um sapato em Paris? — e seu riso ecoava vida afora…

Eu ainda me lembro dos vários rituais que repetidos e das cerimônias — que eram sempre as últimas — e vibrávamos com o sol nascendo como se nunca mais isso fosse acontecer. De como Marte era tão visível em certas noites que seriam banais e se tornaram únicas porque você levava Marte em seu nome como se ali sempre fosse o seu lugar, mesmo estando anos luz distante daqui, de mim, ou dessas histórias feitas de fragmentos…

Eu ainda tenho na memória seu olho através da cortina, e sua presença tão forte e potente em mim, na casa da Kaori e do teu monólogo ao meu ouvido no telhado de minha casa, no bairro antigo; quando dizia que Marte estava ao alcance de suas mãos e que poderia me dar quantas estrelas eu quisesse.

Eu nunca quis muita coisa para além do seu riso, da sua voz lendo poemas, dos ecos dos seus passos no corredor e das canções desafinadas de quem canta apenas o amor… Era isso que eu queria. Falar de Gadu, de Gil e Caetano. Da chuva, de um Japão com as cerejeiras em flor que nunca conhecemos e do barulho do rio a desaguar nos afluentes do Pantanal.

De frente para a cerca cheia de flores busco essa tentativa de te observar e você já não me vê ou até vê, nesse abandono de corpo entre o celeste e o seu quintal… Ouço vozes para além do portão. Alguém ri e como aconteceu em tantas vezes, me confundo. A cena está vazia e dentro de mim você é esse poema que tento domar para além dos muros do meu quintal… em sua rua, que é onde me perco, como se o vento não pudesse levar as minhas palavras e o meu amor até você.

Não é você na soleira da porta… é apenas a minha imaginação chamando pelo seu nome para além do amor.

Mariana Gouveia
Cartas para abril postada no blog da Scenarium Livros Artesanais
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Lunna Guedes – Suzana Martins – Roseli Pedroso – Obdúlio Nunes Ortega

Das rotinas · Scenarium Livros Artesanais

Quem sabe amanhã você venha

De mim, o ruído estranho.
O coração que cresce. A voz que se cala, cabelo curto, que o vento agita.
Tracei os caminhos profanos e respirei liberdade.
Cometi os Sete Pecados.
Colhi o que plantei. Respirei saudade. Fiquei à espera.
Nasceram gérberas. Plantei mamão para os pássaros.
Costurei dimensões dos dias. Escrevi cartas. recebi cartas. Ganhei presentes. um riso de uma menina que partia doeu meu coração.
Por falar em coração, ele é todo cicatriz. Das esperas onde nada acontece.
O physalis deu flor, deu fruto e secou. Renovou-se nas esperas. Misturou-se nas folhas do amor agarradinho que cresce, agarra. Pinta de rosa o quintal.
Um pássaro noturno canta. É a aparição da saudade. Olho o céu. vejo a lua, as estrelas. Choro e chamo seu nome.
Quem sabe, amanhã você venha.

Mariana Gouveia
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
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Lunna Guedes – Suzana Martins – Roseli Pedroso – Obdúlio Nunes Ortega

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Me escreva uma carta

Dessas cartas simples, que mais parecem bilhetes e que soam a mansidão dos dias.

Havia um tempo em que eu desejava tanto a vinda do carteiro. E lá ia eu vasculhar as correspondências para saber algumas palavras de encanto no meio de tanta carta. Umas, era para minha irmã mais velha. Curso por correspondência. Um instituto que ensinava a bordar, costurar, pintar e tudo mais que se ensina hoje, só que nessa época, era por correspondência.

Outras, dos parentes distantes, contavam desde o nascimento dos filhos, do primo que casou. Da tia que enviuvou, do cavalo que nasceu… Não havia nenhuma carta endereçada a mim. Por que não havia quem escrevesse. E hoje ainda não há.

Já não há cartas mais, nem envelopes com a tarja amarela e verde. Os parentes que escreviam, alguns morreram, os que nasceram usam a internet e não há mais tanta novidade que o Facebook não traga de imediato.

Hoje, o que chega pelos correios são as faturas do telefone, da conta de luz e de água. Sinto falta do diálogo feito entre as letras e eu, e o papel de carta decorada de coraçõezinhos.

Me escreve uma carta, e nela me relate tua vida, teus sonhos e até tua angústia. Fala dos medos, das coragens e da vontade absoluta de ser feliz.

Ou ainda assim, mesmo que não consiga escrever nada, mande-me teu perfume para eu sinta sua presença aqui.

Mariana GouveiaÉ abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Participam comigo
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