infinitamente

Era uma vez e muitas vezes

Outono… diziam que era a estação atual e eu já havia desistido de olhar o calendário… eu só escrevia o diário. Escrevi sobre o primeiro encontro. De quando me apaixonei. Desenhei flores, corações e as letras decoradas com o nome dela.

Mas, isso de amor encontrado, o primeiro beijo desejado, ensaiado, parece invenção da minha cabeça. O vento não… eu pude sentir quando ele chegou se misturando aos ventos de todos os lugares. Ora brisa, ora furacão e o cheiro do perfume a invadir o quintal. Uma vida inteira não basta para apagar a sensação do toque das mãos dela na minha pele. Do vento, do que me lembro foi o sopro dela em meu pescoço e depois disso, decidi não lembrar de nada. Ficou apenas o diário escrito em um dia qualquer: era uma vez e muitas vezes ela, dentro do meu outono.

Mariana Gouveia
De todas as estações

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