Afetos · Literatura · Lunna Guedes

BEDA #14 – A mutação: O tecido das nossas armaduras.

Fotografia de minha autoria modificada por IA.

Ler sobre o baú do tuo nonno e a sua coleção de quadrinhos me fez sorrir com a imagem daquela menina fascinada pela Tempestade e pela Jean Grey. Claro que seria a Tempestade a sua heroína, com toda a misticidade que a envolve. Isso me faz lembrar da tempestade que assisti ao seu lado e o brilho nos seus olhos quando os relâmpagos cortavam o céu. Ficamos na sacada a respirar a fúria do céu. Essa é uma das cenas que nunca vou esquecer. Você parecia a própria Tempestade, com os olhos fixos e a voz ecoando a cada trovão.

Os meus quadrinhos eram outros, porque era o que a gente ganhava entre alguns livros. Os meus irmãos usavam as capas montados em cavalos de verdade no pastoreio do gado. A Mulher-Maravilha chegou na minha vida já quase na adolescência, e não como uma figura emblemática de poder feminino. A beleza de Lynda Carter — e mais recentemente Gal Gadot — exibia na tela uma Mulher-Maravilha cujas cenas eu via através de frestas da janela, isso quando a vizinha que tinha televisão não fechava de vez a cortina.

Para mim, a Mulher-Maravilha nessa época era Kaori, que com seu um metro e meio me acolheu em momentos dolorosos na perda de minha mãe. Ela estava sempre atenta a qualquer chamado meu, seja com uma xícara de chá, um colo, mãos estendidas ou um rolinho primavera — sem o biscoito da sorte, porque ela era a própria sorte.

Essas mulheres reais que me cercaram nunca precisaram de capas para comandar seus próprios raios e trovões. Nossas mães, nossas nonnas, e nós mesmas, tantas vezes precisamos endurecer a casca para proteger a sensibilidade que trazíamos por dentro. Olhando para trás, vejo que a vida nos exigiu mutações constantes: deixamos de ser frágeis ou invisíveis para nos tornarmos as anti-heroínas da nossa própria história, com desejos reais e caminhos conquistados a duras penas.

O universo das histórias nos moldou, é verdade, mas foi a coragem de assumir as nossas próprias metamorfoses que nos trouxe até aqui. Toda casca rígida esconde uma força imensa, e escrever com você neste agosto é a prova de que nenhuma de nós tem medo de abrir o baú e libertar os próprios fantasmas.

Bacio,

Mariana Gouveia

Afetos · Das palavras das cartas

BEDA #9 – A Mutação: O avesso que herdei de você.

pai,

Hoje o calendário diz que é o teu dia, mas aqui dentro a vida exige o avesso. Dizem que há muitas fases para o luto, pai; a falta de uma pessoa que se foi provoca muitas mudanças nos anos que se seguem e descobri que mudar é um processo invisível e doloroso. Para que o voo aconteça amanhã, é preciso desmanchar-se por dentro hoje, recompor as certezas e aceitar a perda da antiga forma.

Dói deixar de ser o que eu era. Antes, eu era a filha; hoje, sou órfã. Mas, enquanto me desmonto no escuro desse processo, é a tua força que me sustenta. Olho para as minhas mãos e reconheço nelas os teus traços, a tua teimosia bonita e a herança da tua firmeza. As coisas de que você gostava passam a fazer parte das lembranças e, em diálogos com meus irmãos, é comum repetir: meu pai gostava disso. Cada um reage diferente à tua falta, cada um repete em gestos os teus gostos.

Neste domingo de sol forte, recolho os meus pedaços sabendo que herdei de você a coragem de enfrentar os próprios desertos. Bebo meu café pensando no teu abraço. Sigo daqui, sangrando as asas no silêncio, mas pronta para o tamanho do mundo que me espera.

Feliz dia, onde quer que a tua ilha esteja!

Com todo o meu amor,

Mariana Gouveia

das coisas breves

BEDA #2 – Casulo: Antes de amanhã é quase hoje

Eu vi a Divindade com o olho do coração. Eu disse: “Quem é você?”
Ele disse: “Você”.
(Mansur Al-Hallaj )

Ei, Agosto,

Os dias chegam diante do espelho. A vida passa igual aos flashes dos cinemas. Isso era ontem. Outro mês e outro dia. E as coisas aconteciam antes de ontem…

A manhã surge radiante espantando a cor — o cinza oco dos tempos dos corredores frios — e a cidade vista da janela se apresenta dourada. Um suspiro e tudo muda no final do dia. Antes de amanhã é quase hoje, e um novo mês que se inicia rompe as nuvens.

Trovões ao longe. Para os lados do sul. Para lá, cada clarão contrasta com o dourado que invade as cortinas, as frestas, a janela. Como se o céu rugisse para dar boas-vindas ao novo mês. Bem-vindo, mês febril! O calor e a fumaça tomam conta do meu lugar. A moça do tempo mais uma vez avisou que não vai chover.

Mas os dias passam tão rápidos e logo estarei aqui dizendo que ele se foi. É quase um piscar de olhos e essa manhã se tornará tarde-noite-madrugada e novo dia. São as rotinas soprando os calendários que marcam o santo do dia, a fase da lua, a frase de efeito, os dias que faltam para o fim do ano… Ufa!

Tudo isso em um tempo vivido antes de mim… Assim como os casulos rompendo as cascas e a metamorfose acontecendo. Antes de mim, as rotinas eram lentas, rastejantes. O dia podia ser contemplado da janela e as flores anunciavam as estações em ritmo de sementes — hoje, tenho sementes, flores e frutos no mesmo pé — e havia o tempo de plantar e de colher.

Desta janela, a cidade ainda dorme — ou grande parte dela — aos meus pés. As horas já avançam em sintonia com o tique-taque do relógio deste lugar… Os corredores lotados de pessoas que buscam cura e esperança umas nos olhos das outras. Outros desviam o olhar para depois.

Depois!

Mariana Gouveia

Das palavras das cartas

Dentro de uma sexta-feira a promessa se cumpre.

bambina mia,

Foi breve como você disse ao me escrever… nem deu tempo de secar as hortênsias que deixei florindo e já voltei. Voltei e li sua carta como se fosse um abraço.

Você falava sobre os envelopes que envelhecem e recorri ao meu baú para encontrar uma carta antiga sua… era abril de 2017 e ainda não amarelou, mas senti a poesia ganhar vida em suas letras.

Dentro de seu cenário descrito na carta digital e a carta de papel na mão descobri que as estações permeiam nossas histórias. Me deixei levar por suas mãos e olha só… trovejou! Isso já está se tornando rotina por aqui e mais uma vez grito seu nome – uma vizinha perguntou quem seria Lunna, se só tenho Lolla e Yoshi – brinquei que você era meu amor de estimação…

Coloquei Paul para tocar Something enquanto um arco-íris cruza o céu… a tarde ainda está úmida depois do temporal e a casa da vizinha, sem reboco é abraçada por ele. Suspiro como se estivesse aí… suspiro por não estar. Confesso que a sensação é a mesma de quando vejo suas fotos de pães e eu não estou aí para comer.

Sinto a mesma emoção que te toca aí… Espero que tenha sido breve a espera pela resposta e cumpro a promessa nessa sexta-feira chuvosa e cheia de sol nessas nuances que só a previsão do tempo pode explicar… seria esse o mistério das estações por aqui?

Bacio em tuo cuore,

Mariana Gouveia

Das palavras das cartas

Carta ao instante de amor(a)

Luci,

Retomando um ritual desde que a conheci te escrevo hoje. Logo cedo, mentalmente, fui criando as palavras que eu queria te contar. É tanta coisa que as palavras foram criando carreirinhas em minha mente e sentei-me aqui para te escrever.

Sabe, Luci, eu fui ver meu pai… Fiquei por lá alguns dias abastecendo minha alma de poesia. Já fazia alguns anos que eu não ia por causa da pandemia. Lembrei-me de você enquanto via ele recusando o prato da comida que ele mais gosta quando descobriu que eu iria embora no dia seguinte e eu tive de contar para ele todas as complicações que seu pai teve quando se recusou a comer. Contei até do estuque verde da parede antiga e criei algumas coisas a mais para animá-lo.

Também contei a ele sobre minha resposta a você e sobre o pajé que me disse na época que não comer era um desacato a quem passa fome de fato… Falei de nossas ligações com borboletas e bichos, de como somos abraçadas por humanos especiais e da chuva de flor que cai em sua rua… Ele riu disso. Me disse que a folha do mamoeiro é o guarda-chuva para esses dias de brincar.

Fiquei mais de uma hora falando de você, Luci, dos cães e de seu pé de laranja lima que para mim nada mais é do que uma personagem de livro. Sua Anna é uma poesia que quero inventar e não consigo porque olhando o olho dela ultrapassa o senso comum das poesias e ele disse que você é uma pessoa de sorte…
Depois de tudo isso ele comeu e fui colher amoras… respirei quando achei uma com o formato de coração. Foi ali, tocando os galhos da amoreira que senti saudades de casa, Luci… Foi ali que descobri que aquele lugar é apenas meu abastecedor de energia e que cultivar esses momentos até um novo reencontro é verbalizar ternura.

E é assim que desejo a você nesse novo ciclo… que o verbo ternurar seja sempre renovado dentro dos seus dias e abastecedor de energia sempre.

Abraço carinhoso,
Feliz Aniversário!
Mariana Gouveia

Das palavras das cartas

Carta ao amor dentro dos dias

 

Como a gente dimensiona os dias? Qual a intensidade que a vida nos atinge? Se eu fizer essa pergunta, você teria a resposta ou a gente buscaria ela nas memórias de antes?

Eu ainda trago em mim coisas do tempo em que eu era apenas a irmã do meio que ficava admirada com a irmã mais velha normalista… aquela que me inspirava a escrever poesias, me animava a criar as coisas de encantar e aquela que eu espiava de longe e admirava a força e a coragem, mesmo sabendo-a medrosa…

Os anos vão nos moldando e nos confronta todos os dias e a rotina cumpre seu papel diário… cada um segue seu caminho e o destino nos levou uma para longe da outra e não me lembro buscando na memória qual aniversário seu a gente passou juntas…

Eu sempre vivia o 18 de fevereiro em pensamentos para você e enviando mensagens de todos os desejos de bem viver para que você nunca se sentisse só, mesmo estando com mil e quinhentos problemas na cabeça… era seu dia e eu amanhecia plena de você… a minha mia que cruzava a estradinha e ia estudar for para ser alguém na vida… a minha irmã mais velha que era o exemplo de mulher e coragem e ainda é… mesmo que você não acredite nisso.

Hoje, estou aqui… escrevo enquanto a cozinha não te cabe e vive cheia de presença sua… enquanto sua arte predomina na casa toda e extravasa na soberania de sua presença… hoje, meu abraço é de perto e meu amor tão grande que ultrapassa o sentido de admiração.

Te amo muito!
Feliz Aniversário!

Mariana Gouveia


Divã

Há uma mulher…

[Há uma mulher que caminha sobre a areia da praia e voa com as aves marinhas entre risos]
Que desenha em minha pele histórias nunca vividas e que sonha atravessar o oceano a nado.

É feita de vento e alada. Ocupa os espaços todos. Quebra as regras.
É essa roupa feita de matizes e quase um fado dentro da melodia da canção.

No avesso, é essa explosão de sentimentos. O riso entalhado na arte que a seduz.

Dentro de mim, acontece. Detalhada no poema que fabrico – as mãos a tocar as asas aladas do amor – feito metamorfose do efeito leveza que as borboletas fazem.

[Há uma mulher que sonha horizontes, que sonha cidades]
Quisesse saber dela bastava abrir os braços e tocar o vento.

A pele, puro arrepio e em meu silêncio é pura fala.
Quisesse conhecer a emoção, bastava pronunciar o nome e as matas e jardins aconteceriam no instante de agora.

Quisesse saber de pouso e estenderia minhas mãos nas mãos das tuas asas e assim, nasceria de novo e
de novo dentro do mais belo amor.

Mariana Gouveia
Ph: Pinterest

Das palavras das cartas · Projeto52

Eu me lembrei de você, em mim

Ana,

Abri as gavetas hoje e fazia tempo que eu não tocava em suas coisas…  A cômoda ficava sempre ali, no canto, muda e eu ignorava o chamamento dela…

Confesso que, vez ou outra alguma fragrância escapava dali e me trazia a memória lembranças suas… mas, hoje, talvez por causa de fotos que recebi do meu livro passeando pelas ruas de Paris achei que devia vasculhar alguns momentos e tocar nas coisas que você tocou e eu me lembrei de você em mim.

Já faz tanto tempo e as coisas continuam tão iguais… nem os envelopes amarelaram e a camiseta com dizeres em inglês e que eu esqueci a tradução ainda tem o cheiro do amaciante como se tivesse sido lavada ontem.

Os papéis de bala – por que a gente guardou isso? – e os palitos de picolé estão intactos e pensando em uma faxina joguei no saco de lixo para pegar logo depois e devolvê-los para o saquinho de pano que bordei.

Em alguns dias, durante esses anos todos houve dias em que cheguei a te esquecer e a cômoda nem era incômodo no canto do quarto… O quadrinho com o poema de Ana Hatherly que você gostava: “há uma benção divina no esquecimento” me tocou como se fosse sua mão… e tem dias que lembrar é um sopro na alma, como hoje. Eu poderia escrever mil cartas só hoje contando coisas do dia a dia, mas imagino você subversiva mudando esse infinito todo com os pés na lua e a cabeça em Marte e é assim que me lembro de você…

Por fim, guardo tudo no lugar e devolvo o saco de lixo vazio no porta-saco e canto baixinho a canção que você gostava e vou ali, viver a vida.

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien, qu’on m’a fait
Ni le mal, tout ça m’est bien égal

Beijo meu

Mariana Gouveia
Projeto 52 Missivas
Scenarium Livros Artesanais
Participam desse projeto:
Obdúlio Nunes Ortega – Lunna Guedes

Das palavras das cartas

É, Maria…

“Maria é sua tia…” você respondia…

Minha Maria Eudes

,
Ainda consigo rir de algumas frases suas… é como se eu tivesse ouvido a pouco e embora esse ano sem você tenha sido vazio eu te percebi nas coisas que fiz. Devo confessar que em certos dias busco seu número no meu celular à espera de que me diga: coragem, faça, pinte de vermelho, corta, raspe a cabeça, use saia curta… essas coisas que você dizia e me encorajava e só daí me lembro que já não está mais aqui.
A minha casa está cheia de lembranças suas… desde tecidos de artesanatos que ficaram parados dos projetos que fazíamos juntas até as revistas dos bordados.

O último vidro de perfume que ganhei de você ainda tem as últimas gotas que não usei, o brinco de pérola, a blusa de bolinhas, livros que a gente dividiu juntas as páginas…

Devo dizer que nunca mais atravessei a ponte para sua cidade, porque eu só ia aí para te ver e meus sábados ficaram insignificantes sem você… é o dia da semana vazio, onde meu compromisso por tantos anos era ir almoçar/viver o dia com você…

E assim, os dias se transformaram em semanas, meses e já é um ano… como a gente conta isso? Como se traduz tanta vivência em uma partida insana?

Mas, talvez, eu tenha sido abençoada mais uma vez… lembra-se que eu dizia sobre Marcelo e o poder da voz em uma mensagem que me resgatou de uma depressão terrível? Agora, tenho a amizade dos seus meninos todos. Às vezes, nos consolamos nas mensagens, nos abraçamos no seu amor ou simplesmente estão ali, ao meu alcance quando sua saudade me abraça.

Sei que sua danadeza deve estar fazendo arte aí e claro que você daria um jeito de enfeitar as nuvens com laços igual fazia aqui com as caixinhas vazias de margarina.

A gente ainda vai se abraçar de novo…

Com saudades,
Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Projeto52

A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos.

Querida Sandra,

” (…) estar ao abrigo do fim do amor,
é a isso que eu chamo felicidade.”

Marguerite Duras

Hoje, eu quero falar com você… nem sei se sobre mim, se sobre dor, perdas e morte… mas, quero falar com você, com minhas palavras que te abraçam para além das imagens.

Devo dizer que senti uma certa inveja de sua dor… você perdeu uma referência feminina muito grande – nem sei bem se o termo é perder , porque a referência que ela te deixou está aí, latente e viva em você. Tão forte e tão sensível.

Eu sempre fui rodeada de mulheres fortes, valorosas… mulheres que de alguma forma foram faróis no meu caminhar, mas não tenho referências de minha avó materna. Para mim, ela era aquele desejo mais profundo, de busca de colo e aconchego… mas, não vivi isso. Cheguei mais perto disso com minha Bá – dona Fulô – a parteira que me trouxe ao mundo. Só que a avó – mãe de minha mãe – que conheci através das palavras dela surgiu diferente diante de meus olhos, já nos meus dezessete anos.

Ela era perfumada… coque bem feito com seus cabelos compridos e indiferente ao meu olhar de neta. Quando minha mãe se foi, dias depois, o que era indiferença se transformou em ignorância. Ela nos ignorava. Talvez, essa seja a pergunta que mais me acompanhou durante tantos anos – hoje, não mais: porquê? A casa dela ficava a três quadras da nossa, na mesma rua… E entendo que por termos morado longe dela boa parte dos anos, a intimidade não foi construída e juro que tentei… depois de um ano e pouco, desisti. Não pedi mais a mão para meu luto, nem colo, nem abraço. Passei a ignorar e foi assim que me libertei da vontade de viver ela.

Ela também já se foi há alguns anos e lembro-me que o sentimento que senti ao despedir-me dela foi a indiferença. Nunca tive um abraço, mesmo pedindo e nossa despedida foi uma leve oração. Eu não sinto falta de afeto das mulheres infinitas da minha vida… mas, juro, que por muito tempo, eu quis o afeto dela para ter a lembrança dele quando ela partisse. Não chorei, nem senti a previsão de falta… Por isso, a inveja desse seu sentimento de dor…

Não vou dizer para você superar… porque sei que a falta é muito além da presença física. O que vou te dizer é para que você teça suas lembranças dentro de todo afeto que você recebeu dela e ainda recebe da filha dela – sua mãe – em ritos de coragem para poder viver. A morte é essa faca que corta da gente pessoas que são nossas bases. A morte pulsa nas veias da existência e isso é inevitável e o que fica é a leveza do afeto, do abraço, das imagens que a gente vê todos os dias.

Quero encher seus olhos de imagens lindas todas as manhãs para que seu sorriso vibre pelas ruas da França, pelos campos de Portugal e pela vida afora junto com as lembranças de sua avó sob a benção atenta de sua mãe.

Quero que minha poesia te alcance na tonalidade dos dias e das manhãs em fusos diferentes e quando o buraco em seu coração doer de saudades que todas as lembranças do afeto dela sejam como o pousar da borboleta na flor, como se fosse o abraço dela.

Abraço carinhoso,
Mariana Gouveia
Projeto 52 – Scenarium Livros Artesanais
Participam desse projeto:
Obdúlio Ortega – Lunna Guedes