Divã

Há uma mulher…

[Há uma mulher que caminha sobre a areia da praia e voa com as aves marinhas entre risos]
Que desenha em minha pele histórias nunca vividas e que sonha atravessar o oceano a nado.

É feita de vento e alada. Ocupa os espaços todos. Quebra as regras.
É essa roupa feita de matizes e quase um fado dentro da melodia da canção.

No avesso, é essa explosão de sentimentos. O riso entalhado na arte que a seduz.

Dentro de mim, acontece. Detalhada no poema que fabrico – as mãos a tocar as asas aladas do amor – feito metamorfose do efeito leveza que as borboletas fazem.

[Há uma mulher que sonha horizontes, que sonha cidades]
Quisesse saber dela bastava abrir os braços e tocar o vento.

A pele, puro arrepio e em meu silêncio é pura fala.
Quisesse conhecer a emoção, bastava pronunciar o nome e as matas e jardins aconteceriam no instante de agora.

Quisesse saber de pouso e estenderia minhas mãos nas mãos das tuas asas e assim, nasceria de novo e
de novo dentro do mais belo amor.

Mariana Gouveia
Ph: Pinterest

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