Porque eu escreveria qualquer conto onde você fosse o personagem principal da minha vida.
Ele sempre chegava primeiro e escolhia o melhor lugar – em qualquer lugar que estivéssemos – me esperava. E sempre me indicava o melhor ângulo, a melhor história, o melhor filme, o melhor amor.
Quando a vida nos uniu, éramos jovens e desde quando o vi pela primeira vez, já sabia que o seria o único e para sempre. Me mostrava sempre o imprevisível das coisas e o que podia ser melhor, mesmo dentro dos erros. E quando me chamaram de louca – por infinitas vezes – enlouqueceu comigo e em qualquer homenagem que eu tivesse, estava ali, aplaudindo sempre. A me guiar e me ajudando a manter minhas memórias, ser meu norte nas estações.
Era o ombro certo do meu amparo e a acolhida em cada chegada. Como se estivesse sempre ali. Às vezes, ele me dizia: você é o sol e mesmo quando em alguns momentos eu me sentisse lua, acreditava… porque era ele quem dizia.
E no espaço sem tempo, era minha morada. O gerador do vento. O amor mais antigo que vibra em mim quando eu contava os dias e meses e anos.
Quando percebi, ele era o humano preferido dos meus dogs – ou eu dos dele – e a mãe de seus filhos. Dos que não nasceram e do que ainda é nosso, nesse tempo e espaço.
Dito isso, aceito não possuir mais nada além dessa leveza de riso, de sopro, de mãos estendidas e de embarcar em meu mundo. O mundo que é meu e dele.
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6 – Scenarium Livros Artesanais
Participam comigo:
Lunna Guedes – Claudia Leonardi – Obdulio Nuñes Ortega
Roseli Pedroso – Silvana Lopes