
O menino da rua de cima quis conhecer a ave de todo dia.
Falou do passarinho como se fala de Deus. Nos olhos dele havia a fé.
Não pude falar do dia triste de ontem, nem da incerteza de hoje… Fiquei ali, a beber a fé no olho do menino que nas tardes serenas empina pipa na minha rua. Já o espiei várias vezes pelo canto do muro, em algumas tardes… O olho fixado no céu, a mão a dominar a linha contra o vento… Ele nem sabe disso, mas foi ali que descobri que Deus brinca de passarinho no meu quintal.
Mariana Gouveia
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