Corredores, Codinome Locura · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

Sobre a noite de sábado

“Gosto de me deitar
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim.”
Adília Lopes

Sou feita de abraços e de levezas e as palavras tem desenhado em minha memórias instantes únicos que completam meu estado de ser.

Talvez, mais do que ser feita de abraços que me envolve em energia, sou feita de momentos.
Na infância, lá em algum lugar de Goiás fui desejo de que minhas palavras ganhassem o mundo e com isso, eu levasse o amor para além de mim. Era apenas um sonho e que sob os olhos atentos de minha mãe se tornaram sementes e eu regava plantando letras em meu caderno velho. Era apenas um sonho.

E com o passar dos anos, posso dizer que nem nos melhores sonhos imaginaria a última noite de sábado.

O dia amanheceu leve e com o vento a balançar as folhas das árvores nas ruas de São Paulo.  Corredores era folhas em cima da mesa de Lunna e Marco Antônio (os realizadores do meu sonho) os idealizadores da Scenarium Plural Editora a esperar pela fita de cetim a juntar elas e contar uma história.

Entre o café da manhã e a noite se desenhavam emoções e abraços dentro do meu dia. Fui presenteada pela surpresa da presença de meu filho e nora a desenharem carinhos em mim.

O vento que antecipava a mudança da temperatura também me acolheu quando chegamos ao local do evento e depois de entrar pela porta, o que vivi foi pura emoção.

Corredores virava livro à medida que Lunna usava suas mãos de fada e juntava a fita ao papel e minha história se transformava em sorriso nos abraços trocados, nas conversas entre amigos antigos e novos.

E não era só Corredores que servia de ponte para braços estendidos e acolhida de amor. Ainda havia Obdúlio e seu Rua 2; Adriana Elisa Bozzetto e seu Verbo Proibido e a Revista Plural Clandestina com inspiração de Hilda e Clarice.

Sete Luas é um caso a parte, não fosse um caso de amor explícito em sete fases, com sete mulheres convidadas a escrever sob a regência das fases da lua!

Não fosse tudo isso da noite de sábado, ouvindo  o vento que batia nas janelas enquanto me dedicava a escrever carinho aos amigos, não fosse os abraços a aquecer a alma eu juraria que ainda estava sonhando.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura · Scenarium Livros Artesanais

Diário de chegada

Minha mãe sempre dizia – e claro que palavra de mãe vale mais do que o ditado popular – que o melhor da festa é esperar por ela e com isso, toda preparação para qualquer evento se tornava de fato, o melhor da festa.

O fato é que desde que a data do lançamento do meu terceiro livro foi definida cada dia tem sido uma festa. E como o melhor da festa é esperar por ela, os dias tem sido de festa.

Enfim, o dia da viagem chegou e as nuvens eram testemunhas da ansiedade. Logo ali, abaixo, sabia que me esperavam e a festa acontecia dentro de mim.

E novamente São Paulo me abraça e acolhe como mãe o meu sonho de contar histórias. E mais uma vez as calçadas são rumos para meus passos.

E os braços de mia bambina aconchego.

E já é amanhã! E se o melhor da festa é esperar por ela, não quero nem imaginar a festa em si.

Sei que será uma data que ficará na minha memória. Sei também que ficarei envolvida em abraços e acolhidas e sei mais ainda que meu coração saberá viver cada instante desse dia.

Corredores será lançado amanhã, dia 25 de agosto de 2018, no Starbucks Brasil – Rua Desembargador Eliseu Guilherme, 200
04004-030 São Paulo

Corredores, Codinome Locura · Scenarium Livros Artesanais

Meia dúzia de linhas de meu romance

 

Diziam que a loucura era isso. Perder-se dentro de histórias que não aconteceram…

Eu fingi loucura tantas vezes…

Os olhos perdidos dentro do nada.

O enfermeiro — abusador — teve medo.

Antes que ele rasgasse a minha roupa… eu mesma o fiz, com fúria. Rasguei e ao ouvir o som do tecido, foi como se fosse a minha própria pele. Foi libertador.

Ele arregalou os olhos.

Estranhou o meu gesto destemperado.

O minuto cinza a ecoar no ritmo em que ele temeroso vacila e sai.

 

Mariana Gouveia
Corredores – Codinome Loucura.
Mais um livro artesanal com o selo Scenarium Plural.

Corredores, Codinome Locura · Scenarium Livros Artesanais

Um romance chamado ‘corredores’… codinome: loucura!

Corredores chegou até a mim em um dia chuvoso. As palavras se uniam em tom de desabafo e Maria surgiu aos meus olhos nua e crua. Resiliente e aspirante no modo amar. O medo em cada gesto e um desejo absurdo de falar.

Maria me usou para ser voz e ao mesmo tempo me silenciei e dei voz à ela.

Maria se viu presa em um hospício depois de ser molestada seguidas vezes pelo homem que morava com sua mãe e ainda menina viveu e vivenciou todos os tipos de castigos impostos aos “loucos”.

Talvez você se encante pelos excluídos. Talvez você se inquiete com alguns personagens, mas o que posso garantir é que Corredores te levará pelas mãos rumo ao destino.

E do destino, você não tem como fugir.

 

Mariana Gouveia
Corredores – Codinome Loucura.
Mais um livro artesanal com o selo Scenarium Plural.

 

Corredores, Codinome Locura · Scenarium Livros Artesanais

Sim, eu escrevi um romance

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“Eu poderia até ousar dizer que era Amor, mas e para quem nunca conheceu o amor? Como reconhecer dentro da gente que o amor é esse convite que você não pode recusar?”

 

Embora eu escreva muito sobre o amor não tinha ideia de que escreveria um romance.
Na verdade, minha pretensão foi sempre contar histórias, independente de ser romance, ou outro gênero.

Corredores caiu em meu colo como um presente e foi ganhando ares de cumplicidade dentro dos dias.
Andei pelos lugares e minhas mãos foram tateando cada movimento das pessoas e os sentimentos foram tomando conta de mim.

Corredores é uma história que não pode ser modificada dentro do tempo que passou, mas quando dentro da gente brota o amor o caminho é mais fácil para a próxima etapa.

Mariana Gouveia
Scenarium livros artesanais
Corredores – Codinome: Loucura
Lançamento 25 | 08 | 18 – a partir das 18h
Starbucks Brasil (Eliseu Guilherme)
Rua Desembargador Eliseu Guilherme, 200, 04004-030 São Paulo

 

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Pai,

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Pai, a vida é esse pouso na mão. Isso de comemorar um dia seu, tem minha implicância desde sempre. Teu dia é todo dia em que seu ombro foi amparo.

Hoje, as janelas se abrem e dizem que vai ter chuva de meteoros. Sei que você riria e diria que quando as estrelas “chovem” alguma coisa de importância acontece. Você era o homem das importâncias. Desde o desencaroçar o algodão e dele, com sua sabedoria na roca, fazer com que aquele capucho vire linha, tecido até o saco pronto para receber a semente.

Pai, o cotidiano é esse céu que se abre quando nasce e se esconde quando ele se vai. Daí, vem as estrelas e essa imensidão de luzes, tal qual os vaga-lumes no quintal.
Você entende essa nossa paixão pelo inexplicável  e me apresentou a força maior das orações. Segui o rito de tuas bençãos. A leitura de palavras direcionadas dentro da fé.

A vida é leve, pai e quando me pego pensando em você, sou pura gratidão. Embora, tão longe, estamos tão juntos em tudo que você me ensinou. Sou essa vontade de vento, de liberdade e de alcance. Alcanço nos gestos os afagos de tudo. E tudo isso, devo a você, pai.

E quando tua oferta vem com gesto de amor, sou pouso dentro das suas vontades.

 

Grata tanto!
Te amo infinito!

 

Mariana Gouveia

Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

Projeto Fotográfico 6 on 6 – As cores da manhã

Quem tem assim o verão
 dentro de casa
 não devia queixar-se de estar só

 Eugénio de Andrade

 

Às vezes, me pego descobrindo as cores da manhã, e entre a madrugada se despedindo e ela – a manhã – que se desenha a vida colore diante de mim, o toque.
Um afago ainda com cheiro de orvalho nas asas e o cumprimento se revela no gesto.

E antes mesmo que o sol nasça,  entre o caminho do amor e do carinho, as cores se desenham dentro da esperança. O dia – quase em milagre – abre as cortinas do que é belo. O afago no quintal tão meu, antes de seguir rumo ao que o dia se antecipa para mim.

No meu lugar as cores tem a tonalidade dos olhos deles, sem nome de cor exata, mas tendo a docilidade do amor. A ternura descrita entre troca de olhares e  nos muros os corações a espalhar vontade de amar.

 

Converso com a sorte imitando cores, e fazendo com que os pincéis desenhem as rotinas das flores. A estação brincando de viver para além dos muros. A vida a conversar comigo onde o silêncio me cabe. É quase um grito, o suspiro no peito.

 

A rua de cima amarela a medida que vou ganhando as esquinas. Um dourado se encosta na leveza dos lilases dos dias de agosto. Ainda há a brancura das nuvens em um céu matizado feito quadro de pintor.

 

E a medida que o ônibus – e o dia – avançam, no bosque que antecede outro lugar, eu fecho os olhos e sou beijada através dos reflexos dourados pelos raios do sol e meus olhos se perdem na tabela de cores que a manhã me oferece até onde minha vista alcança.

 

Mariana Gouveia

Participam desse Projeto:
Claudia Leonardi  | Maria Vitoria | Lunna Guedes | Fernanda Akemi | Obdulio Nuñes Ortega |

Projeto Fotográfico 6 on 6

Projeto Fotográfico 6 on 6: a pessoa que sou

Talvez, eu seja canção.
Dessas que o vento desliza e busca sinfonias
E chega um dia em que não resta quase nada para cantar ou contar.

Talvez eu seja um poema ou uma velha história
quase secular ou criada no instante de agora
o mar, é essa estrela dele mesmo feito porcelana na estante;
o verbo do oceano marítimo em mim
e eu, essa pessoa que sou.

Ou posso ser o mês de outras estações
florescendo ipês no quintal
e na rua de cima sou a menina a espiar pelos muros dentro dos dias

aqui, há um pulmão que teima em respirar
células em cura e um coração habitado de fé.

de alma, sou só metade, sou parte deles…
essa válvula de escape entre o desejo e a vontade
e essa realidade doida me leva ainda por corredores
onde a estação é apenas uma só

sou segredo e brevidade
a palavra e o ecoo chão e o abismo e o vácuo…se você perceber, sou fagulha ou sopro
talvez apenas vento que a mãe repetia na reza do espírito santo.
Amém!

Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Plural Editora
PARTICIPAM DESTE PROJETO: 
Lunna GuedesObdúlio Nunes OrtegaMaria VitóriaMari de CastroCilene Mansini

Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6 · Scenarium Livros Artesanais

Projeto Fotográfico 6 on 6 – J.u.n.h.o

Ah, junho! Desde pequena aprendi a viver seus sabores, suas cores e seus dias… Logo no primeiro dia do mês, a vida do pai sendo reverenciada e o amor ali, renascendo nos dias que se seguem. Tudo é jeito de mãe a fazer gostosuras com o milho.

O frio, no aquecer improvisado  nos casacos desbotados e as festas de seus santos revivendo tradições… é como se repetisse em mim, nas memórias as bandeirinhas e os balões a dançarem com a lua… As festas onde os primos se encontravam para as lembranças todas.

As lanternas chinesas trazendo cheiros nos quintais, lembrando o santo casamenteiro, as simpatias e a fogueira acalentando nossos corações.

É logo ali, seus dias passam rápido e o sol a aquecer as manhãs frias enquanto no cerrado, os ipês recriam mais um ciclo da natureza.

E na devoção do pai, a reza, e a ave em comunhão com o tempo.Junho é esse desaviso na folhinha quando o calendário marca a lógica de amar.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Editora Scenarium Plural
Participam desse Projeto:
Lunna GuedesMaria Vitoria |Obdulio Nunes Ortega

Afetos · Das palavras das cartas

Pai

 

Pai, os anos são desaforados demais. Hoje, depois de falar com o senhor e te abraçar com o coração, fiquei a pensar em quanta coisa vivemos e quanto tempo perdemos. Venta aqui e te ver assim de longe consola, mas ao mesmo tempo é estranho. O senhor foi sempre essa presença forte na vida, nas palavras e nos gestos.

Sempre foi senhor do seu destino e decidido nas questões de viver.

Na sua fé, a palavra vem acompanhada de um olhar para o céu e no tempo dos chapéus ele era retirado da cabeça e sua reverência era instigadora.

Hoje o senhor completa mais um ano e eu cumpro o ritual de escrever mais uma vez e talvez meu maior desafio seja te falar coisas sem repetir o de sempre.

Em alguns momentos sou forte como o senhor, mas em outros, a fé é cambaleante, pai.

Como o senhor atravessou todo esse tempo sem perdê-la? Como não sucumbiu com as perdas? Como ainda mantém vivo esse olhar inquietante diante das dificuldades?

Não sei se sei todas as respostas, mas é dentro de sua força que busco rumos para orientar os que precisam de mim.
Na emoção da tua voz eu me vejo ainda tateando diante da vida, pai e é essa vida que te desejo força sempre… Feliz Aniversário!
Te amo sempre

Mariana Gouveia