É a pergunta que me faço às vezes, e sempre que encontro a resposta vem logo outra pergunta, porque me vejo mutante, várias. Depois de uma poli quimioterapia virei poli. Poli gratidão, poli esperança… poli amor. Passei a vivificar os dias e me permitir essas mudanças que os dias e as ocasiões me apresentam todos os dias.
Enfrentar uma doença grave me fez mais forte. Me fez mais leve, mais corajosa diante da vida. E dos dias. Às vezes, eu choro e rio. Às vezes, eu rio e rio – às vezes, mar – maresia sem nunca ter sentido a sensação de sal na pele, mas com o sabor na boca a programar saudades, vontades. No tato com a natureza sou pouso. Aprendi a ser escolha e minha escolha foi ser livre. Na beira do abismo você tem opções: ou pula ou volta…eu escolhi voar.
Sou a natureza viva e colo para os que querem pouso… Sou a natureza e a liberdade de amar os animais.
E sou pouso para os amigos e amparo. A que acolhe e é acolhida.
Sou a vivacidade delas, sou a militante, a que pontua, se mostra, se doa e recebe. Sou abençoada pelas pessoas que o destino coloca em meu caminho.
Sou a que escreve e a que lê… a que aprende e sempre busca mais. Sou alma, palavras e verbos. Essa, sou eu… com as nuances de um conjunto de pessoas, de animais, de amor e fé.
Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Plural Editora
Participam desse projeto:
Darlene Regina — Lunna Guedes — Obdulio Nunes Ortega