Meu ser fóssil
pulsante
sedimentar
tectônico
entalhado na rocha
arrancado da litosfera
marcado no tempo
prestes a eclodir
na imensidão geográfica
da crosta terrestre
Suzana Martins

Su, minha menina nuvem
te escrevo na intimidade das horas logo depois da chuva que se formou para os lados do sul. Para meu espanto, o jardim gotejou, as flores do ipê se rebelaram e caíram todas de uma vez, formando um tapete amarelo molhado.
Enquanto eu ainda secava a água da varanda o céu me chamou como se quisesse que eu visse algo ali, para além dos muros. Um arco-íris lindo se desenhou e fevereiro coube intenso dentro de um dia. Corri para rua e ali comecei a escrever mentalmente essa carta para você.
Você acredita em coincidências, Su? Confesso que quase não acredito. Acho que sempre há um porquê das coisas acontecerem. Mas a minha alma de escritora se espanta com a singeleza que o destino me traz na palma da mão. Te perguntei sobre as coincidências porque justamente quando eu comecei a te escrever vi sua mensagem e seu arco-íris na janela do WhatsApp…
Sabe, Su, uma fotografia apenas não te mostra esse céu que me encanta por aqui. fevereiro aqui passou como um relâmpago e houve tantos dias dentro de um mesmo dia por aqui, além das trovoadas. .. mas também teve dias em que as nuvens pareciam feitas de algodão. E hoje foi um dia em que aconteceu de tudo no meu lugar.
Agora mesmo, Su, enquanto finalizo minha carta, o céu parece de outro mundo. E já há uma lua em seu quarto crescente. E o arco-íris se derreteu como se com isso formasse um elo entre eu e você.
Sou grata por você em minha vida!
abraço carinhoso ❤
Mariana Gouveia










