Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

a flor escura da realidade

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Pai,


A noite arde como se fosse dia e a flor da realidade está exposta nos noticiários e nas redes sociais – sorte sua que nem sabe o que é isso e sorte minha que posso usar isso para falar com você dessa maneira adversa – de uma maneira estranha que até eu mesma estranho…se bem que estranhar, não é muito meu jeito.
Eu decoro a noite para te contar estrelas. Elas aqui tem uma dimensão tão pequena que parecem pontinhos brilhando no céu. O calor, pai, é muito mais do que o aquecer dos seus braços…digo isso, porque tudo que me lembro de quente – e aconchegante – era seus braços. O calor aqui, parece mesmo a fogueira de Junho nas festas de Santos.
Às vezes, eu queria rodar o peão do tempo e voltar atrás… nem sei se mudaria tudo. Acho que não…se mudasse, como saberia que nesse mês eu posso plantar coentro e os temperos todos, a couve e a abóbora e que os feijões dão as melhores vagens plantados na lua cheia?
O tempo é esse líquido que escorre das mãos e que parece cíclico.

Pai, vejo as fotos antigas desbotadas e penso o quanto seria bom se eu já entendesse de fotografia nessa época… Poderíamos ter em mãos registros incríveis de momentos que só o coração registrou…e quer saber? É a melhor imagem para se guardar.
As manchetes falam da política – arghh! – de futebol, de novela e isso me leva ao rádio que era sua paixão – e que depois, se tornou a minha – da novela da época em que minha mãe e o senhor largavam tudo para saber do destino do Alberto Limonta e o seu Direito de nascer.
Eu ficava encantada por aquele aparelho, em destaque, na parte especial da sala e olha que hoje eu reclamo de sintonizar…
A realidade bate a porta…colhe instantes e cobra da gente dívida que nem sabemos ter.
Mas de tudo isso que guardo, levo, carrego e amo é a fé que você desenhou em meus dias.
Essa, me faz forte a cada dia e também faz eu reverenciar o vento, o rio, a chuva e até mesmo o calor. Tudo provém do mesmo Universo e nele somos apenas um grãozinho de areia.

Um dia, você me disse sobre casa sem histórias…aquelas que acabam desabando com o tempo e hoje, pai me vejo tão cheia de suas histórias, que mesmo se desabar terei os alicerces plenos de vida ali, entre minha história e a sua. Entre a sua e a de meus irmãos…entre as notícias além de tudo que vivemos e a esperança. É essa a palavra que me move e que mesmo tão longe me envolve em seu abraço.

Benção, pai.

beijo,
Mariana

Projeto ‘missivas
Scenarium Livros Artesanais

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

O silêncio aumentou tanto que o relógio parou

“Mil anos que escrevas”, disse, “não saberás a quem”

  Maria Gabriela Llansol

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Querida Ana,

Eu já li em algum lugar o quanto é difícil escrever em primeira pessoa. Falar até eu falo – Eu falo comigo mesma e quase que o tempo todo e no fim, vem a ser você – mas escrever é mais complicado. Por isso, terei cuidado em escrever para mim e falo com você.
Escrevo essa carta na solidão do agora. Volto aos corredores quando eu não estava contigo. As paredes vazias de cores.
Você distrai nas palavras antigas. Escreve poemas na mente enquanto as pessoas de branco, anônimas, quase, passam e desviam o olhar. Não querem ver a solidão dos seus olhos. Abrigam-se em seus jalecos como se procurassem no bolso a fórmula de ser invisíveis.
Eu não estava ai e nem sabia que os corredores nos ligavam e que a palavra cura viria em minha boca quando você nem sabia das promessas de beijo que  dedicaríamos através dos séculos.
Hoje, atravessamos juntas os corredores do tempo. Transpiramos emoções.
Hoje, o relógio para dentro da solidão desse silêncio. Aqui também as pessoas desviam o olhar enquanto medem a pressão, temperatura e procuram a veia melhor para o procedimento. Já vivi isso antes e parece que tudo está se repetindo – os mesmos gestos, os mesmos olhares e a mesma resignação de antes – e ainda assim é tudo diferente.
A sala está vazia e a moça que está sempre por aqui antes de mim não veio. Ela melhora o ambiente com o lenço vermelho que eu sempre brinco que ela roubou de mim. Contou-me coisas da vida dela. Meu deu risos de confiança e durante um momento difícil segurou minha mão e cantou canções para eu dormir.
No fim de semana as coisas acontecem devagar. Em algum lugar, toca uma canção do momento. Um celular dá o bip de alguma notificação e eu conto os minutos. Queria que tudo fosse rápido e passo a vigiar o relógio diminuindo o tempo que falta.
Não queria falar sobre isso, nem com você nem com ninguém…mas sinto que te tranquilizo quando repito que a esperança fica aqui do lado da porta e sai comigo de mãos dadas quando tudo isso acaba e daí, durante a semana me faz companhia todos os dias, exceto quando atravessa o oceano e vai até você.
A moça de branco repete os rituais e parece indiferente ao meu olhar. Volta os olhos para suas anotações em uma ficha que tem meu nome e um código que não define o que tenho. Confesso que isso, todas as vezes, me lembra Clarice e seu poema : “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome” e como eu não sei o nome posso dar o nome que eu quiser.
Agora, preciso ir…a esperança, às vezes, é impaciente e serelepe igual criança.
A vida é esse bem precioso que se torna muito melhor quando temos a certeza da presença de alguém que amamos, mesmo tão longe.

Beijo,

Mariana

Projeto Missivas
Scenarium Livros Artesanais

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

No interior do silêncio: mais silêncio

“Eu nunca tive medo de escuro…

a noite foi sempre cenário das minhas invenções mais malucas.

No começo eu não sabia se dormia ou se fingia que dormia.

Não sabia se sonhava  ou se  inventava os meus próprios sonhos”.

Lunna Guedes

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Bambina mia

A noite conhece meus caminhos e meus cantos… O quintal ganha uma vida diferente da que acontece durante o dia. Há pássaros noturnos com seu canto diferenciado – quase um lamento…mas tão baixo que quase penso que fui eu quem imaginou o canto.
As folhas ganham formatos estranhos na sombra da noite e o céu tem dimensão de um portal para o silêncio. Elas dançam umas com as outras, posso apostar. De cima do telhado, parece que elas ganham vida além dos galhos.
Já te contei que de vez em quando deito no telhado para ficar olhando para as estrelas? Subo a escada que leva até a caixa d’água e ali ao lado deito para espiar as estrelas e a lua – que sempre me leva até você – e para não romper o silêncio canto baixinho: Luna tu…
O silêncio não é tão completo dentro da noite… mas no interior do silêncio o plim plim da tv me lembra que há mais alguém insone nas redondezas.
Hoje não tem estrelas. Tem trovões que me lembra você e alguns raios ao longe e o cheiro de chuva no quintal… mas tem lua e um halo enorme a emoldurar o brilho dela.
Choveu a noite inteira e grande parte da manhã. As flores ganharam o encanto das gotas e agora dormem na suavidade do tempo.
A medida que o relógio avança eu fico só com as memórias do que vivi durante o dia. Quase escuto o ressonar das pessoas e já em terra firme no meio do silêncio sou apenas eu e a silhueta do pássaro de todo dia que me acompanha dentro da noite. Lembro de você menina e seu texto a desenhar a noite e nessa hora uma moldura se abre dentro dos pensamentos e caibo dentro de sua história.
Hora de entrar para dentro e fechar os olhos para o sossego de quem reclama sobre o meu não dormir. Logo será hora de te encontrar dentro da minha manhã.

Bacio
Mariana Gouveia

 

Projeto Missivas
Scenarium Livros Artesanais

Divã

Sede

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Ph: Nishant Dange

Daqui da minha janela, onde o vento passeia acariciando a cortina laranja lembro do seu corpo a roçar o meu. Tenho sede de você nas manhãs sem orvalho sem os lilases do gervão a chamar as borboletas.
O vento, lá fora, permanece inalterado em sua rota de devaneio. Desenho no vidro da janela seu nome, dentro de um coração. Já não há mais palavras nas minhas mãos para te entregar. Todas eu repito num frenético gesto de pedir sua volta. O meu desejo precisa do seu sinal, da sua chama, da sua pele para acontecer.

Mariana Gouveia

Divã

O nome dela

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Ph:; Christian Schloe

Ouço fado, vejo estrelas. Vejo o azul que ela desenhou na mesma palavra em fotografias. Me deixa sem palavras – sempre. Faço plagio na dimensão do agora em poemas... Tornou meu dia melhor –  era só o primeiro dia. Provou do meu sabor alado. Estranhou a palavra amor e era a única palavra com que eu a poderia traduzir mesmo usando todos os verbos que conheço e os idiomas todos. Quando quero voar, me dá asas. Tudo sabe teu nome e tem o poder de adivinhar vontades. Dou à ela asas para a liberdade e a palavra. Ela me encanta com poemas que crio na imaginação. Dou à ela a chave para a poesia. Fico mais uma vez sem palavra e a palavra que falta vira poema, no nome dela.

Mariana Gouveia

Das palavras das cartas · Scenarium Livros Artesanais

Nessa manhã de Outubro, respiro!

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Querida A.

Hoje o sol veio com força derrubando a previsão sobre a mudança do tempo.
Nessa manhã de Outubro, respiro e adianto as rotinas todas. Acordo cedo – como de costume – e o céu me presenteia com pinceladas de arte até onde meu olhar alcança por cima dos muros.
Rego as plantas e dou carinho aos meus insetos todos. Chiquinho – meu beija-flor – me vigia do varal, onde as roupas secam ao sabor do vento. Acho que ele é o único que gosta demais do domingo.  Afofo a terra dos vasos, mudo algumas plantas de lugar. Replanto algumas sementes que não germinaram. Meu cravo chinês – que na verdade, veio de Portugal – está em plena exuberância e acolhe a joaninha vermelha sem pintas.
As folhas do algodão caíram e adoro o som que elas fazem ao embalo do vento. O pé de mamão ensaia seus frutos e o hibiscus mutabilis muda suas flores de cor ainda antes do horário devido ao sol intenso.
Releio sua carta de tempos atrás e meu coração enche de carinho.
Sabe, A. algumas pessoas parecem presentes de Deus e você é uma delas em minha vida.
Às vezes, o tempo acelerado – Nossa! Já estamos em Outubro?!! – vai comendo os dias e as horas e nem sempre dá para derramar carinho em todo lugar. Mas sempre penso em você e nesse momento meu coração se enche de ternura e afeto.

Com amor,

beijos

Mariana Gouveia
Projeto Missivas:
Scenarium Livros Artesanais

Projeto Diário das quatro estações

O diário virando um livro…

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Só existe uma única estação dentro dela.
A da espera.

Os dias foram acontecendo dentro da minha rotina. Entre o trabalho e as previsões, a lucidez das horas e a saudade o diário foi criando vida.
O horóscopo trazendo opções de escolha e a bênção do pai a dirigir sentimentos.
Assim, o diário foi visto pelos olhos do amor.
Um convite e ele virou um livro.
Um livro onde dedico alegria, esperança, momentos lindos e uma história rica de amor.
Em alguns dias, uma palavra bastava. Em outras, vivi todas as estações e ainda assim, era náufraga de um mar que não conheço e de um rio onde bebo na fonte.
O livro está aí. Feito com carinho e dedicação pela Scenarium Plural Editora.
Você pode adquirir pelo email scenariumplural@globo.com

Mariana Gouveia
O lançamento será pela Scenarium Plural Editora.
No dia 27/08, às 16h, na Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 – Consolação
SP – SP
Aguardo você lá!

Cadeados Abertos · Projeto Diário das quatro estações

A capa do meu diário

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A palavra diário sempre me pareceu algo secreto – proibido – e na extensão das palavras, guardei confissões que talvez, abertamente, não diria.
A ideia sempre foi de ter o diário ali, com uma chavezinha do cadeado, como um cofre onde como se joia fosse, ficaria ali, germinando emoções.
Daí, quando surgiu a ideia do Diário das quatro estações, quebrei o cadeado, joguei as chaves fora e deixei que a emoção fluísse em forma de palavras.
Aí está a capa do diário. O vermelho simbolizando a paixão com que dedico à escrita.
Falta pouco para que as palavras voem em direção ao infinito e que você partilhe comigo da emoção vivida.

Mariana Gouveia
O lançamento será pela Scenarium Plural Editora.
No dia 27/08, às 16h, na Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 – Consolação
SP – SP
Aguardo você lá!
Mariana Gouveia

Projeto Diário das quatro estações

Sim, ela também escreve diários…

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E mais do que escrever diários ela ainda faz arte.
A tesoura, ela trata, às vezes, como se fosse a caneta e com maestria e transforma em lindeza que abraça a alma.

Sim, ela também escreve diários e inventa cores e rabisca sonhos e concretiza vitórias que se espalha em Romaria – doação de histórias, conhecimentos e amor – e enfeita meninas com a generosidade peculiar do olhar do sertão.

Sim, ela também escreve diários e recolhe folhas do chão e brinca dentro da estação de nos emocionar.
Reserva a liberdade da imaginação e dizem que de vez em quando, se torna madrinha de um projeto qualquer, desde que, seja da alegria e do riso.

Sim, ela também escreve diários e acredita que em cada estação o sonho pode fugir da palavra e se tornar em algo real e concreto, desde que desejado dentro do coração.

Ela, é Maria Cininha, uma artista de alma e de natureza.Usa a tesoura como se fosse varinha de condão e com ela cria a Caligrafia das nuvens.
Com ela, Lunna Guedes e Adriana Aneli e eu, formamos 4 mulheres e criamos para vocês o Diário das quatro estações.
E o único ingrediente que não vai faltar é a emoção.

Mariana Gouveia
O lançamento será pela Scenarium Plural Editora.
No dia 27/08, às 16h, na Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 – Consolação
SP – SP
Aguardamos você lá!
Mariana Gouveia
A imagem  é uma das Marias – trabalho fabuloso de Maria Cininha e você vê que coisa mais linda aqui

 

Projeto Diário das quatro estações

Sim, ela também escreve diários…

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Escreve e dar sabor às palavras. Ela escreve notas breves – agridoces – da vida e com isso nos coloca dentro dele.
Sim, ela também escreve diário e mistura poesia e cor. E com isso se colore dentro das palavras e tinge o universo com o encanto das cores
Sim, ela também escreve diário e com seu riso as palavras dançam na expressividade do abraço, do aconchego e da oferta.

Doação essa que oferece notas diárias de amor, do dia a dia e da vida.
Sim, ela também escreve diário e em cada letra que escreve nos oferta o sabor das notas e dos instantes vividos.
Sim, ela também escreve diário e como quem sorve a vida nos presenteia com Construção da primavera.

Ela é Adriana Aneli Costa Lagrasta e lançará   Diário das 4 estações: a construção da primavera, junto comigo e mais duas lindas. O lançamento será pela Scenarium Plural Editora.
No dia 27/08, às 16h, na Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 – Consolação
SP – SP
Aguardamos você lá!
Mariana Gouveia
*imagem : Atelier Flávia Taiano Escultura de Flávia Taiano inspirada no conto “Amizades Particulares” do livro {amor expresso} de Adriana Aneli, ed. Scenarium Plural