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Sol em Sagitarius

Acho que conheço bem o susto que dá no corpo quando decidimos provocar caminhos novos na literatura, saindo das nossas margens conhecidas para flertar com o mistério de thrillers. Tive o privilégio de ler alguns capítulos de “Sol em Sagitarius”… mas, como na escrita o diferente me encanta, só consegui dizer: uau! Não sei se conseguiria ir por outro caminho além da prosa poética, da poesia e dos romances. Entrar na escrita erótica já me causou rebuliços na alma, mas tive mãos cuidadosas que me guiaram por um nicho diferente do meu.

Escrever, assim como encadernar ou fiar, tem muito a ver com a paciência que a Lunna tão bem descreveu: o tempo exato da massa do pão. A gente rascunha, estica a linha, esboça o esqueleto da história e, depois, precisa ter a sabedoria de deixar o arquivo descansar na gaveta. O fermento do tempo é silencioso, mas implacável. Ele trabalha no avesso das palavras e, quando reencontramos as personagens esquecidas em uma pasta qualquer, percebemos que elas cresceram sozinhas no escuro, prontas para o calor do forno.

Sol em Sagitarius” cabia em minha curiosidade tanto pela história quanto pelo nome. Desenhei em notas mentais várias poesias e textos com esse título na cabeça, capítulo por capítulo. Depois, acho que o hiato com dores e ausências nos atingiu. Era um respiro atravessar quintais e dar as mãos para não caber tanto em ausência, mas sim em presença de quem nunca se foi de vez. É a prova de que os nós no caminho não servem para travar a jornada, mas para nos fazer parar, tomar uma xícara de chá e recalibrar a maquinaria invisível da criação.

Hoje, celebro essa capacidade que temos de reinventar os nossos próprios desafios. Que o sol sagitariano seja essa luz que ilumina o caminho, e que a gente continue encontrando a constelação exata para desatar o que for preciso e seguir contando histórias.

Mariana Gouveia

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