Das palavras das cartas · Lunna Guedes

BEDA – Carta à minha bambina aos cuidados da pipa.

Bambina mia,

Alguns gritos ecoaram na noite passada, pássaros noturnos rasgaram o céu do meu quintal. Se eu tivesse medo, diria que esses voos rasantes foram inspirados em uma noite de terror. Trovejou longe na tarde – achei que ia chover- e chamei teu nome… Mas, foi só uma nuvem passageira e o sol continuou em sua intensidade máxima enquanto as fragilidades secretas das palavras vagou entre o que é Plural e singular e eu lembrava das sementes que você gosta de estourar.

Enquanto te escrevo nessa manhã de sábado a vida acontece logo ali, na rua de cima. Ouço risos de crianças e resolvi dialogar com você através dos ecos que vem dali. Eles costumam brincar como antigamente. Jogam bolas de gude, amarelinha e empinam pipas. Às vezes, a rua de cima é invento meu… às vezes, não… Lá, na rua de verdade, vejo um menino que não ouve palavras comuns – e nem escuta o que eu digo – mas que entende o que mostro. Ou o que leio. Comecei a ler para ele nas sextas -feiras. Alguns silêncios só podemos ler em braile ou deciframos códigos que nem sabíamos saber.

Às vezes, é realidade bruta. As crianças empinam as pipas, que enroscam em fios de alta tensão e ali, se tornam esqueletos de pipas que ao menor vento fazem barulho enquanto o vô da casa amarela fica tão ranzinza que a rua fica quieta. E o menino que não fala, nem ouve fica espiando eles a correrem para lá e para cá, em busca da pipa perdida.

A minha rua é quieta como no dia em que o vô da rua de cima fica ranzinza – eu expliquei para ele a palavra preguiça dita por você e ele preferiu a ranzinza mesmo – com exceção dos passarinhos que se agitam e voam para a árvore do vizinho, depois que meu quintal ficou “pelado” de árvores.

Sobre a noite passada ainda, tem noite que a solidão é feita de asas e voa rua acima, noite adentro e eu só vejo as luzes azuis de tvs ligadas refletidas nas janelas com cortinas esvoaçantes na rua de cima. Isso me lembra o relâmpago que o céu reflete e penso no som do trovão e da vontade de chuva que tenho. Outro vulto de voo de pássaro me assustou… pensei em você e nas nossas conversas de pássaros.

Por acaso, você tem medo de pássaros?

Tem coisas suas que ainda não sei – ou até sei, quando suas histórias se misturam nas minhas – mas a vontade foi de mergulhar vermelho adentro quando um trovão ecoou longe, na noite passada e a lua estava magnífica em conjunção com Saturno e Júpiter. Dizem que hoje tem de novo… Vem ver comigo?

Bacio,
Mariana Gouveia

b.e.d.a — blog every day august —
Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina
 Lunna Guedes — Obdulio Nuñes Ortega — Viviane Almeida

Das palavras das cartas · Revista Plural · Scenarium & Coletivos · Scenarium Livros Artesanais

BEDA – Carta ao Coletivo

“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. 
Sentir tudo de todas as maneiras”. 
Álvaro de Campos

Devo confessar que mudo sempre de lado quando viajo e nem sempre é permitido abrir as janelas. Entre as ruas, enquanto o coletivo se desloca, a paisagem muda completamente. Dos bosques do meu lugar – cada vez mais raros – aos modernos edifícios, as ruas e seus viadutos. As casas antigas e suas vielas.

Lá fora, tudo é barulho. O silêncio acontece internamente. Avisto o cão com seu humano a atravessar a rua. As pombas na praça à espera das migalhas que sobram da barraca de lanches.

É o caminho por onde levo vocês.

Nessa viagem que fiz com vocês, dentro de Coletivo diversificado eu abri cada janela e me deparei na docilidade do Medo de Aden.
 Perdi-me – perco-me sempre com ela – nos Caminhos de Adriana.

Respirei pelos poros de encanto com Pele de Caetano e juntei os Pedaços de Chris. Ingrid me deixou em Silêncio – mesmo – e de um fôlego só, nem suspirei. Cada palavra me abraçou e passou a fazer parte da minha bagagem.

A viagem é essa troca de perceber lugares, se descobrir no olho do outro e foi isso que aconteceu com Gestos de Marcelo. Já Maria Vitória, para mim é aquela pessoa que embarca, e você não para de olhar. Não cansa de olhar. Quer ouvir a voz, saber nome, endereço e seu lugar no mundo. As Memórias dessa menina se uniram às minhas. E quando essa pessoa desce, você quer descer junto e pedir o número do telefone, a cor preferida, e a viagem passa a ser mais sem graça sem ela.

Os lugares do caminho me deixaram sem voz e a minha Boca abre em espanto. A Tristeza de Obdulio me fez refletir sobre o outro que senta ao meu lado e em silêncio carrega sua dor-confusão-guerra interna e revi cada rosto que conheci nesses caminhos.

Virginia me fez movimentar sete vezes em seu Dilúvio de poesias. Quase pequei por desejar eu ter escrito as palavras dela.

Embarcamos em travessias diferentes, estações opostas, mas ligadas entre si e quando todo mundo se encontra o Coletivo ganha de fato, o sentido da palavra embarcar.  A viagem se adere aos detalhes do caminho percorrido, atravessa por atalhos não programados e que acaba sendo a melhor parte da viagem. Passamos a fazer a cidade desperta, insone, comum, original, diferente, como nunca visto e em cada um o gesto novo e com o objetivo é alcançado.

Asfalto e poeira. Poema e poesia. Tempo dos grandes espaços urbanos, das casinhas pequenas nas vilas quase cobertas pelos prédios e pelas suas alturas. O desenho da palavra do lado de fora e dentro, cada um, em seu lugar, caminhantes, tantas vezes de solidão, com suas rotas próprias e o mapa feito da palavra sonhar.

Olho lá para fora e descubro o ponto de chegada – que é o continuar constante de outra viagem – entre o azul intenso do céu e a cidade cinzenta ganhando vida pela janela. A mesma janela que me traz um pequeno raio de sol e agradeço por fazer parte desse Coletivo cuja pretensão é levar até vocês o roteiro. A perceber que o Coletivo é o todo dentro do embarque e que quando chegamos no ponto final já se agigantava dentro da gente uma nova pessoa.

Grata pela companhia de cada um. Que venham as próximas viagens!

Mariana Gouveia
Carta publicada na Revista Plural Trezentos e Sessenta – Scenarium Plural Editora
*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.

Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – Tenho um dragão de estimação.

A fresta da janela dava para o céu.
Dentro da noite, quando a lua acontecia
no ponto sul do quintal,
… invadia o meu quarto.
E alguns fenômenos estranhos aconteciam
no espelho do guarda-roupa.
O dragão das histórias ganhava vida.
E eu dormia abraçada com a lua.

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora
*imagem: Jade Danielle Smith

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Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – Rituais

Quando pequena, aprendi a fazer certos rituais.
Cortar os cabelos para crescerem mais rápido.
E, nas noites serenas de sextas…
Acender a fogueira para revogar a graça de tudo,
e podia ser colhido.
Unir agulha,
linha e pano branco para cerzir as quebraduras

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora
*imagem: Ahndraya Parlato

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Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – Há asas espalhadas…

em tudo que é pouso,
havia um vento feito de dança.
O rádio tocava uma canção antiga.
Os meninos ainda na rua e o barulho da bola no muro da frente.
Na ponta do telhado, a lua segue seu destino. quase indiferente à saudade que arrasta o pensamento e o coração.

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora

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Scenarium Livros Artesanais · Sete Luas

b.e.d.a – em solidão peculiar

N’outro dia, ao atravessar a rua
– em solidão peculiar –
avistei um pequeno traço de lua no céu…
um risco prateado – o teu sorriso dentro da
imprevisível quietude das coisas

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora

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Alice - Uma Voz nas Pedras · Das palavras das cartas · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Alice, entre voz e o oceano…

Bambina mia,

Sabe, bambina, a primeira vez que li Alice aconteceu em um sem fôlego. As palavras me dominaram e foi como se bebesse de um gole só todo café da xícara e depois, vem a sensação de que preciso levantar, ir até a máquina preparar mais uma xícara e daí, então, beber pausadamente. Foi assim com Alice. Mas eu não estava só e preciso te falar de Ana.

Ana, é o meu mundo além mar. Falamos de poesia, de trabalhos, de sonhos, de amores, de desejos e de livros. Alice surgiu em nossas conversas e resolvi ler Alice com Ana, através de um aplicativo de vídeo de uma rede sociais.

Em seu horário de almoço ou nas horas vagas, contornando o fuso horário, com Alice em mãos a gente falava de coisas sobre sua escrita. Da maneira que você envolve a gente em uma história e Ana tornou -se minha companhia diária das 10:00 às 10:30 na missão de desvendar um livro para alguém que também é apaixonada por literatura.

Dessa forma, bambina, Alice chegou mais densa para mim e desenhávamos juntas as Alices que a gente conhece nos quatro cantos de lugares diferentes além mar ou aqui. Já não era uma história minha, com a xícara vazia de café… Alice se transformou nos prazeres das conversas entre o bule na mesa e as xícaras com seus pires com corações talhados, além do bolo de fubá, de laranja e a receita trocada no fim de cada capítulo.

Chegamos ao fim do livro e a experiência da leitura, feita em companhia tão gentil, levei seu livro para o outro lado do oceano através de minha voz. A sensação é quase de orfandade. O ritual era algo preparado para através de uma tela de um celular ou notebook o saber/sabor do livro entendido, sentido e compartilhado.

Queria que soubesse disso em forma de carta, que é a forma que consigo dizer para além das palavras que sua escrita me envolve.

Grazie!
PS: Ah, e começamos Lua de Papel!

Mariana Gouveia
Projeto Artesanal Alice, uma voz nas pedras de Lunna Guedes.
Solicite o seu exemplar através do WhatsApp 11 9-91341745

Lunna Guedes · Projeto Fotográfico 6 on 6

Projeto Fotográfico 6 on 6 — Bonapetito

Minha mãe dizia que comer curava… ainda me lembro de meus irmãos e eu em volta da mesa de madeira pura e as panelas ainda fumegando em cima do fogão de lenha e ela incentivando a nós que a comida curava – cura a alma, a fome e a pele.

Quando se fala em comida ou bonapetito o que me lembro é do cheiro da horta e dos legumes frescos. Talvez, o que me leva à toda minha infância – e é o que me move em todos os momentos – é o cheiro da terra molhada, lembrando colheita… seja de abobrinha ou pimentas. Nossa horta fazia um L na casa e era cercada com arames, para evitar o ataque das galinhas. Ali, tínhamos ervas frescas e todos os tipos de legumes e hortaliças. Trocávamos com os vizinhos de outras fazendas naquilo que ainda não havíamos plantado.

Sou goiana e as comidas típicas da região até hoje são de dar água na boca. Com o pequi fazíamos desde licores, até as conservas que duravam até 6/8 meses e o bendito arroz com pequi me traz a alma e o sabor do lugar onde nasci.

Hoje, tenho minha própria horta… cercada, por causa de Lolla – minha cachorra branquela azeda, que insiste em brincar de piscina de terra, caso eu me distraia. As ervas, as pimentas e tomates colho na leveza dos dias. O alecrim que me traz a canção da infância:
Alecrim, alecrim dourado…
e a cebolinha, o coentro e a salsinha que perfumam minha cozinha.

Eu poderia colocar aqui mais de mil fotos, que retrataria a união, o amor e a força que me faz quando volto ao meu lugar.
Minha irmã mais a velha a dominar o fogão a lenha, as frutas, ainda intactas, no mesmo pomar, como se estivessem só esperando que eu chegasse para colher… O peixe fresco, pescado logo ali, no ribeirão onde banhei e os biscoitos com cheiro e gosto de mãe.

Talvez, você estranhe ao ler, mas a foto acima é o único alimento que não me falta todos os dias. Seja um ou outro… Ou todos juntos. É a minha porção de magia que me leva ao que é meu, ao que eu sou e ao que serei. Pode ser que seja o cheiro do alho dourado ao acrescentar os legumes na panela. Pode ser que seja apenas pela lembrança de minha mãe e daquilo que ela mais gostava. Mas pode ser apenas porque eu estou faminta e vou ali para meu jantar.
É servido?
Bonapetito!

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 — Bonapetito
Scenarium Plural Editora

Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Chegar ao ponto

Uma demora lenta nas palavras
um calor bom na palma das mãos

uma maneira de gostar das pessoas e das coisas
sem tolher movimentos ou forçar as superfícies
beber aos golinhos o café a ferver
ou o whisky chocalhado com pedrinhas de gelo

viver viver roçando as coisas ao de leve
sem poupar o veludo das mãos e do corpo
sem regatear o amor à flor da pele
olhar em torno de si perdida ou esperar o verão
e saber de um saber obscuro que o calor
todo o calor é de mais dentro que vem


Rui Caieiro

Bambina mia,

Escrever-te é me deixar ser levada até tua cozinha. A mesa – como adoro aquela mesa – e o bolo de fubá ainda a se anunciar em cheiro. Devia ter comido mais um pedaço antes de partir.

As tuas mãos a desenhar as receitas, para mim, já eram poesias vividas ao vivo e a cores. Jane dog a se embolar em meus pés e o café a exalar seu cheiro nos corredores que me leva até o elevador e tuo bambino a separar as páginas de mais um livro na sala.

Sou de sentir os cheiros e aspirá -los antes mesmo de tudo pronto. Brinco que em outra vida – se existiu outra vida – devo ter sido cão. O faro é bom! Por isso, talvez, desde nossa conversa sobre o ponto do cozimento das batatas antes de irem ao forno o que me levou em aromas e cheiros foi o molho da laranja.

As superfícies da cozinha e os utensílios me levam ao equilíbrio da palavra: chegar ao ponto e lembro – me da toalha que acabei de bordar. Os pontos, um a um fizeram um coração de tomates, uvas e flores. Embora seja diferente, o ponto deve se entranhar no tecido com as linhas e suas cores e com isso formar o desenho que se espera… assim como as batatas ao serem cozidas a aguardarem o ponto exato para serem assadas e por fim, o molho.

Acho que vivemos as duas de lembranças, bambina. Tu, de tua terra e os teus e eu, da infância, para onde volto de vez em quando a relembrar os cheiros. Primeiro, da horta feita logo atrás da casa e do cheiro da terra molhada enquanto os legumes e verduras eram colhidas por minha mãe. Depois, do pão de milho e as pamonhas a serem cozidas, até chegar no ponto de poder abrir a folha e saborear.

Para você ver que estamos desde sempre esperando que algo chegue ao ponto. Do caramelo ao molho da laranja. Da bruschetta derretendo o queijo ao café ristretto a invadir os quintais e corredores. Tanto aí, quanto aqui e devo dizer que um cheiro de chuva rodeia meu lugar e trovoa. Embora, trovão não tenha cheiros, mas é a primeira coisa que me leva até você, sem passar do ponto.

Grazie,
Bacio

Mariana Gouveia

Alice - Uma Voz nas Pedras

Alice – Uma voz nas pedras

“Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho”.
António Ramos Rosa

 

Comecei a enveredar pela história de Alice logo de manhã. O sol ardia fora do horário de verão e preparei meu café e omelete e me despi diante da história.

Alice foi se desenrolando diante de meus olhos e me lembrei de todas as Alices que cruzaram/cruzam meus caminhos diariamente. À quantas estendi a mão? Quantas eu direcionei portas abertas e aconcheguei em abraços? Quis eu ser aconchego de muitas e quantas não se apresentaram ali com mãos estendidas querendo ou negando o abraço.

As horas foram passando e a escrita apaixonante de Lunna Guedes foi tomando conta de mim e olha só que luxo pude viver. Poucos leitores tem a escritora ao alcance das mãos quando a escrita fica densa e invade sua alma/pele ou seria o contrário e confesso que se tratando de Lunna nunca sei. Não parei mais até que o sol se escondeu e reagi ao sentimento que Alice encantou em mim. Não foi a escrita de Lunna que me tocou – isso, ela faz sempre – foi a história tão próxima e tão real diante da TV, das notícias e dos gritos que ouço para além dos muros na rua de cima. Não foram as histórias se misturando e todas as mulheres que vivem uma história igual ou parecida se transformando em Alices para mim… Foi a história de Lunna ganhando dimensão de voz diante de sua escrita.

Lunna me iluminou em sua Lua de Papel e me verteu de cores em Vermelho por Dentro. Nos Meus Naufrágios delirei… mas Alice, Uma Voz nas Pedras me deixou sem cor e cheguei a me perguntar: o que você está fazendo aí, que não faz nada para mudar as histórias que você conhece?
Captei os sentimentos e não me sai da cabeça a mulher que vive uma relação abusiva e ainda se acha culpada de tudo. Alguém aí se identifica?

Lunna nos leva por caminhos que são tão conhecidos, tão reais que chega a doer e emocionar. Confesso que estou sem ar… Eu, que sempre estive de mãos abertas e braços prontos para abraços e acolhidas me vejo parada, de olho no céu, buscando palavras para aconchego para uma Alice que mora ali, na rua de cima e lá vou eu…

E fui lá, de alma lavada e de coração armado para carregá-la para além dos muros que a prende. De pedra na mão direcionei um caminho e ela dorme na cama do quarto ao lado e tenho certeza de que saberá amanhã escolher outro caminho.

Mariana Gouveia
Projeto Artesanal Alice, uma voz nas pedras de Lunna Guedes.
Solicite o seu exemplar através do WhatsApp 11 9-91341745