Ana,
Dizia que o rumor do silêncio tinha o barulho da asa da libélula. Chacoalhava o dia no calendário torto. Falava do tempo que escorria em água do céu. Enquanto o animal estendia em renda seu leve som.
Tinha os gestos repetidos dentro das manhãs. Rotinas de doçuras enquanto a melancolia do céu beijava a flor sem vergonha que teimava em brotar na singularidade do jardim.
Tinha ocos feitos a mão, rasgando a parede ocre. A palavra me acolhe na sombra e assombra quem ainda acredita no acaso. As letras cabiam em envelopes coloridos. Algumas traziam notícias boas. Outras, envelopes com o timbre dos telegramas. Minha mãe tremia quando abria e via os códigos que retratava histórias que não queria saber.
Vi a morte diante dos olhos… Vi a vida me dar as mãos.
Em outros envelopes, as letras continham afagos na alma. Houve um começo de vida no subsolo. Germinava raízes onde tinham espinhos.
O fim é mesmo fim quando a solidão aflora dentro da companhia. De bônus – o voo – o pouso.
E era tanta imensidão de vontades na palma da mão.
Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso













