Corredores, Codinome Locura

Intensamente

Intensamente

Desenha em mim, suavemente,

as cores do teu desejo.
Entre minhas mãos ardem
o toque suave de tua pele…

Em mim a dualidade do sentir…
A suavidade do tato
e a ventania de texturas que teu sopro me causa.
Intensamente.

É impossível que eu saiba traduzir em palavras a magia que me envolve.
Preciso traduzir pra que você entenda.
Preciso rasgar a pele e a carne,

expor a minha alma, que vaga

em busca da tua.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura

Um livro da lista dos mais lidos que você tenha lido.

Na última postagem da Maratona Literária tenho que falar sobre um livro lido das listas dos mais lidos e curiosamente, li alguns deles.

Entre os mais lidos no mundo já li O alquimista, de Paulo Coelho, O código da Vinci, de Dan Brown e O diário de Anne Frank.

E na lista dos mais lidos no Brasil já li O pequeno príncipe, de Saint Exupéry, A cabana, de Willian P. Young, Cinquenta tons de Cinza, de E. L. James, Dom Casmurro, de Machado de Assis e O morro dos ventos Uivantes, de Emily Brontë .

Vou falar um pouco sobre O morro dos ventos uivantes, pois é o único dos que citei acima que tenho aqui comigo ainda. Os outros foram emprestados e nunca devolvidos… seguiram seus destinos de livros e pronto.

O Morro dos ventos uivantes me encantou e me apaixonei pela história. E não é porque se trata de uma história de amor que já foi reproduzida e adaptada milhares de vezes. Na verdade, o livro não é sobre um casal apaixonado ou uma narrativa simples sobre um amor que transcende as barreiras do tempo: é muito mais. Emily Brontë representa em seus personagens o nascer da crueldade, o egoísmo, a loucura, a vingança e a maldade. Seus temas góticos misturados com uma linguagem simples e descrições de poucos cenários – aqueles que a autora conhecia muito bem – tornam O Morro dos Ventos Uivantes uma obra para ser lida, relida, analisada e discutida. Não vou entrar em detalhes da história para não atrapalhar quem ainda não leu.

“Vejo as suas feições estampadas nas pedras.
Em todas as nuvens, em todas as árvores, a sua imagem me aparece.
Ela esta a minha volta, enchendo o meu ar da noite, refletida em cada objeto.
O mundo inteiro me lembra a todos instante que ela existiu e eu a perdi.”

Obrigada por estarem aqui e me acompanharem nessa maratona literária.
Abraço carinhoso.

Mariana Gouveia
Esse post faz parte da Maratona Literária do grupo Interative-se.
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Lunna Guedes, Obdúlio Ortega, Roseli Pedroso, Ale Helga, Isabelle Brum

Corredores, Codinome Locura

Um livro esquecido na prateleira

O livro chegou dentro de uma sacola, juntamente com outros que uma amiga enviou para que eu lesse… E hoje, buscando um livro esquecido em minha estante o vi. Ícaro redimido é um livro espírita e conta a vida de Santos Dumont no plano espiritual.

Não é o tipo de leitura que eu goste, apesar de algumas vezes ter esbarrado nele, entre uma busca e outra. E curiosamente não sabia que Santos Dumont havia cometido suicídio.

O inventor, personagem desta história, foi um destes Ícaros modernos que, escondendo por trás de sua compleição mirrada e frágil uma alma altaneira e audaz, aspirou a maior das glórias humanas ao desafiar as leis da gravidade. Desejou um dia tornar-se uma grande personalidade e inscrever seu nome nos anais da história, como aquele que realizou o maior sonho do homem: voar como os pássaros…”

Quem sabe, um dia, eu leia… não sei… Por enquanto, até que eu possa devolvê-lo junto com os outros, ficará ali, na prateleira, agora não mais tão esquecido.

Mariana Gouveia
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Corredores, Codinome Locura

Última leitura.

Minha última leitura é uma biografia romanceada de Augusto Frederico Schmidt. Quem contará as pequenas histórias foi um livro que comecei a ler e ficou ali, no canto da estante esperando a vez de terminar e fiz isso nas tardes de terças e quartas enquanto aguardava ser chamada para a fisioterapia. Letícia Mey e Euda Alvim apresentaram a história do menino e funcionário da Casa Costa pereira, do caixeiro-viajante na São Paulo modernista, do editor, do empreendedor visionário, do político discreto e do jornalista.

Mas, acima de tudo, o poeta e sua generosidade e convivência com grandes nomes da poesia como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário de Andrade e outros.

Além da história do poeta, algumas passagens sobre a política do Brasil em plena ditadura, a amizade com Roberto Marinho me chamaram atenção. “Era o homem que agia e o homem que sonhava”, dizia Carlos Drummond de Andrade sobre ele.

“Quero morrer de noite
as janelas abertas,
e os olhos a fitar a noite infinda”

Foi um livro bom de ler. Recomendo a leitura.


Mariana Gouveia
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Corredores, Codinome Locura

Casulo

De dia, escondia-se nas letras

escrevia sobre política, religião.
Costurava as vontades como casulos

ao redor do riso, do olhar

da boca, dos sonhos.

Era artesã do desejo.

À noite, ela descobria-se
Com asas plenas de sonhar

Se mostrava.

Amava ela, em metamorfoses em que as asas

davam lugar

às imaginações.

Mariana Gouveia

Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – dos rituais dos girassóis…

Ele disse: – Você parece mel. Ela disse: – E você, um girassol.

Caio Fernando Abreu

Minha doce Rose,

Queria te falar sobre os rituais. Meu pai sempre disse que vivemos de rituais, mesmo quando achamos que não. Eu sou dos rituais… desde quando acordo até ir dormir. E em um desses rituais de amor eu plantei girassóis no meu quintal pensando em você e ele cresceu tão lindamente que resolvi te escrever para te contar.

Você já sentiu o cheiro de mel de um girassol? Fico horas cheirando as flores dos que plantei aqui. Assim como você, também tenho uma ligação especial com eles. As borboletas adoram… E talvez, nossa ligação vai muito além da poesia e você seja a menina do girassol de minha vida.

Sabe, dias desses, dentro das memórias do dia lembrei-me de você e do cheiro de sua mão… acho que foi ali que senti o cheiro de amor que você carrega na alma.

Agora, que os girassóis floriram lembro-me de você todos os dias… na hora de molhar eles, falo com eles como se estivesse falando contigo… é um ritual que sigo para assim amenizar a saudade que sinto.

E seguindo o rito das flores te abraço esperando que tudo isso passe logo e a gente possa se abraçar de novo. Assim, te espero todos os dias dentro dos rituais que meu coração segue pensando em você.
Amo tu!

Um abraço carinhoso

Mariana Gouveia
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Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – e essa leveza de quem consegue apenas respirar…

Querida Olga,

Eu nem queria escrever, porque as letras para mim são formiguinhas que vão e vêm em carreirinhas, iguais às costuras de minha avó.

Uma canção pede para que rasguem as cartas. Isso era do tempo de minha infância, quando na rádio lia as cartas que as pessoas escreviam.

Pediam canções, amigos, amores, encontros e especialmente, atenção.

Nunca precisei de atenção. Sempre chamei atenção. Esse jeito torto, vago e as flores do jardim. Me disseram que escrever é como se fosse fuga e me pego na noite amassando os papéis e repito com a cabeça na parede: quem disse que quero fugir?

Lembro-me de que alguém falou sobre cartas na infância. Os envelopes pardos a descrever sobre fatos…

Vejo apenas sombras no vulto… as figuras a embrenhar o muro como fuga. E essa leveza de quem apenas consegue respirar.

Feliz aniversário!

Mariana Gouveia
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Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

Começar pela palavra…

Eu reconheço mil peles
Mas só uma digital
Do que toca

Marcos de Faria

Meu caro,

Muitas vezes, a palavra me falta e daí eu tateio as coisas no quintal… depois da chuva faço uma vistoria nas folhas, nas poças d’água para salvar a vida miúda que anda por aqui… nesses momentos eu me sinto a castelã que você descreve na generosidade de amigo. A Mariana que faz com que a vida continue quintal adentro.

E vou reinventando fatos, explorando o pé de algodão e ofereço a mão como abrigo. Você sabia que o Chiquinho – meu beija-flor-menino já dormiu uma noite inteira na minha mão? Isso aconteceu depois de um acidente entre ele e o ventilador da sala. Logo que eu o reanimei, meio em prantos, ele se aninhou em minha mão e não saía de jeito nenhum… por mais que eu o colocasse no vaso da lanterna chinesa – um dos lugares preferidos dele – ele voltava pra minha mão.

Sentei-me no chão da varanda, com a mão apoiada na cadeira e ele até roncou. Você já viu um beija-flor roncar? É a coisa mais linda que há… e quando amanheceu, meu braço quase não mexia… e foi assim que passei uma noite inteira com um beija-flor. Já vivi várias outras aventuras com ele, porque o danado é um menino sapeca.

Tudo isso te contei para falar das coisas que vem parar em minha mão… grilos, gafanhotos, pássaros e uma infinidade de borboletas, mas as joaninhas ganham de todos os outros. Basta um descuido e lá vem uma pousar na minha mão… Talvez, isso responda ao seu comentário da palavra na palma da mão… se até os bichos encontram abrigo nelas, imagine as palavras, moço! É que a poesia ronda aqui desde minha nascença, lá no interior de Goiás.

E olha que vibrei aqui com a citação à Adélia! Nossa, e a Hilda, então?! Fiquei boba que só e resolvi te escrever essa carta apenas para agradecer. E o agradecimento vai em forma de abraço e palavra e com as mãos justapostas em reverência a sua amizade.

Abraço,

Mariana Gouveia
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Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

E a loucura será feita de abraços…

Te decorei
para te rezar
todas as noites do meu dia.


Alessandra Siedschlag

Amada Maria,

Saberão os dias em que os corredores serão feitos de risos e que a loucura será apenas dos apertos de abraços.

Haverá os dias em que os espelhos serão apenas partes de relacionamentos e não cacos quebrados jogados no lixo, à medida que a sorte rouba as digitais dos humanos e eu folheio as fotografias na memória como quem rouba dados.

Tudo é esse grito na garganta, preso.

Mesmo que o calendário seja essa rotina de todo dia e você nem saiba seu nome. A loucura é essa improvisação no modo de ser. E é também essa coisa de ave abrir a asa e voar… não conheço outro modo que não seja essa grade.

Não conheço outro canto que não seja o dos anus pretos. Nunca tive nada desarrumado, porque nunca tive nada meu. A colher que me cabia tinha o cabo torto e alguém se apoderou dela e fiquei a ver a cor do cabo a ser servido duas cadeiras além da minha.

A colina, é essa ponta de verde musgo que meus olhos alcançam e de onde chegou a notícia de que alguém morrera na mata da rua do meio.

Mariana Gouveia
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Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – dos dias de metamorfose.

Querida flor,

As porcelanas empoeiradas na mesa de cabeceira guardam segredos que eu apenas repetia para o espelho. Depois que coloquei o pano azul para cobri-lo nunca mais ousei pensar neles.

Costurei a garganta todo dia para não cantar as canções daquele tempo em que a maresia trazia o balanço das ondas para o quintal.

Vivi todos os dias a metamorfose de me regenerar na dor. Era a asa quebrada no vento. Era o vento derramando força no pouso.

Queria a mão para que fosse leveza.

Queria leveza para que não doesse a alma – algumas dores nos fazem mais fortes – e para que apenas passasse os dias com suas rotinas. O medo é apenas passageiro… dá apenas coragem para pousar quando é necessário o voo.

Mariana Gouveia
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