Corredores, Codinome Locura · Das palavras das cartas

b.e.d.a – dos dias de metamorfose.

Querida flor,

As porcelanas empoeiradas na mesa de cabeceira guardam segredos que eu apenas repetia para o espelho. Depois que coloquei o pano azul para cobri-lo nunca mais ousei pensar neles.

Costurei a garganta todo dia para não cantar as canções daquele tempo em que a maresia trazia o balanço das ondas para o quintal.

Vivi todos os dias a metamorfose de me regenerar na dor. Era a asa quebrada no vento. Era o vento derramando força no pouso.

Queria a mão para que fosse leveza.

Queria leveza para que não doesse a alma – algumas dores nos fazem mais fortes – e para que apenas passasse os dias com suas rotinas. O medo é apenas passageiro… dá apenas coragem para pousar quando é necessário o voo.

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

15 comentários em “b.e.d.a – dos dias de metamorfose.

    1. eu discordo sobre a vida da borboleta… segundo minhas pesquisas aleatórias, não comprovadas cientificamente, elas vivem entre uma e quatro semanas e há uma espécie que não sei o nome, que vive nove meses… Tenho uma amiga deliciosa, Graça Carpes, que escreveu um poema lindo sobre:
      “Tenho o tempo das borboletas. Uma semana é uma vida”.

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      1. Mariana, realmente! Pesquisando, encontrei informações que as borboletas vivem o tempo que reportou. A mariposa, sua parente, é que vive apenas 24 horas. Obrigado pelo esclarecimento!

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