Luci,
Havia uma cor azul no estuque da parede. Houve noites em que a solidão me trouxe barulhos na janela e se eu disser que a noite aqui é puro inverno? É frio, e eu tremo. A água gelada que caiu em ritmo de castigo parecia canção sobre a pele. Era som de mais para quem enlouquece de silêncio. Às vezes, bato na parede-janela-pernas para que o som alcançasse o lugar e eu ouvisse algo que não fosse essa imensidão de silêncio em mim – diria que nasci muda- surda – talvez o comprimento do dia seja esse largar de minuto. A hora certa para o rito das cores: uma para aplacar o grito; outra, para curar a dor e mais uma, para que as fantasias se espalhem nas paredes e os ecos sublimem a sílaba e… eeeee.
Você deve saber que ando furtiva nas noites. As beiradas do telhado têm cores fabulosas. Dali, quase consigo alcançar o céu. E esse sentimento meu é quase toque e o infinito cabe nessa lucidez das perguntas em vão: o que vim fazer aqui? Cabe em mim esse vão absurdo entre a ponte e o rio, sem que eu desague no mar?
Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Ah o azul… Engloba tantas coisas, símbolos. Já li que quem gosta demais dessa dor é louco. Sou assumidamente louca! Amei a frase que arremata esse belo texto! E vou continuar a apreciar o azul e suas nuances.
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Sua linda! Essa cor sempre me inundou… embora, seja apaixonada pelo vermelho.
Abraço carinhoso!
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