Querida Terra,
Dizem que você tem uma carta, que é basicamente uma declaração de princípios éticos fundamentais para uma sociedade justa, sustentável e pacífica… é estranho ter uma declaração com as regras que por princípios já devia ser assim. Cada ser humano deveria fazer de tudo para te proteger. Infelizmente, não é o que acontece.
Eu deveria falar sobre sobre isso, mas vou te lembrar de coisas que me alcançam sobre você. Seu cheiro, depois de uma chuva invadindo meu quintal é a lembrança mais terna que trago em mim. Isso também acontece quando rego as plantas. O orvalho da manhã sobre os capins me faz lembrar que você abriu sua caixa de joias e deixou seus brilhantes espalhados por aí.
As flores do ipê, que de tão dourado me leva para além da memória da minha infância. A diversidade que você pontua na fauna, na flora são tesouros que não sabemos nomear e muitas vezes, maltratamos. Acho que somos os únicos seres que destrói o lugar onde mora… os únicos que não valoriza a riqueza sob os pés.
Nesse dia, data que te atribuem e todo mundo relembra os princípios básicos para que você seja salva – amanhã, tudo volta ao normal – eu te reverencio… me curvo diante do rio e louvo teus seres, tuas matas, teus rios, tua vida.
O gesto é simples e simboliza que descalça sinto a energia vinda de você, de sua força e seu poder.
Que saibamos valorizar isso.
Te toco, te abraço, te vivo!
Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Temos de lembrar e cuidar dela diariamente. Bela homenagem!
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Obrigada, Roseli! Ela anda muito judiada…. infelizmente!
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Ah, Terra! E a terra da Terra! Sendo que, a maior parte, é água! Prefiro chamar a Terra de Gaia, o que não impede que seja agredida por nós, que dependemos dela. Somos seres suicidas. Belo texto, Mariana!
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Muito obrigada!
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❤
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❤
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Constumo ler em voz alta para sentir o tom dos textos, e deve dizer que senti muito com o que escreveu e logo me lembro da sabedoria indígena que pede licença a mata para adentrar nela, caça apenas o necessário a cada refeição e evoca todos os encantados (os defensores das matas) em meio aos torés…Começo a pensar o teu sangue pulsa essa ancestralidade.
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Os iguais se encontram, Lara! Feliz demais pelo seu comentário! Realmente, tenho sangue indígena nas veias e me alegro muito de você perceber isso.
Um abraço carinhoso
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On the first paragraph, I was like, “woah, I had no idea she could switch to philosophy just like that. Where is the romance in that?” and then, BOOM! 🙂
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Do you already know the history of the mirror?
It reflects what is within us … today, here, you looked in the mirror, my dear Angela ❤
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🙂
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