Acontece mudanças no meu jardim. Migrações de formigas entre os canteiros me lembram as palavras do meu pai: formigas mudando é sinal de chuva.
E não é que aconteceu? Caiu a maior tempestade aqui. Tive de mudar as coisas todas do lugar. O pé de amora perdeu seus frutos – ou quase todos – o vento não foi companheiro dessa vez. Até um ninho que havia lá, caiu. Sorte que os filhotes haviam ganhado asas dias atrás.
Mas como sempre depois da tempestade, vem a bonança o sol amanheceu radiante. Não veio o frio anunciado pela meteorologia. Está o mesmo sol de sempre e os quase 38º às 10 da manhã.
A vida acontece ali fora. Um céu azulinho que vira poesia só de olhar e as nuvens que passeiam por ele como se fosse um desfile.
Vejo nelas figuras estranhas e algumas que parecem coisas, animais. Já brincou de descobrir desenhos em nuvem?
Faço isso sempre – confesso – e descubro algumas engraçadas. Em sua maioria, vejo corações. Aliás, há coração em quase tudo que vejo. Desde uma folha seca que voa, ou alguma flor que brota no jardim. Também nos grafites dos muros.
Vejo corações por ai. Até em nossas conversas, na despedida, sempre me envia aquele coraçãozinho rosa que arranca sempre um riso de mim, depois do beijo e na despedida.
Hoje, lembrei da história do teu nome. Quantas histórias podem encerrar um nome e percebo que a sua tem a docilidade de avó bordada nela. E como leva o nome da padroeira das flores é assim que te rendo homenagem.
Flor colhida no jardim. Um gesto que viaja através das letras e atravessa o oceano na acolhida doce da amizade.
Que ao ler seu sorriso seja de ternura e que sinta nas palavras meu carinho.
Beijo meu
Mariana Gouveia









