Das palavras das cartas · Lunna Guedes

Carta em Vermelhos Tons

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Bambina mia

“Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,
Medi minha vida em colherinhas de café”
Lunna Guedes

 
A tarde surge com prenúncio de mais um temporal e pensei em você. Os Vermelhos Tons me traz uma certa nostalgia.
Caminho com você pelas estações e cruzo as calçadas contigo.
Em silêncio. Gritante, às vezes, como uma menina travessa que solta da mão do responsável e corre adiante, pela rua.
Vou aos poucos descobrindo lugares, visitando seus caminhos antigos e posso até detalhar os matos que crescem nos fios desgastados das calçadas.
Os tons de cinza das ruas me atinge. Mas, sinto paz aqui, quase uma redenção para uma alma em burburinho nos últimos dias.
Dentro de uma sexta-feira a promessa se cumpre e aqui estou eu, sendo apresentada ao espelho de seus tons rubros, com toda paixão que a cor causa em mim.
Tropeço na possibilidade de ser. De poemar Cecília para você rir. Sim! Imagino você rindo com meu jeito moleca – dizem sempre que sou assim – moleca.
Atravessar as ruas e saborear no ar o cheiro delas, os aromas das suas feiras e a cor dos tomates que escolhe para o molho, que já antevejo, e posso sentir o gosto na boca.
E no fim do passeio, bambina, abro o pacote de vento que trouxe. Desses que levanta as saias, assanha os cabelos e faz arrancar risos. Te convido para abrir os braços e saborear a dança do vento.
É aqui, nesse cenário inventado que visito o seu. Que abraça a minha alma e me acolhe como uma flor acolhe a borboleta.
Encerro essa carta com as suas palavras em Junho, para seu menino amor.
Lá onde os lilases de Junho floreiam amor e foi onde te descobri. Quase como gestar de novo essa amizade que em mim, floresce sempre como se fosse desde sempre.O cheiro do chá me convida para mais uma lembrança e ainda bem que não perdemos o hábito de escrever missivas.

Bacio
Mariana Gouveia

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