
De vez em quando, tomava lucidez fora de hora.
Tinha medo de não viver as histórias de amor que lia nas bulas disfarçadas de livros.
Ria quando lembrava dela. A buscava nos romances que lia. A cantava nas canções de amor.
Lembrava do dia em que estivera nos braços dela.
A madrugada, a partir daquele dia, passou a ter sentido. E as coisas ganharam o encantamento que eu via nos olhos dela.
Um dia, a loucura materializou-se em gestos e um mês qualquer tornou-se um de um vazio profundo.
Uma mistura do enlouquecer e da busca, sintetizou a falta.
Nunca mais soube dela. Mas, todos os dias lê as cartas, o horóscopo, o tarô…
Procura uma cigana que leia em sua mão a doce felicidade da volta.
Na mão, a linha do destino liga sua vida à dela.
Escreve poesias para não enlouquecer de saudades e cuida do jardim, apenas por desacato à flor.
Mariana Gouveia
*imagem: Tumblr









